O Longo Caminho de Olga, Yolanda Scheuber

29 agosto 2009

Editora: Série B
Páginas: 248
Categoria: Memórias/Testemunhos

"Desde as terras campestres da Rússia até à inóspita pampa argentina povoada de índios, uma menina de doze anos, abandonada pelos pais, deverá empreender a sua missão mais importante: viver.

A extraordinária vida de Olga começa na faustosa Rússia dos últimos czares Romanov, quando, com somente doze anos, a sua família decide abandonar o seu país, deixando para trás tudo o que tinha, inclusivamente uma das suas irmãs. Começa então uma grande viagem que os levará a Inglaterra e Canadá, antes de chegarem à longínqua e desconhecida Argentina, onde a família se separará definitivamente.
Ali, a pequena Olga começará uma nova vida plena de dificuldades, que enfrentará da melhor maneira possível. Terá de ultrapassar novas separações e notícias infelizes, duas guerras mundiais que a atingirão profundamente, mas também conhecerá o amor e iniciará a sua própria família, reencontrará pessoas que julgara desaparecidas e trabalhará nas suas próprias terras na pampa argentina."

Yolanda Scheuber conta-nos, num relato humano, rico e nostálgico o longo caminho percorrido pela sua avó Olga, tanto física como psicologicamente, desde 1889 a 1982.

A história começa a ser-nos relatada na 1ª pessoa, pela própria Olga, que em conversas com a neta aos domingos lhe vai revelando, no fundo, a longa e dura história da família, que se começou a desmembrar com a partida da Rússia imperial e que apenas parou quando já havia elementos da família na Alemanha, Canadá, Estados Unidos e na Argentina, onde Olga e uma das suas irmãs ficaram.

Ao acompanharmos o relato desta longa e atribulada vida, acompanhamos também os acontecimentos que marcaram os anos mais complicados do século XX e que, tal como no resto do mundo, deixaram a sua marca indelével em Olga, que tinha o coração dividido por todas as partes do mundo onde tinha a família que tanto amava.

No entanto, e apesar de todo o sofrimento, a vida de Olga torna-se afinal um exemplo de fé, de luta e de coragem. São comoventes os relatos das (demoradas) chegadas das cartas com notícias dos familiares. E torna-se impressionante, como no meio de tanta convulsão económica e social, conseguiram sempre manter um contacto mais ou menos regular. Mesmo quando já todos tinham "assentado" e dado origem às suas próprias famílias.

Olga teve uma vida sofrida, desenraizada, mas nunca deixou de sonhar e acima de tudo de acreditar. Gostei particularmente desta passagem:

"Sentia que a minha alma ia onde iam os que eu amava e então compreendi que o tempo e a distância eram somente valores impostos pela própria humanidade e que, ignorando-os, me era permitido ser livre e transladar a minha mente e alma para o lugar que eu propusesse sem que nada nem ninguém mo impedisse." (p.145)

Achei o livro um pouco mais denso do que a sinopse revela, mas é não só riquíssimo em vivências e reflexões sobre os anos mais conturbados do século XX, como também sobre a vida em si.

"Quando nascemos, ninguém nos dá a receita da felicidade. Há milhões de receitas de comidas, de sobremesas, de perfumes, de medicamentos, mas quanto à felicidade, não existe nem existirá nunca uma fórmula mágica que, aplicada a todos por igual, nos dê um resultado exacto. (...)
A felicidade não é uma paragem à qual temos de chegar, uma meta, um horizonte. A felicidade é uma forma de estar na vida. Se a perseguirmos, parece que nunca mais a alcançamos, é como a nossa própria sombra que foge quando vamos atrás dela, mas quando chega, chega sem nos apercebermos e quando menos a esperamos. " (p. 218)

Trata-se de uma história verdadeiramente real e humana, de separação, superação e muita determinação. Uma história singular de vida que, de facto, merecia ser contada e que valeu muito a pena ler.

Amante de Sonho, Sherrilyn Kenyon

23 agosto 2009

Editora: Saída de Emergência
Páginas: 288
Categoria: Romance

"Grace Alexander, uma bonita terapeuta sexual de Nova Orleães, julgava estar destinada a uma vida sem paixão. Até ao dia em que a amiga Selena a convence de que, por artes mágicas, poderá convocar um escravo de amor durante um mês. Certa de que a magia da amiga irá falhar, Grace deixa-se levar pela brincadeira. Mas...

"Caro leitor,
Estar preso num quarto com uma mulher é fabuloso. Estar preso em centenas de quartos ao longo de dois mil anos não o é de todo. E estar amaldiçoado como escravo de amor para a eternidade, arruína qualquer guerreiro espartano. Como escravo de amor, sei tudo sobre as mulheres. Como tocá-las, saboreá-las e, acima de tudo, como dar-lhes prazer. Mas quando fui convocado para satisfazer as fantasias de Grace, encontrei a primeira mulher na história que me viu como um homem com um passado atormentado. Só ela se preocupou em levar-me para fora do quarto e mostrar-me o mundo. Ensinou-me a amar de novo.
Mas eu não nasci para conhecer o amor. Fui amaldiçoado para caminhar sozinho pela eternidade. Como general, aceitara há muito a minha sentença. No entanto, agora encontrara Grace - a única coisa sem a qual o meu coração não consegue sobreviver. Poderá o seu amor curar as minhas feridas e quebrar uma maldição milenar?"
Julian da Macedónia

Parti para a leitura deste livro com expectativas moderadas. Se, por um lado, estava muito curiosa com as boas críticas que tinha lido sobre esta autora, mesmo antes de ser publicada por cá, por outro lado, tem sido editada por cá tanta literatura romântica/paranormal, que me leva a ficar um bocado de pé atrás em relação à vaga deste género de livros.

Mas, de facto, este livro surpreendeu-me, porque o achei essencialmente divertido. Não foi a sensualidade, o romantismo ou o paranormal que me consquistaram, mas sim os laivos de humor que perpassam toda a história, tornando a leitura, acima de tudo, divertida.

Neste livro temos de tudo: maldições, conflitos e mal-entendidos, sexo, sensualidade, heróis e Deuses da Antiguidade, passado, presente... uma data de coisas que se poderiam tornar confusas, caso a história não estivesse tão bem contada.

A autora surpreendeu-me com a sua escrita fresca, fluida e desempoeirada, que nos permite umas boas horas de completo alheamento da realidade ao mergulharmos nestas páginas.

Trata-se de um livro bem escrito, bem estruturado e com toques de humor muito bem conseguidos. Uma leitura leve e agradável, que me deixou com muita vontade de ler os restantes volumes da série Predadores da Noite.

BiblioImagem X

21 agosto 2009

Só porque é Verão e apetece :)

Pensamento Mágico, Augusten Burroughs

16 agosto 2009

Editora: Contraponto
Páginas: 292
Categoria: Humor, Crónicas

"Um braço-de-ferro com uma mulher-a-dias louca. A execução de um roedor com precisão militar. Um encontro romântico com um agente funerário. A vingança de um operador de telemarketing. Bem-vindo à estranha vida de Augusten Burroughs, onde o dia-a-dia é um puzzle de acontecimentos bizarros, reacções extremas, personagens insólitas e encontros imediatos com seres humanos que parecem muito pouco terrestres…"

Começo por dizer que não é muito habitual ler livros de humor, porque não é qualquer coisa que me arranca uma gargalhada, mas achei a sinopse deste livro tão surreal que me despertou a atenção.

Fui lendo o livro aos poucos, nuns intervalos aqui e ali no meio do trabalho, ou quando o computador resolvia "embirrar". Como são pequenas histórias ou episódios, foi o ideal para ir aproveitando uns "furinhos" durante o dia.

Em abono da verdade, há que dizer que realmente a vida de Augusten Burroughs foge bastante dos "cânones" da dita "normalidade" e está recheada de episódios surrealistas, que aqui são contados de uma forma tão inteligente que se tornam realmente divertidos.

Apesar de alguns episódios parecerem demasiado crus, mordazes ou comoventes, há sempre um sorriso matreiro à espreita no final de cada relato. E, de facto, eu dei muitas vezes por mim a rir a sério no fim de muitas histórias.

Com um humor inteligente. uma visão perspicaz e mordaz e um pensamento, de facto, mágico, que transparece na escrita, este é mesmo um livro surrealmente divertido.

A Estrela da Babilónia, Barbara Wood

14 agosto 2009

Editora: Contraponto
Páginas: 384
Categoria: Romance, Aventura, Thriller

"Um romance cheio de acção e paixão que o levara à exótica Pérsia.

Numa noite de tempestade, a arqueóloga Candice Armstrong é chamada de urgência à cabeceira do seu velho professor, John Masters, que sofreu um acidente. O moribundo implora-lhe para ir a casa dele, mencionando a «Estrela da Babilónia» e uma misteriosa chave. Candice inicia então uma trepidante busca que a leva à Síria na companhia do filho do professor, Glenn Masters, um misterioso e taciturno inspector da polícia. Entretanto, Philo Thibodeau - seguindo as instruções da seita ultra-secreta a que pertence, os Alexandrinos - parte no seu encalço, e Candice e Glenn vêem-se obrigados a arriscar as suas vidas, numa corrida contra o tempo através do deserto."

Comecei a leitura deste livro sem ter criado expectativas, até porque pensava que se tratava de uma autora nova para mim. Afinal, não foi uma estreia, pois já me tinha passado pelas mãos, há largos meses, outro livro de Barbara Wood, A Profetisa.

Tal como o livro anterior, chamar-lhe apenas romance é um pouco redutor, pois é um livro com muita acção, aventura, mistérios, algum suspense, intriga histórica, e, sim, com uma pitada de romance, tudo muitíssimo bem enquadrado. Aliás, pareceu-me que o romance que acaba por se desenvolver entre as duas personagens principais é secundário à riqueza de tudo o resto.

Gostei muito da forma como a história se vai desenrolando, com mistérios atrás de mistérios e as peças a encaixarem-se gradualmente, mas o quadro completo só se revela mesmo no final.

Também me agradaram os saltos temporais para o passado, pois permitem-nos entender melhor a evolução e o enquadramento desta "intriga" até ao presente, dando-nos uma perspectiva mais abrangente, mas sem retirar ritmo ou intensidade à história.

História, misticismo, sociedades secretas, religião, ambição, loucura, arqueologia, crime, tudo isso encontramos neste livro que, sem dúvida, proporciona excelentes momentos de leitura até ao virar da última página. Gostei :)

Fui Roubada aos Meus Pais, Cèline Giraud

09 agosto 2009

Editora: Presença
Páginas: 184
Categoria: Memórias/Testemunhos

"A vida de Céline Giraud, 27 anos, desabou a 22 de Fevereiro de 2004, o dia em que tomou conhecimento de que não tinha sido abandonada em criança mas roubada à sua mãe biológica com alguns dias de vida. Roubada para ser vendida por 3000 dólares a um casal francês que desconhecia o processo de tráfico de que Céline tinha sido alvo.
Só quando tentou contactar a mãe biológica conseguiu descobrir a verdade, procurando a partir deste momento, com a ajuda dos pais de Fernando, o seu namorado, pistas para o seu rapto, conseguindo localizar mais de vinte crianças também de origem peruana que tinham sido raptadas. Os seus pais adoptivos, alheios à ilegalidade, tinham contactado uma organização francesa que lhes tinha conseguido uma menina com apenas duas semanas em tempo recorde.
Quando se apercebeu da situação dos outros bebés, Céline tentou contactar as suas famílias criando a Associação La Voix des Adoptés, que procura dar apoio a crianças adoptadas.
Um livro de memórias, escrito na primeira pessoa com um tom quase detectivesco, informativo e que pode servir de base a uma análise social."

Uma história contada na primeira pessoa por quem a viveu, mas acima de tudo, por quem a sofreu.

Achei a escrita de tal forma aberta e sincera, que nos faz ficar ainda mais chocados com a infeliz realidade do tráfico de crianças que grassa pelo mundo todo, ainda mais nos países desfavorecidos. Regra geral, só nos apercebemos de casos deste género pelas notícias. Mas raros são os casos que chegam ao olhar público e não é uma notícia de dois ou três minutos que nos consegue mostrar a verdadeira crueldade contra as crianças e famílias, incluindo as famílias adoptantes.

Este livro é um relato corajoso de uma jovem cuja vida ficou de pernas para o ar quando decidiu procurar as suas origens. A nós, leitores, serve como alerta e como exemplo de força e coragem.

"(...) Foi necessário ultrapassar a raiva, a cólera e o desejo de vingança. Foi necessário digerir a verdade, domá-la, para que ela se transformasse na minha história. (...)
Hoje sinto-me na obrigação de testemunhar. As palavras "tráfico de crianças" não são uma invenção dos jornalistas. Os raptos de crianças existiram e ainda existem no mundo da adopção. (...) Este livro foi escrito para que nunca mais se diga que não se sabia de nada.
Quero também partilhar esta minha experiência com as crianças adoptadas em condições normais. Quero dizer-lhes que não há quem saía incólume de uma busca das suas origens. Ninguém está suficientemente preparado para descobrir o seu passado, seja ele qual for. (...)"

A autora foi uma das fundadoras e é presidente de uma associação de adoptados, La Voix des Adoptés, que, pelo que o livro dá a entender, proporciona um precioso apoio a adoptados e pais adoptivos e tem um papel preponderante na denúncia de organizações de tráfico de crianças.

Numa nota mais pessoal, não sou mãe, não sou adoptada, mas este sempre foi um tema que me atraiu particularmente... Por isso, é um livro que recomendo a todos, mas, acima de tudo, a quem um dia pretende adoptar. Para ler e reflectir.

A Ilha das Três Irmãs, Nora Roberts

Editora: Chá das Cinco
Páginas: 302
Categoria: Romance

"Quando Nell Channing chega à acolhedora Ilha das Três Irmãs, acredita que finalmente encontrou um refúgio do seu marido violento... e da vida horrível que levara nos últimos anos.

Mas mesmo nesse lugar calmo e distante, Nell nunca se sente inteiramente à vontade. Escondendo cuidadosamente a sua verdadeira identidade, aceita um lugar como cozinheira num café e começa a explorar os seus sentimentos pelo simpático xerife da ilha. Mas há uma parte de si que ela nunca lhe poderá revelar, pois tem de guardar alguns segredos se quer manter o passado longe de si. Uma palavra a mais... e a sua nova vida tão cuidadosamente montada pode despedaçar-se.

E quando Nell começa a questionar-se se alguma vez será capaz de se libertar do seu medo, apercebe-se de que a ilha sofre de uma terrível maldição que só pode ser desfeita pelas descendentes das Três Irmãs: as bruxas que se instalaram na ilha em 1692. Então, com a ajuda de outras duas mulheres talentosas e determinadas - e com os pesadelos do passado a atormentarem-na constantemente - ela tem que encontrar a força para salvar o seu lar, o seu amor e a sua vida."

Mais uma vez, Nora Roberts cria personagens cativantes, fazendo-nos acompanhar o desenrolar da história ora com um sorriso, ora com o coração apertadinho.


Gostei bastante deste 1.º volume de um trilogia que me foi muito bem recomendada, mas estive sempre ansiosa pelo grande clímax que deixou um pouco a desejar. A cena (tão vívidas são as descrições) que se esperava mais intensa foi rápida demais para tanta antecipação ao longo da história.

Continuo a achar que os finais dos livros de Nora Roberts são muito apressados, depois de tantas páginas de drama e hesitações.

Neste volume, acho que a parte do suspense poderia ter sido melhor aproveitada, mas, mesmo assim, Nora Roberts conquista com as suas personagens e estou ansiosa por ler os próximos 2 volumes, principalmente "A Cor do Fogo", sobre Mia, a personagem que mais me cativou.

Aguardam-se sentão "cenas dos próximos capítulos" nesta ilha mística...

BiblioImagem IX

06 agosto 2009

Devagar, devagarinho
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