Troca de Identidades, famílias Van Ryn e Cerak com Mark Tabb

03 abril 2009

Editora: Quinta Essência
Páginas: 230
Categoria:
Memórias

"Duas famílias, uma única sobrevivente, o fim e o renascer da esperança.

Laura Van Ryn e Whitney Cerak, duas jovens universitárias, foram vítimas de um trágico acidente de viação. Uma foi sepultada sob o nome errado, a outra ficou em estado de coma e a ser tratada por uma família que não era a sua. Troca de Identidades é uma história sem precedentes de duas famílias traumatizadas , que, ao descreverem a bizarra provação a que foram sujeitas, descobrem o laço que as une enquanto enfrentam a reviravolta de uma vida perdida e de uma vida redescoberta. Enquanto as famílias tentam lidar da melhor forma com a chocante revelação, Whitney Cerak, a única sobrevivente, luta por um novo começo. Troca de Identidades tece uma envolvente narrativa de perda, esperança, fé e amor perante uma das mais estranhas ironias do destino que se possa imaginar e celebra as dádivas e os mistérios insondáveis da vida."

Soube pela primeira vez desta história por acaso, enquanto estava a fazer "zapping" e parei no programa da Oprah Winfrey. Fiquei agarrada e comovida pelo relato daquelas duas famílias que tiveram de enfrentar uma tragédia familiar, mas com a mesma admirável fé.

Ao ler este livro ainda mais impressionada fiquei com a fé e a união destas duas famílias, primeiro individualmente, a tentarem lidar, os Van Ryn, com a dolorosa e lenta recuperação de "Laura", e os Cerak, com a perda de Whitney de forma tão trágica, e depois juntos na alegria de uns que era a tristeza de outros, mas que resultou numa fé reforçada.

Há muitas passagens comoventes e acompanhamos a dor interior e exterior e os "diálogos" com Deus destes pais e irmãs, irmãos, namorados e amigos. Mas não é um livro que nos faz chorar de fio a pavio, antes pelo contrário, leva-nos a ter esperança e a aspirar ter tamanha clareza de espírito e fé em tantas outras situações tão "menores" da nossa vida.

Achei comovente como as duas famílias reagiram e assimilaram a realidade dos factos finais. Achei admirável o comportamento da irmã de Laura Van Ryn, Lisa. Comoventes também as cartas de Aryn à sua quase noiva Laura. Comovente o reencontro de Whitney com Hunter (o pormenor de chamar Hunter a Aryn é tocante, o amor assume tantas formas... quem ler perceberá porquê).

É uma história trágica, real, mas acima de tudo de perdão, fé, aceitação, união e muito, muito amor e esperança.

Gostei particularmente do último capítulo em que é a própria Whitney que se dirige ao leitor com uma clareza de espírito duramente conquistada e que deixa transparecer a luta que teve e terá de enfrentar para lidar com as sequelas físicas e emocionais de ter sobrevivido ao acidente e da consequente troca de identidades.


"...leu-me uma passagem do Antigo Testamento, Primeiro Livro dos Reis. (...) Elias vai para o deserto para falar com Deus. Está à Sua espera quando ouve uma tempestade de vento gigantesca que é tão forte que arranca os rochedos. Mas Deus não está na tempestade de vento. Depois há um terramoto, mas Deus não está no terramoto. A seguir, há um incêndio, mas Deus não está no incêndio. Por fim, ouve um suave murmúrio e percebe que é Deus. (...) Percebi que em vez de pensar que a minha vida tinha de ser uma enorme tempestade de vento ou um terramoto, para Deus, talvez tivesse apenas de O deixar murmurar suavemente na minha vida. Essa passagem fez-me perceber que não tenho de realizar nada de gigantesco. (...) Demorou algum tempo, mas finalmente percebi que o propósito de Deus para mim é deixá-Lo fazer o que quiser da minha vida, modesto ou grandioso."
O blog de que fala o livro, dedicado pela família a Laura Van Ryn, pelo que percebi foi encerrado...

Espero Por Ti Este Inverno, Luanne Rice

31 março 2009

Editora: Quinta Essência
Páginas: 354
Categoria: Romance

"Neve Halloran e a filha partilham o amor pela beleza austera de Rhode Island desde que Neve ajudou Mickey a dar os primeiros passos na costa arenosa. Agora, com Mickey já na adolescência e tendo Neve perdido a esperança de ser feliz com o ex-marido, ambas vão lutar por uma nova vida no meio da paisagem ventosa que as sustém. Apaixonada pela reserva natural da zona, Mickey avança em direcção à vida adulta na companhia de um rapaz solitário que partilha o seu amor pelos animais. E Neve irá sentir-se atraída por um homem que dedicou a vida a essa reserva, mas que é incapaz de partilhar a dor de uma perda recente. Lírico, luminoso, absolutamente cativante, Espero por ti este Inverno é um livro marcante que explora de forma comovente os laços que nos moldam e, simultaneamente, nos libertam."

Apesar de ter me ter deixado envolver mais pelo livro anterior desta autora, este livro foi uma excelente leitura, não só pela história em si, mas pela forma como esta autora consegue descrever tristezas e alegrias, mágoas antigas e recentes, problemas relacionais entre gerações e perdas irreparáveis, sem perder de vista a redenção e a esperança, de uma forma que nos envolve, que não é "lamechas" demais e que nos faz sorrir, enquanto vamos acompanhando a vida e o crescimento (mais interior do que exterior) de personagens que, de tão reais, nos deixam saudades quando fechamos o livro.

Cada vez mais Luanne Rice cimenta o seu lugar cimeiro no meu top de autoras de literatura romântica, com a sua escrita realista e ao mesmo tempo sensível.

Se Me Pudesses Ver Agora, Cecelia Ahern

25 março 2009

Editora: Presença
Páginas: 292

Categoria: Romance


"Depois de P.S. Eu Amo-te, o romance de estreia, traduzido em mais de 40 países e de Para Sempre, Talvez, a filha do primeiro ministro irlandês apresenta-nos um narrador, Ivan, que é um ser imaginário, com a função de acompanhar uma criança que precise de um amigo. Essa criança é Luke, um menino de seis anos que vive com a tia, Elizabeth, de trinta e quatro anos, fria, metódica, obsessivamente trabalhadora que inicialmente não aceita a nova relação do sobrinho com um amigo que ela não consegue ver. Só depois de fazer uma pesquisa na Internet, Elizabeth se sente mais aliviada por saber que os amigos imaginários não são um sinal de solidão mas de criatividade infantil. Um romance divertido, com humor que apela para um imaginário característico dos adolescentes que muitos adultos já perderam mas que deveriam recuperar em nome de um encontro consigo próprios."

É um livro terno, em que vamos acompanhando a abertura de Elizabeth ao mundo dos sentimentos e dos sonhos, aprendendo a ver a vida com outros olhos e outras cores, através da intervenção do amigo imaginário, Ivan, do seu sobrinho de seis anos, Luke.

Fez-me rir, sorrir, mas acima de tudo reflectir que realmente ao longo da vida e à medida que os momentos menos bons se vão sucedendo, temos tendência a deixar para trás o nosso lado inocente, crente e infantil, que afinal tanta falta nos faz para darmos a devida atenção aos "pequenos detalhes" que tornam a vida muito mais bela.

Duas passagens que me tocaram mais
:
"A vida é assim uma espécie de pintura. Uma pintura abstracta muito bizarra. Podemos olhar para ela e pensar que tudo aquilo não passa de um borrão, e continuarmos a viver a nossa vida pensando que tudo o que existe à nossa volta é um borrão. Mas se olharmos bem para ela, se a observarmos com atenção, a vida pode tornar-se muito mais do que isso. Ela pode ser uma pintura do mar, do céu, das pessoas, dos edificios, de uma borboleta pousada numa flor ou de qualquer outra coisa, excepto do borrão que antes vocês se convenceram que era."

"Não importa onde estamos neste mundo, porque o que interessa é onde estamos aqui - tocou ao de leve na cabeça. - O importante é o outro mundo que habito. O mundo dos sonhos, da esperança, da imaginação e das recordações. Aí eu sou feliz (...) por isso também sou feliz neste sítio. (...) Fechou os olhos e deixou que o vento lhe secasse as lágrimas."

Dia Mundial da Poesia

21 março 2009

O poema

O poema me levará no tempo
Quando eu já não for eu
E passarei sozinha
Entre as mãos de quem lê

O poema alguém o dirá
Às searas

Sua passagem se confundirá
Como rumor do mar com o passar do vento

O poema habitará
O espaço mais concreto e mais atento

No ar claro nas tardes transparentes
Suas sílabas redondas

(Ó antigas ó longas
Eternas tardes lisas)

Mesmo que eu morra o poema encontrará
Uma praia onde quebrar as suas ondas

E entre quatro paredes densas
De funda e devorada solidão
Alguém seu próprio ser confundirá
Com o poema no tempo

Sophia de Mello Breyner Andresen, Livro Sexto (1962)

O Leitor, Bernhard Schlink

19 março 2009

Editora: Asa
Páginas: 144

Categoria: Romance


"Michael Berg, um adolescente nos anos 60, é iniciado no amor por Hanna Schmitz, uma mulher madura, bela, sensual e autoritária. Ele tem 15 anos, ela 36. Os seus encontros decorrem como um ritual: primeiro banham-se, depois ele lê, ela escuta, e finalmente fazem amor. Este período de felicidade incerta tem um fim abrupto quando Hanna desaparece de repente da vida de Michael. Michael só a encontrará muitos anos mais tarde, envolvida num processo de acusação a ex-guardas dos campos de concentração nazis. Inicia-se então uma reflexão metódica e dolorosa sobre a legitimidade de uma geração, a braços com a vergonha, julgar a geração anterior, responsável por vários crimes.
Perturbadora meditação sobre os destinos da Alemanha, O Leitor, é desde O Perfume, o romance alemão mais aplaudido nacional e internacionalmente. Já traduzido em 39 línguas, a obra está a ser adaptada ao cinema. Para além disso, este romance foi galardoado em 1997 com os prémios Grinzane Cavour, Hans Fallada e Laure Bataillon. Em 1999 venceu o Prémio de Literatura do Die Welt."

Uma história que começa bonita, mas sempre ensombrada por duas palavras que são recorrentes ao longo do livro: culpa e embotamento. E estas aplicam-se à geração do 3º Reich e pós-3º Reich, simbolizadas na relação das duas personagens centrais, Michael e Hannah, uma relação ao mesmo tempo terna, mas carregada de culpa, de frieza e do tal embotamento, do saber que algo está lá, que algo está errado, mas não se saber se se quer tomar "oficialmente" consciência disso. E mesmo perante a dita "verdade", nem tudo é preto ou branco...

Um livro belo e perturbador que convida à reflexão sobre a sociedade alemã da época, através da história de uma paixão improvável, que vai intercalando entre a inocência e a vergonha, de parte a parte.

"Durante muito tempo, pensei que era uma história muito triste. Não que agora pense que seja alegre. Mas penso que é verdadeira; por isso, a questão de saber se é triste ou alegre não tem nenhuma importância."

Eu diria mais, é um belíssimo livro sem que tenha uma história feliz.

BiblioCitação III

16 março 2009

"Mas hoje reconheço naquilo que então aconteceu, o esquema por meio do qual o pensamento e a acção se conjugaram ou divergiram durante toda a minha vida. Penso, chego a um resultado, fixo-me numa conclusão e apercebo-me de que a acção é algo independente, algo que pode seguir a conclusão, mas não necessariamente. Durante a minha vida, fiz muitas vezes coisas que não tinha decidido fazer e não fiz outras coisas que tinha firmemente decidido fazer. Algo que existe em mim, seja lá o que for, age (...) Não quero dizer que o pensamento e a decisão não tenham alguma influência na acção. Mas a acção não decorre só do que foi pensado e decidido antes. Surge de uma fonte própria e é tão independente como o meu pensamento e as minhas decisões."
O Leitor, Bernhard Schlink

Comer, Orar, Amar, Elizabeth Gilbert

11 março 2009

Editora: Bertrand  
Páginas: 376  
Categoria: Memórias http://comeroraramar.blogspot.com/

"Aos trinta anos, Elizabeth Gilbert tinha um marido, uma casa de campo, uma carreira de sucesso - tudo aquilo que uma mulher pode desejar. Ou talvez não... Consumida pela dúvida e pela inquietude, decide avançar para um divórcio difícil, sofrendo durante o processo uma depressão profunda e uma arrasadora crise existencial. É então que se decide pela aventura. Dividida entre o desejo de prazeres mundanos e a aspiração a uma transcendência divina, experimenta as delícias da "dolce vita" em Itália, o rigor ascético na Índia e no seu último destino - a Indonésia - procura o equilíbrio e encontra o amor."
Um livro que me despertou a curiosidade pelo imenso êxito que teve quando foi lançado por cá. Inicialmente, pensei que se tratasse de mais um livro de auto-ajuda, mas depois fui ouvindo, aqui e ali, algumas opiniões e afinal não era bem o que pensava. Mesmo assim, confesso que comecei a lê-lo apenas para tirar teimas e a pensar que seria para ler "na diagonal". Enganei-me, a escrita despretensiosa, divertida e de coração aberto, cativou-me... Ao fim de umas páginas já tinha oscilado entre a lágrima ao canto do olho e a gargalhada e ficado com uma vontade imensa de (re)aprender italiano. Quem pensa que é um livro de auto-ajuda, desengane-se. É isso sim um livro de partilha de vivências e das (revira)voltas que a vida dá. Um livro de aventuras e desventuras de alguém que tenta encontrar-se, "perdendo-se" pelos, neste caso, três cantos do mundo (Itália, Índia e Indonésia).
 

Clube Arcanum, Thomas Wheeler

08 março 2009

Editora: Saída de Emergência  
Páginas: 319  
Categoria: Fantasia/Thriller
excerto

"Uma conspiração tão horrenda que só as maiores mentes do mundo a conseguem enfrentar
Estamos em 1919 e a Grande Guerra chegou ao fim. Mas nas sombras da civilização as mortes apenas acabam de começar. Nestes tempos perigosos em que a linha entre ordem e caos ameaça extinguir-se, um grupo de visionários jura proteger a humanidade. São conhecidos como Clube Arcanum. Quando Konstantin Duvall, o fundador do Clube, morre de forma suspeita em Londres, cabe ao mais antigo membro, o famoso escritor Sir Arthur Conan Doyle, investigar o caso. Pois da biblioteca secreta do morto desapareceu o artefacto mais poderoso do mundo: o Livro de Enoque. Este é um crime que ameaça ser muito mais do que uma guerra entre seitas ou nações, mas sim a derradeira batalha entre o Céu e o Inferno. Clube Arcanum é um thriller brilhante e original sobre o religioso e o sobrenatural. Repleto de drama, suspense e algumas das personagens mais marcantes da história, como o mágico Houdini, o estranho escritor H. P. Lovecraft e o engenhoso Sir Arthur Conan Doyle, criador de Sherlock Holmes."
Passei o mês de Fevereiro e o início de Março às voltas com este livro e, com muita pena minha, acabei por desistir de ler até ao fim. Provavelmente, o facto de terem sido umas semanas de trabalho intensivo terá afectado a leitura, mas mesmo tendo isso em conta, as minhas expectativas saíram goradas. O primeiro capítulo prendeu-me à história e fazia adivinhar um livro emocionante. À medida que fui avançando na leitura, fui ficando desiludida não tanto com a história ou personagens, mas com a escrita, que foi perdendo a fluidez e a envolvência e, pareceu-me, acabava por cortar o ritmo mesmo nos momentos mais intensos. No entanto, devo confessar que ainda insisti na leitura até à página 200 e tal, mas mais pelo leque de personagens que me cativaram, apesar de tudo... Arthur Conan Doyle, H.P. Lovecraft, Houdini e outras que me foram fazendo perseverar. Na capa diz "Uma história genial, um thriller sobrenatural recheado de mistério e suspense"... Pois a mim pareceu-me que a história poderia, sim, ser isso tudo, mas a escrita não ajudou. Suspeito que o autor, como guionista, criador e produtor de séries de TV, talvez tenha querido adensar demais a escrita... O irónico é que achei que a história daria um excelente filme (ou até mesmo série), mesmo não dando um excelente livro! E parece que vai dar mesmo, vejam aqui :D

BiblioCitação II

01 março 2009

"Não há talvez dias da nossa infância que tenhamos tão intensamente vivido como aqueles que julgámos passar sem tê-los vivido, aqueles que passámos com um livro preferido."
Marcel Proust

BiblioImagem III

25 fevereiro 2009

Reading Time
Nancy Crookston
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