A Casa de Papel, Carlos María Domínguez

23 abril 2009

Editora: Edições Asa
Páginas: 78
Categoria: Romance

"Os livros mudam o destino das pessoas: Demian, de Hermann Hesse, apresentou o hinduísmo a milhares de jovens; Hemingway incutiu em muitos o seu famoso espírito aventureiro; os intrépidos mosqueteiros de Dumas abalaram as vidas emocionais de um sem-número de leitores; muitos outros foram arrancados às malhas do suicídio por um vulgar livro de cozinha. Bluma Lennon foi uma das vítimas da Literatura. Na Primavera de 1998, Bluma, uma lindíssima professora de Cambridge, acaba de comprar um livro de poemas de Emily Dickinson quando é atropelada. Após a sua morte, um colega e ex-amante recebe um exemplar de A Linha da Sombra, de Joseph Conrad, em que Bluma escrevera uma misteriosa dedicatória e que lhe era agora devolvido. Intrigado, parte numa busca que o leva a Buenos Aires com o objectivo de procurar pistas sobre a identidade e o destino de um obscuro mas dedicado bibliófilo e a sua intrigante ligação com Bluma. A Casa de Papel é um romance excepcional sobre o amor desmesurado pelas bibliotecas e pela literatura. Uma envolvente intriga policial e metafísica que envolve o leitor numa viagem de descoberta e deslumbramento perante os estranhos vínculos entre a realidade e a ficção."

Um romace escrito quase de forma poética, que se torna um hino ao amor pela leitura e pelos livros.

Este é daqueles que apetece guardar para mais tarde reler. É caso para dizer, pequenino, mas precioso.

"Ao longo dos anos vi livros destinados a equilibrar a perna coxa de uma mesa; conheci-os convertidos em mesas de luz, dispostos em forma de torre e com um pano por cima; muitos dicionários passaram a ferro e prensaram mais objectos do que as vezes em que foram abertos, e não poucos livros guardam, dissimulados nas estantes, cartas, dinheiro, segredos. As pessoas também mudam o destino dos livros." p. 59

As Esquinas do Tempo, Rosa Lobato de Faria

18 abril 2009

Editora: Porto Editora
Páginas: 208
Categoria: Romance

"Quando Margarida chegou à Casa da Azenha teve aquela sensação, não desconhecida mas sempre inquietante, de já ter estado ali."

"Margarida é uma jovem professora de Matemática. Um dia vai a Vila Real proferir uma palestra e fica hospedada num turismo de habitação, casa antiga muitíssimo bem conservada e onde, no seu quarto, está dependurado o retrato a óleo de um homem que se parece muito com Miguel, a sua recente paixão.Por um inexplicável mistério, na manhã seguinte Margarida acorda cem anos atrás, no seio da sua antiga família.Sem perder consciência de quem é, ela odeia esta partida do tempo. Mas aos poucos vai-se adaptando. Conhece o homem do quadro e apaixona-se por ele. Quando ele morre num acidente, Margarida regressa ao presente."

Um livro aparentemente estranho, que se vai entranhando aos poucos, misturando fantasia (loucura?) com realidade de uma forma muito hábil.

Se no início me fez alguma confusão as Margaridas, Marianas, Madalenas, Miguéis e Pedros, nunca deixei de me sentir presa pela história, mas acima de tudo pela escrita criativa e despretensiosa da autora.

Senti-me também eu a viajar no tempo e no espaço, até à Vila Real rural do século passado, que também faz parte das minhas origens e onde, ainda hoje, tenho familiares. E mesmo quando voltamos a Lisboa, ainda sentimos que aquela Margarida leva sempre consigo o que viveu lá, em Trás-os-Montes.

Foi o primeiro livro de Rosa Lobato de Faria que li. Já tinha ouvido maravilhas da sua escrita, mas ainda assim fui surpreendida pela frescura, criatividade, fluidez e riqueza dos universos por ela criados.

Mais uma excelente descoberta e autora que pretendo repetir brevemente.

"É o vento que perpassa nas copas das laranjeiras, que vem do mar e traz as gaivotas. É o vento que faz oscilar as minhas cortinas, que se insinua como um segredo por entre os arbustos do jardim. É o vento que me conta histórias antigas, antigas, como se fosse uma criança que não quisesse dormir. Não o ouves? Não. É o vento que sopra só para mim. É o vento manso, doce, da loucura, que me invade lentamente e me deixa à mercê dos seus dedos de nuvem, tão suaves e tão meigos." p. 199

Silver Bay - A Baía do Desejo, Jojo Moyes

15 abril 2009

Editora: Porto Editora
Páginas: 416
Categoria: Romance

"Mike Dormer chega a Silver Bay, uma pacata vila costeira da Austrália, com um único e secreto intuito que abalará por completo a vida dos seus habitantes. Mas Silver Bay reserva-lhe um destino diferente. Liza McCullen e a sua filha Hannah, de dez anos, residem no familiar Hotel Silver Bay - tão excêntrico como a sua proprietária Kathleen - onde Mike se hospeda. As suas personalidades enigmáticas exercerão um fascínio inexplicável sobre o pragmático executivo londrino, que se deixará envolver irremediavelmente pelos membros da pequena comunidade de Silver Bay e pela magia que descobre no seu modo de vida. Em pouco tempo, Mike sentir-se-á divido entre a culpa e o desejo, a responsabilidade... e a paixão inesperada. Paralelamente, a vida de Liza sofrerá uma reviravolta inevitável. Prisioneiros de uma perigosa teia de segredos e mentiras, estarão eles preparados para enfrentar os acontecimentos que se avizinham?"

Parti para a leitura deste livro sem grandes expectativas: não conhecia a autora, mas a sinopse (e a capa, confesso), chamaram-me a atenção. No entanto, este livro revelou-se uma das melhores leituras dos últimos tempos: devorei as suas 416 páginas num instante, principalmente do meio para o fim, pois queria atar as pontas soltas e, apesar do fim ir sendo mais ou menos previsível, há sempre algumas surpresas (e mais não digo...)

Gostei da forma está escrito: em cada capítulo "vemos" as coisas sob a perspectiva de uma personagem diferente, geralmente alternando-se os capítulos entre as personagens principais. Assim, acompanhamos as diversas situações, passadas e presentes, através da visão de personagens de idades e vivências muito variadas e compreendemos melhor a sua evolução ao longo da história. Mas, mesmo assim, nem tudo se torna imediatamente claro e vão sendo deixadas algumas dicas e pontas soltas, que sugerem a existência de um mistério que envolve Hannah e Liza, o que me levou a criar diferentes cenários, enquanto ia avançando de capítulo em capítulo.

Gostei do facto das personagens não serem muito perfeitinhas e infalíveis, enriquecendo a história com os seus defeitos, erros e posteriores redenções (ou não). Adorei a relação ternurenta (e rabugenta) de Nino e Kathleen, a velha senhora dos tubarões, que me conseguiu arrancar sorrisos várias vezes. Gostei também da evolução e do gradual baixar de defesas e abertura de Mike e Liza, sempre com a "mãozinha" de Hannah, uma miúda muito perspicaz e inteligente.

Mais ainda, gostei da paisagem e do ambiente que rodeiam a história: o mar, a preocupação com a fauna marinha, golfinhos, baleias... Que boas seriam umas férias em Silver Bay, no hotel de Kathleen :)

Com uma escrita que mistura muito bem o romance com algum mistério, Jojo Moyes, fez-me rir e sorrir em várias passagens e ficar completamente envolvida na acção noutras, alheando-me do mundo e deixando-me envolver pelo universo e personagens por ela criados.

Eis uma autora que gostei muito de descobrir e espero que continue a ser editada por cá.

"Se olharmos para o mar tempo suficiente, para os seus estados de espírito e furores, para as suas belezas e os seus terrores, teremos todas as histórias que quisermos - de amor, de perigo, e sobre aquilo que a vida deixa nas nossas redes. E percebemos que, às vezes, não é a nossa mão que controla o leme e não podemos fazer nada se não acreditarmos que tudo acabará por correr bem." p. 413

Jane - Emily, Patricia Clapp

11 abril 2009

Editora: Bico de Pena
Páginas: 122
Categoria: Terror

"Emily era uma criança mimada, teimosa e egoísta que morreu pouco antes de fazer treze anos. Mas isso foi há muito tempo… Jane é uma órfã de nove anos que vai passar o Verão a casa da avó, uma misteriosa mansão no Massachusetts. Jane é introvertida triste, e, pouco dada a brincadeiras de criança. Um dia, ao olhar para uma bola espelhada que enfeita o jardim, vê reflectido um rosto que não é o seu…
A partir de então, Jane passa cada vez mais tempo com uma amiga imaginária que mais ninguém consegue ver, mas cuja presença se faz sentir subtil e misteriosamente. Há muitos anos atrás, uma criança malévola e cheia de raiva viveu nesta casa – e, na verdade, nunca a abandonou. E agora, Emily quer que Jane lhe faça companhia… para sempre.

Jane Emily é um clássico da literatura de terror que já arrepiou gerações de leitores. Com uma densidade psicológica brilhante e uma aterradora atenção ao pormenor, esta é uma história que os leitores dificilmente esquecerão."

Por muito estranho que possa parecer, quando se trata de um livro considerado de terror e que terá "arrepiado gerações de leitores", achei este livro de leitura muito agradável.

Não achei nada assustador, apesar de realmente a escrita ser muito boa e se sentir sempre a presença sombria de Emily ao longo da história.

Na minha opinião, seria uma história que daria para muito mais páginas e aí sim, poderia atingir uma densidade e intensidade muito maior, sentindo-se mais a sua vertente "arrepiável".

Gostei da escrita, gostei as personagens (a Jane é adorável) e vou ficar atenta a mais obras desta autora. Só tive mesmo pena da intensidade dos momentos mais sombrios do livro ter ficado um bocadinho aquém das minhas expectativas.

BiblioImagem IV

07 abril 2009

Troca de Identidades, famílias Van Ryn e Cerak com Mark Tabb

03 abril 2009

Editora: Quinta Essência
Páginas: 230
Categoria:
Memórias

"Duas famílias, uma única sobrevivente, o fim e o renascer da esperança.

Laura Van Ryn e Whitney Cerak, duas jovens universitárias, foram vítimas de um trágico acidente de viação. Uma foi sepultada sob o nome errado, a outra ficou em estado de coma e a ser tratada por uma família que não era a sua. Troca de Identidades é uma história sem precedentes de duas famílias traumatizadas , que, ao descreverem a bizarra provação a que foram sujeitas, descobrem o laço que as une enquanto enfrentam a reviravolta de uma vida perdida e de uma vida redescoberta. Enquanto as famílias tentam lidar da melhor forma com a chocante revelação, Whitney Cerak, a única sobrevivente, luta por um novo começo. Troca de Identidades tece uma envolvente narrativa de perda, esperança, fé e amor perante uma das mais estranhas ironias do destino que se possa imaginar e celebra as dádivas e os mistérios insondáveis da vida."

Soube pela primeira vez desta história por acaso, enquanto estava a fazer "zapping" e parei no programa da Oprah Winfrey. Fiquei agarrada e comovida pelo relato daquelas duas famílias que tiveram de enfrentar uma tragédia familiar, mas com a mesma admirável fé.

Ao ler este livro ainda mais impressionada fiquei com a fé e a união destas duas famílias, primeiro individualmente, a tentarem lidar, os Van Ryn, com a dolorosa e lenta recuperação de "Laura", e os Cerak, com a perda de Whitney de forma tão trágica, e depois juntos na alegria de uns que era a tristeza de outros, mas que resultou numa fé reforçada.

Há muitas passagens comoventes e acompanhamos a dor interior e exterior e os "diálogos" com Deus destes pais e irmãs, irmãos, namorados e amigos. Mas não é um livro que nos faz chorar de fio a pavio, antes pelo contrário, leva-nos a ter esperança e a aspirar ter tamanha clareza de espírito e fé em tantas outras situações tão "menores" da nossa vida.

Achei comovente como as duas famílias reagiram e assimilaram a realidade dos factos finais. Achei admirável o comportamento da irmã de Laura Van Ryn, Lisa. Comoventes também as cartas de Aryn à sua quase noiva Laura. Comovente o reencontro de Whitney com Hunter (o pormenor de chamar Hunter a Aryn é tocante, o amor assume tantas formas... quem ler perceberá porquê).

É uma história trágica, real, mas acima de tudo de perdão, fé, aceitação, união e muito, muito amor e esperança.

Gostei particularmente do último capítulo em que é a própria Whitney que se dirige ao leitor com uma clareza de espírito duramente conquistada e que deixa transparecer a luta que teve e terá de enfrentar para lidar com as sequelas físicas e emocionais de ter sobrevivido ao acidente e da consequente troca de identidades.


"...leu-me uma passagem do Antigo Testamento, Primeiro Livro dos Reis. (...) Elias vai para o deserto para falar com Deus. Está à Sua espera quando ouve uma tempestade de vento gigantesca que é tão forte que arranca os rochedos. Mas Deus não está na tempestade de vento. Depois há um terramoto, mas Deus não está no terramoto. A seguir, há um incêndio, mas Deus não está no incêndio. Por fim, ouve um suave murmúrio e percebe que é Deus. (...) Percebi que em vez de pensar que a minha vida tinha de ser uma enorme tempestade de vento ou um terramoto, para Deus, talvez tivesse apenas de O deixar murmurar suavemente na minha vida. Essa passagem fez-me perceber que não tenho de realizar nada de gigantesco. (...) Demorou algum tempo, mas finalmente percebi que o propósito de Deus para mim é deixá-Lo fazer o que quiser da minha vida, modesto ou grandioso."
O blog de que fala o livro, dedicado pela família a Laura Van Ryn, pelo que percebi foi encerrado...

Espero Por Ti Este Inverno, Luanne Rice

31 março 2009

Editora: Quinta Essência
Páginas: 354
Categoria: Romance

"Neve Halloran e a filha partilham o amor pela beleza austera de Rhode Island desde que Neve ajudou Mickey a dar os primeiros passos na costa arenosa. Agora, com Mickey já na adolescência e tendo Neve perdido a esperança de ser feliz com o ex-marido, ambas vão lutar por uma nova vida no meio da paisagem ventosa que as sustém. Apaixonada pela reserva natural da zona, Mickey avança em direcção à vida adulta na companhia de um rapaz solitário que partilha o seu amor pelos animais. E Neve irá sentir-se atraída por um homem que dedicou a vida a essa reserva, mas que é incapaz de partilhar a dor de uma perda recente. Lírico, luminoso, absolutamente cativante, Espero por ti este Inverno é um livro marcante que explora de forma comovente os laços que nos moldam e, simultaneamente, nos libertam."

Apesar de ter me ter deixado envolver mais pelo livro anterior desta autora, este livro foi uma excelente leitura, não só pela história em si, mas pela forma como esta autora consegue descrever tristezas e alegrias, mágoas antigas e recentes, problemas relacionais entre gerações e perdas irreparáveis, sem perder de vista a redenção e a esperança, de uma forma que nos envolve, que não é "lamechas" demais e que nos faz sorrir, enquanto vamos acompanhando a vida e o crescimento (mais interior do que exterior) de personagens que, de tão reais, nos deixam saudades quando fechamos o livro.

Cada vez mais Luanne Rice cimenta o seu lugar cimeiro no meu top de autoras de literatura romântica, com a sua escrita realista e ao mesmo tempo sensível.

Se Me Pudesses Ver Agora, Cecelia Ahern

25 março 2009

Editora: Presença
Páginas: 292

Categoria: Romance


"Depois de P.S. Eu Amo-te, o romance de estreia, traduzido em mais de 40 países e de Para Sempre, Talvez, a filha do primeiro ministro irlandês apresenta-nos um narrador, Ivan, que é um ser imaginário, com a função de acompanhar uma criança que precise de um amigo. Essa criança é Luke, um menino de seis anos que vive com a tia, Elizabeth, de trinta e quatro anos, fria, metódica, obsessivamente trabalhadora que inicialmente não aceita a nova relação do sobrinho com um amigo que ela não consegue ver. Só depois de fazer uma pesquisa na Internet, Elizabeth se sente mais aliviada por saber que os amigos imaginários não são um sinal de solidão mas de criatividade infantil. Um romance divertido, com humor que apela para um imaginário característico dos adolescentes que muitos adultos já perderam mas que deveriam recuperar em nome de um encontro consigo próprios."

É um livro terno, em que vamos acompanhando a abertura de Elizabeth ao mundo dos sentimentos e dos sonhos, aprendendo a ver a vida com outros olhos e outras cores, através da intervenção do amigo imaginário, Ivan, do seu sobrinho de seis anos, Luke.

Fez-me rir, sorrir, mas acima de tudo reflectir que realmente ao longo da vida e à medida que os momentos menos bons se vão sucedendo, temos tendência a deixar para trás o nosso lado inocente, crente e infantil, que afinal tanta falta nos faz para darmos a devida atenção aos "pequenos detalhes" que tornam a vida muito mais bela.

Duas passagens que me tocaram mais
:
"A vida é assim uma espécie de pintura. Uma pintura abstracta muito bizarra. Podemos olhar para ela e pensar que tudo aquilo não passa de um borrão, e continuarmos a viver a nossa vida pensando que tudo o que existe à nossa volta é um borrão. Mas se olharmos bem para ela, se a observarmos com atenção, a vida pode tornar-se muito mais do que isso. Ela pode ser uma pintura do mar, do céu, das pessoas, dos edificios, de uma borboleta pousada numa flor ou de qualquer outra coisa, excepto do borrão que antes vocês se convenceram que era."

"Não importa onde estamos neste mundo, porque o que interessa é onde estamos aqui - tocou ao de leve na cabeça. - O importante é o outro mundo que habito. O mundo dos sonhos, da esperança, da imaginação e das recordações. Aí eu sou feliz (...) por isso também sou feliz neste sítio. (...) Fechou os olhos e deixou que o vento lhe secasse as lágrimas."

Dia Mundial da Poesia

21 março 2009

O poema

O poema me levará no tempo
Quando eu já não for eu
E passarei sozinha
Entre as mãos de quem lê

O poema alguém o dirá
Às searas

Sua passagem se confundirá
Como rumor do mar com o passar do vento

O poema habitará
O espaço mais concreto e mais atento

No ar claro nas tardes transparentes
Suas sílabas redondas

(Ó antigas ó longas
Eternas tardes lisas)

Mesmo que eu morra o poema encontrará
Uma praia onde quebrar as suas ondas

E entre quatro paredes densas
De funda e devorada solidão
Alguém seu próprio ser confundirá
Com o poema no tempo

Sophia de Mello Breyner Andresen, Livro Sexto (1962)

O Leitor, Bernhard Schlink

19 março 2009

Editora: Asa
Páginas: 144

Categoria: Romance


"Michael Berg, um adolescente nos anos 60, é iniciado no amor por Hanna Schmitz, uma mulher madura, bela, sensual e autoritária. Ele tem 15 anos, ela 36. Os seus encontros decorrem como um ritual: primeiro banham-se, depois ele lê, ela escuta, e finalmente fazem amor. Este período de felicidade incerta tem um fim abrupto quando Hanna desaparece de repente da vida de Michael. Michael só a encontrará muitos anos mais tarde, envolvida num processo de acusação a ex-guardas dos campos de concentração nazis. Inicia-se então uma reflexão metódica e dolorosa sobre a legitimidade de uma geração, a braços com a vergonha, julgar a geração anterior, responsável por vários crimes.
Perturbadora meditação sobre os destinos da Alemanha, O Leitor, é desde O Perfume, o romance alemão mais aplaudido nacional e internacionalmente. Já traduzido em 39 línguas, a obra está a ser adaptada ao cinema. Para além disso, este romance foi galardoado em 1997 com os prémios Grinzane Cavour, Hans Fallada e Laure Bataillon. Em 1999 venceu o Prémio de Literatura do Die Welt."

Uma história que começa bonita, mas sempre ensombrada por duas palavras que são recorrentes ao longo do livro: culpa e embotamento. E estas aplicam-se à geração do 3º Reich e pós-3º Reich, simbolizadas na relação das duas personagens centrais, Michael e Hannah, uma relação ao mesmo tempo terna, mas carregada de culpa, de frieza e do tal embotamento, do saber que algo está lá, que algo está errado, mas não se saber se se quer tomar "oficialmente" consciência disso. E mesmo perante a dita "verdade", nem tudo é preto ou branco...

Um livro belo e perturbador que convida à reflexão sobre a sociedade alemã da época, através da história de uma paixão improvável, que vai intercalando entre a inocência e a vergonha, de parte a parte.

"Durante muito tempo, pensei que era uma história muito triste. Não que agora pense que seja alegre. Mas penso que é verdadeira; por isso, a questão de saber se é triste ou alegre não tem nenhuma importância."

Eu diria mais, é um belíssimo livro sem que tenha uma história feliz.
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