Uma Vida Quase Perfeita, Karen Kingsbury

01 maio 2009

Editora: O Quinto Selo
Páginas: 255
Categoria: Romance

"Jack e Molly Campbell têm uma vida feliz com o filho adoptado de 4 anos, Joey. Até que um dia a assistente social informa-os de que o pai biológico de Joey saiu da prisão e quer ter uma nova vida com o filho que não sabia ter...
Um drama familiar intenso e actual, que incide sobre a oposição que pode surgir entre a justiça e os verdadeiros interesses de uma criança, levando-nos a ponderar tomar decisões nunca antes pensadas."

Descobri esta autora há bastante tempo, em conversa com uma amiga e quando li "Mil Amanhãs", senti-me profundamente emocionada com a história e encantada com a escrita. Foi um dos livros que mais me marcou em 2008 (obrigada, K.) e hei-de adquiri-lo para a minha biblioteca pessoal.

Quanto a este "Uma Vida Quase Perfeita", de novo uma escrita excelente, carregada de sentimento e emoção que nos põe em completa sintonia com as personagens principais e nos faz viver intensamente os dilemas morais que vão enfrentando.

No final, fiquei na dúvida se se trataria de uma belíssima história de amor ou de fé... Acho que estas duas coisas se conjugam na perfeição ao longo da história, enquanto somos encantados pela candura com que uma criança descobre Deus e sofremos a par com aquelas mães e pai, seguindo por caminhos mais ou menos tortuosos e cheios de dor de parte a parte, até descobrirem o bem maior, a esperança e, essencialmente, a paz de espírito.

Fiquei agora curiosíssima com a adaptação cinematográfica, que pelo que vi, até já foi premiada em festivais de cinema.

As Coisas Que Nunca Dissemos, Marc Levy

Editora: Pergaminho
Páginas: 276
Categoria: Romance

"Julia Walsh sempre teve uma relação difícil com o pai. Quase nunca se viam, mal se falavam e, das raras vezes em que estavam em contacto, acabavam sempre a discutir. Três dias antes do seu casamento, Julia recebe um telefonema da secretária do pai. Tal como ela esperava, Anthony Walsh não vai poder comparecer ao seu casamento. Contudo, tem uma justificação inabalável: está morto. Julia não consegue deixar de ver o lado tragicómico da situação. De um momento para o outro, passa da preparação de um casamento para a preparação de um funeral. Até depois de morto, Anthony Walsh parece ter o dom de transtornar a vida da filha. Mas, a seguir ao funeral, Julia descobre que o pai tinha mais uma surpresa reservada: a maior aventura da sua vida e, finalmente, uma oportunidade de dizer tudo aquilo que sempre calou… No seu comovente e divertido novo romance, Marc Levy cria um mundo de intriga e suspense, através de uma história sobre a força do amor."

Há muito tempo que tinha vontade de ler algo deste autor e como a sinopse deste livro me pareceu interessante e se proporcionou um empréstimo, não quis perder a oportunidade de experimentar.

No entanto, apesar da premissa da história ser muito boa (e sobre isso não me posso alongar muito para não estragar a leitura a ninguém - a sinopse diz o necessário), a escrita não me conseguiu cativar e confesso que apenas a curiosidade de ver confirmadas ou não as minhas suspeitas me levou a insistir até ao final, passando, no entanto, por fases de leitura "na diagonal".

Talvez tenha pegado neste livro numa má "conjuntura literária" pessoal (ou numa fase mais selectiva - o que lhe quiserem chamar), não sei...
Eventualmente, hei-de dar uma nova oportunidade a outro livro do autor, mas, de facto, ainda não foi desta que me consquistou.

Primeira a Morrer, James Patterson

29 abril 2009

Editora: Quinta Essência
Páginas: 362
Categoria: Policial

O CLUBE DAS INVESTIGADORAS - LIVRO 1

"Um homem persegue e assassina casais em lua-de-mel. Alguém será capaz de o deter? Lindsay Boxer, detective da Brigada de Homicídios da cidade de São Francisco, acaba de receber más notícias: sofre de uma doença rara que pode ser fatal. Decidida a ultrapassar mais este problema, atira-se de corpo e alma ao caso que tem em mãos: o do assassino em série apostado em perseguir e assassinar recém-casados, a quem chamam o «Assassino dos Noivos». Habituada a enfrentar o mundo sozinha, desta vez Lindsay decide escutar a voz do coração: apaixona-se pelo novo parceiro, Chris Raleigh, e recorre à ajuda das amigas para formar uma aliança improvável – O Clube das Investigadoras. Juntando as poucas pistas disponíveis, as amigas identificam o assassino mais aterrador que alguma vez haviam visto, até que uma cruel reviravolta revela que o caso tem contornos mais complexos e que elas estavam, afinal, enganadas… Ou será que não?"

Comprei este livro nas recentes promoções da FNAC e assim que me chegou a casa, não resisti a matar saudades de um policial.

Parti para esta leitura com as expectativas elevadas, pois já ouvira dizer maravilhas dos policiais/thrillers de James Patterson e nunca tinha lido nenhum. Deste autor lera apenas duas obras mais românticas, "Abre o Teu Coração" e "Diário de Uma Mãe", ambos também excelentes. E, pelos vistos, a vertente policial deste autor não lhes fica nada atrás.

Devorei este livro e aproveitava cada minutinho para ler só mais um "bocadinho". Os capítulos curtos proporcionam-se a isso mesmo... a irmos lendo "aparentemente" aos bocadinhos, mas quando damos por ela já devorámos uma data de páginas e temos vontade de mais ainda...

Acho que o facto de não acompanhar a série de TV, fez com que entrasse neste livro de espírito aberto e saboreei mesmo a descoberta das personagens e cada momento de tensão e investigação.

As reviravoltas finais, essas foram mesmo surpreendentes: quando pensava que o livro se encaminhava para o final em que todas as peças finalmente encaixavam, havia uma peça fora de sítio e o ritmo e a tensão voltam a acelerar até ao desenlace final... ou nem por isso ;)

Com um murrito no estômago pelo meio, uma lagrimita aqui e acolá, este livro deixou-me com vontade de maisssssss... Espero que o segundo livro saia por cá em breve e, enquanto isso, vou tentar engrossar a estante com outros livrinhos do autor.

Querido Ollie, Stephen Foster

25 abril 2009

Editora: Caderno
Páginas: 128
Categoria: Memórias


"Um cão difícil. Um dono persistente. Uma história de amor.Stephen Foster gosta de estar em casa e tem hábitos e rituais de que não abdica. Ou melhor, de que não quer abdicar… Porque a partir do momento em que recolhe Ollie num canil, a sua vida muda para sempre. O pequeno lurcher que agora deambula pelos corredores não corresponde a nenhum padrão conhecido. Aos poucos Stephen começa a perceber que Ollie, tal como qualquer ser humano, é único e incomparável. E, à semelhança de qualquer ser humano, tem de ser conquistado… A luta do autor para ganhar o amor e o respeito de Ollie, e torná-lo um verdadeiro animal doméstico, a par com as novas rotinas a que de repente se vê obrigado, é um divertido e comovente tributo a todos aqueles que amam os seus animais."

Depois de um livro sobre donos e cão e consequentes atribulações como "Marley e Eu", cuja leitura tanto me levava à gargalhada como às lágrimas, era quase inevitável que este livrinho me soubesse a pouco, muito pouco...

É uma leitura agradável para quem gosta de cães, com alguns momentos divertidos, sim, mas acho que a sua mais-valia são as mensagens que transmite, principalmente a nível da adopção animal (consciente e responsável) e ao facto de cada cão ser realmente único, com as suas próprias "taras e manias"... enfim, com a sua personalidade.

Acima de tudo, por muito atribulada que possa ser a coexistência ente cão e dono, acaba sempre por se tornar uma história de dedicação e amor.

A Casa de Papel, Carlos María Domínguez

23 abril 2009

Editora: Edições Asa
Páginas: 78
Categoria: Romance

"Os livros mudam o destino das pessoas: Demian, de Hermann Hesse, apresentou o hinduísmo a milhares de jovens; Hemingway incutiu em muitos o seu famoso espírito aventureiro; os intrépidos mosqueteiros de Dumas abalaram as vidas emocionais de um sem-número de leitores; muitos outros foram arrancados às malhas do suicídio por um vulgar livro de cozinha. Bluma Lennon foi uma das vítimas da Literatura. Na Primavera de 1998, Bluma, uma lindíssima professora de Cambridge, acaba de comprar um livro de poemas de Emily Dickinson quando é atropelada. Após a sua morte, um colega e ex-amante recebe um exemplar de A Linha da Sombra, de Joseph Conrad, em que Bluma escrevera uma misteriosa dedicatória e que lhe era agora devolvido. Intrigado, parte numa busca que o leva a Buenos Aires com o objectivo de procurar pistas sobre a identidade e o destino de um obscuro mas dedicado bibliófilo e a sua intrigante ligação com Bluma. A Casa de Papel é um romance excepcional sobre o amor desmesurado pelas bibliotecas e pela literatura. Uma envolvente intriga policial e metafísica que envolve o leitor numa viagem de descoberta e deslumbramento perante os estranhos vínculos entre a realidade e a ficção."

Um romace escrito quase de forma poética, que se torna um hino ao amor pela leitura e pelos livros.

Este é daqueles que apetece guardar para mais tarde reler. É caso para dizer, pequenino, mas precioso.

"Ao longo dos anos vi livros destinados a equilibrar a perna coxa de uma mesa; conheci-os convertidos em mesas de luz, dispostos em forma de torre e com um pano por cima; muitos dicionários passaram a ferro e prensaram mais objectos do que as vezes em que foram abertos, e não poucos livros guardam, dissimulados nas estantes, cartas, dinheiro, segredos. As pessoas também mudam o destino dos livros." p. 59

As Esquinas do Tempo, Rosa Lobato de Faria

18 abril 2009

Editora: Porto Editora
Páginas: 208
Categoria: Romance

"Quando Margarida chegou à Casa da Azenha teve aquela sensação, não desconhecida mas sempre inquietante, de já ter estado ali."

"Margarida é uma jovem professora de Matemática. Um dia vai a Vila Real proferir uma palestra e fica hospedada num turismo de habitação, casa antiga muitíssimo bem conservada e onde, no seu quarto, está dependurado o retrato a óleo de um homem que se parece muito com Miguel, a sua recente paixão.Por um inexplicável mistério, na manhã seguinte Margarida acorda cem anos atrás, no seio da sua antiga família.Sem perder consciência de quem é, ela odeia esta partida do tempo. Mas aos poucos vai-se adaptando. Conhece o homem do quadro e apaixona-se por ele. Quando ele morre num acidente, Margarida regressa ao presente."

Um livro aparentemente estranho, que se vai entranhando aos poucos, misturando fantasia (loucura?) com realidade de uma forma muito hábil.

Se no início me fez alguma confusão as Margaridas, Marianas, Madalenas, Miguéis e Pedros, nunca deixei de me sentir presa pela história, mas acima de tudo pela escrita criativa e despretensiosa da autora.

Senti-me também eu a viajar no tempo e no espaço, até à Vila Real rural do século passado, que também faz parte das minhas origens e onde, ainda hoje, tenho familiares. E mesmo quando voltamos a Lisboa, ainda sentimos que aquela Margarida leva sempre consigo o que viveu lá, em Trás-os-Montes.

Foi o primeiro livro de Rosa Lobato de Faria que li. Já tinha ouvido maravilhas da sua escrita, mas ainda assim fui surpreendida pela frescura, criatividade, fluidez e riqueza dos universos por ela criados.

Mais uma excelente descoberta e autora que pretendo repetir brevemente.

"É o vento que perpassa nas copas das laranjeiras, que vem do mar e traz as gaivotas. É o vento que faz oscilar as minhas cortinas, que se insinua como um segredo por entre os arbustos do jardim. É o vento que me conta histórias antigas, antigas, como se fosse uma criança que não quisesse dormir. Não o ouves? Não. É o vento que sopra só para mim. É o vento manso, doce, da loucura, que me invade lentamente e me deixa à mercê dos seus dedos de nuvem, tão suaves e tão meigos." p. 199

Silver Bay - A Baía do Desejo, Jojo Moyes

15 abril 2009

Editora: Porto Editora
Páginas: 416
Categoria: Romance

"Mike Dormer chega a Silver Bay, uma pacata vila costeira da Austrália, com um único e secreto intuito que abalará por completo a vida dos seus habitantes. Mas Silver Bay reserva-lhe um destino diferente. Liza McCullen e a sua filha Hannah, de dez anos, residem no familiar Hotel Silver Bay - tão excêntrico como a sua proprietária Kathleen - onde Mike se hospeda. As suas personalidades enigmáticas exercerão um fascínio inexplicável sobre o pragmático executivo londrino, que se deixará envolver irremediavelmente pelos membros da pequena comunidade de Silver Bay e pela magia que descobre no seu modo de vida. Em pouco tempo, Mike sentir-se-á divido entre a culpa e o desejo, a responsabilidade... e a paixão inesperada. Paralelamente, a vida de Liza sofrerá uma reviravolta inevitável. Prisioneiros de uma perigosa teia de segredos e mentiras, estarão eles preparados para enfrentar os acontecimentos que se avizinham?"

Parti para a leitura deste livro sem grandes expectativas: não conhecia a autora, mas a sinopse (e a capa, confesso), chamaram-me a atenção. No entanto, este livro revelou-se uma das melhores leituras dos últimos tempos: devorei as suas 416 páginas num instante, principalmente do meio para o fim, pois queria atar as pontas soltas e, apesar do fim ir sendo mais ou menos previsível, há sempre algumas surpresas (e mais não digo...)

Gostei da forma está escrito: em cada capítulo "vemos" as coisas sob a perspectiva de uma personagem diferente, geralmente alternando-se os capítulos entre as personagens principais. Assim, acompanhamos as diversas situações, passadas e presentes, através da visão de personagens de idades e vivências muito variadas e compreendemos melhor a sua evolução ao longo da história. Mas, mesmo assim, nem tudo se torna imediatamente claro e vão sendo deixadas algumas dicas e pontas soltas, que sugerem a existência de um mistério que envolve Hannah e Liza, o que me levou a criar diferentes cenários, enquanto ia avançando de capítulo em capítulo.

Gostei do facto das personagens não serem muito perfeitinhas e infalíveis, enriquecendo a história com os seus defeitos, erros e posteriores redenções (ou não). Adorei a relação ternurenta (e rabugenta) de Nino e Kathleen, a velha senhora dos tubarões, que me conseguiu arrancar sorrisos várias vezes. Gostei também da evolução e do gradual baixar de defesas e abertura de Mike e Liza, sempre com a "mãozinha" de Hannah, uma miúda muito perspicaz e inteligente.

Mais ainda, gostei da paisagem e do ambiente que rodeiam a história: o mar, a preocupação com a fauna marinha, golfinhos, baleias... Que boas seriam umas férias em Silver Bay, no hotel de Kathleen :)

Com uma escrita que mistura muito bem o romance com algum mistério, Jojo Moyes, fez-me rir e sorrir em várias passagens e ficar completamente envolvida na acção noutras, alheando-me do mundo e deixando-me envolver pelo universo e personagens por ela criados.

Eis uma autora que gostei muito de descobrir e espero que continue a ser editada por cá.

"Se olharmos para o mar tempo suficiente, para os seus estados de espírito e furores, para as suas belezas e os seus terrores, teremos todas as histórias que quisermos - de amor, de perigo, e sobre aquilo que a vida deixa nas nossas redes. E percebemos que, às vezes, não é a nossa mão que controla o leme e não podemos fazer nada se não acreditarmos que tudo acabará por correr bem." p. 413

Jane - Emily, Patricia Clapp

11 abril 2009

Editora: Bico de Pena
Páginas: 122
Categoria: Terror

"Emily era uma criança mimada, teimosa e egoísta que morreu pouco antes de fazer treze anos. Mas isso foi há muito tempo… Jane é uma órfã de nove anos que vai passar o Verão a casa da avó, uma misteriosa mansão no Massachusetts. Jane é introvertida triste, e, pouco dada a brincadeiras de criança. Um dia, ao olhar para uma bola espelhada que enfeita o jardim, vê reflectido um rosto que não é o seu…
A partir de então, Jane passa cada vez mais tempo com uma amiga imaginária que mais ninguém consegue ver, mas cuja presença se faz sentir subtil e misteriosamente. Há muitos anos atrás, uma criança malévola e cheia de raiva viveu nesta casa – e, na verdade, nunca a abandonou. E agora, Emily quer que Jane lhe faça companhia… para sempre.

Jane Emily é um clássico da literatura de terror que já arrepiou gerações de leitores. Com uma densidade psicológica brilhante e uma aterradora atenção ao pormenor, esta é uma história que os leitores dificilmente esquecerão."

Por muito estranho que possa parecer, quando se trata de um livro considerado de terror e que terá "arrepiado gerações de leitores", achei este livro de leitura muito agradável.

Não achei nada assustador, apesar de realmente a escrita ser muito boa e se sentir sempre a presença sombria de Emily ao longo da história.

Na minha opinião, seria uma história que daria para muito mais páginas e aí sim, poderia atingir uma densidade e intensidade muito maior, sentindo-se mais a sua vertente "arrepiável".

Gostei da escrita, gostei as personagens (a Jane é adorável) e vou ficar atenta a mais obras desta autora. Só tive mesmo pena da intensidade dos momentos mais sombrios do livro ter ficado um bocadinho aquém das minhas expectativas.

BiblioImagem IV

07 abril 2009

Troca de Identidades, famílias Van Ryn e Cerak com Mark Tabb

03 abril 2009

Editora: Quinta Essência
Páginas: 230
Categoria:
Memórias

"Duas famílias, uma única sobrevivente, o fim e o renascer da esperança.

Laura Van Ryn e Whitney Cerak, duas jovens universitárias, foram vítimas de um trágico acidente de viação. Uma foi sepultada sob o nome errado, a outra ficou em estado de coma e a ser tratada por uma família que não era a sua. Troca de Identidades é uma história sem precedentes de duas famílias traumatizadas , que, ao descreverem a bizarra provação a que foram sujeitas, descobrem o laço que as une enquanto enfrentam a reviravolta de uma vida perdida e de uma vida redescoberta. Enquanto as famílias tentam lidar da melhor forma com a chocante revelação, Whitney Cerak, a única sobrevivente, luta por um novo começo. Troca de Identidades tece uma envolvente narrativa de perda, esperança, fé e amor perante uma das mais estranhas ironias do destino que se possa imaginar e celebra as dádivas e os mistérios insondáveis da vida."

Soube pela primeira vez desta história por acaso, enquanto estava a fazer "zapping" e parei no programa da Oprah Winfrey. Fiquei agarrada e comovida pelo relato daquelas duas famílias que tiveram de enfrentar uma tragédia familiar, mas com a mesma admirável fé.

Ao ler este livro ainda mais impressionada fiquei com a fé e a união destas duas famílias, primeiro individualmente, a tentarem lidar, os Van Ryn, com a dolorosa e lenta recuperação de "Laura", e os Cerak, com a perda de Whitney de forma tão trágica, e depois juntos na alegria de uns que era a tristeza de outros, mas que resultou numa fé reforçada.

Há muitas passagens comoventes e acompanhamos a dor interior e exterior e os "diálogos" com Deus destes pais e irmãs, irmãos, namorados e amigos. Mas não é um livro que nos faz chorar de fio a pavio, antes pelo contrário, leva-nos a ter esperança e a aspirar ter tamanha clareza de espírito e fé em tantas outras situações tão "menores" da nossa vida.

Achei comovente como as duas famílias reagiram e assimilaram a realidade dos factos finais. Achei admirável o comportamento da irmã de Laura Van Ryn, Lisa. Comoventes também as cartas de Aryn à sua quase noiva Laura. Comovente o reencontro de Whitney com Hunter (o pormenor de chamar Hunter a Aryn é tocante, o amor assume tantas formas... quem ler perceberá porquê).

É uma história trágica, real, mas acima de tudo de perdão, fé, aceitação, união e muito, muito amor e esperança.

Gostei particularmente do último capítulo em que é a própria Whitney que se dirige ao leitor com uma clareza de espírito duramente conquistada e que deixa transparecer a luta que teve e terá de enfrentar para lidar com as sequelas físicas e emocionais de ter sobrevivido ao acidente e da consequente troca de identidades.


"...leu-me uma passagem do Antigo Testamento, Primeiro Livro dos Reis. (...) Elias vai para o deserto para falar com Deus. Está à Sua espera quando ouve uma tempestade de vento gigantesca que é tão forte que arranca os rochedos. Mas Deus não está na tempestade de vento. Depois há um terramoto, mas Deus não está no terramoto. A seguir, há um incêndio, mas Deus não está no incêndio. Por fim, ouve um suave murmúrio e percebe que é Deus. (...) Percebi que em vez de pensar que a minha vida tinha de ser uma enorme tempestade de vento ou um terramoto, para Deus, talvez tivesse apenas de O deixar murmurar suavemente na minha vida. Essa passagem fez-me perceber que não tenho de realizar nada de gigantesco. (...) Demorou algum tempo, mas finalmente percebi que o propósito de Deus para mim é deixá-Lo fazer o que quiser da minha vida, modesto ou grandioso."
O blog de que fala o livro, dedicado pela família a Laura Van Ryn, pelo que percebi foi encerrado...
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