Escritos Secretos, Sebastian Barry

29 maio 2009

Editora: Bertrand
Páginas: 304
Categoria: Romance

"Roseanne McNulty tem perto de cem anos e é a doente mais antiga do hospital de saúde mental de Roscommon. O doutor Grene, o psiquiatra encarregado da avaliação dos pacientes, sente-se intrigado pela história daquela mulher, que passou os últimos sessenta anos da sua vida em instituições psiquiátricas. Enquanto o médico investiga, Roseanne faz uma retrospectiva das suas tragédias e paixões, que vai registando no seu diário secreto, desde a turbulenta infância até ao casamento que lhe prometia a felicidade. Quando o doutor Greene desvenda por fim as circunstâncias da sua chegada ao hospital, é conduzido até um segredo chocante.
Um livro primorosamente escrito, que narra uma história trágica, fruto da ignorância e mesquinhez, mas ainda assim fortemente marcada pelo amor, pela paixão e pela esperança."

Comprei este livro recentemente e não estava a contar pegar-lhe já, mas uma noite de insónia fora de casa e o facto de ser o livro mais próximo na altura, foram as circunstâncias perfeitas para mergulhar nas suas páginas.

Trata-se de uma história contada a duas vozes, ou, melhor, a duas mãos que vão anotando as suas reflexões e memórias (para o leitor, para Deus, para si mesmos?): Roseanne escreve sobre o seu passado, como que para deixar o seu legado, e o Dr. Grene escreve mais como terapia, talvez para lidar com as mudanças e decisões que se avizinham. E de permeio, vai surgindo a aproximação entre médico e a sua mais antiga paciente.

Não é, de todo, um livro ligeiro, antes pelo contrário. É uma história muito bem escrita que nos leva pelos caminhos tortuosos de uma época dura e impiedosa que marcaria para sempre a vida de Roseanne e que faria com que o novelo da sua história só muito tempo depois fosse desenrolado e os nós desenredados até ao desenlace final, que nos vai sendo revelado aos poucos, quase sem que nos apercebamos.

É uma história sofrida e dura, mas talvez por ser contada em jeito de reflexão, assume quase um estilo natural e inocente.

Concordo plenamente com o que é dito no Irish Times: "Belo e perturbador... A narrativa de Sebastian Barry tem um elemento poético: brilha com a luminosidade misteriosa de um conto de fadas deturpado."

Surpreendi-me com um livro em que peguei por acaso e foram umas excelentes horas de leitura, acompanhando estas duas personagens pelos caminhos mais ou menos tortuosos das suas mentes e da própria realidade.

Os fios da memória e da realidade vão-se cruzando de tal forma, que só no final conseguimos ver o quadro completo. E ao contrário do que esperava, fechei o livro com uma sensação de paz semelhante à que, imagino, as personagens terão sentido quando todas as peças se encaixaram...

Formação contínua

"Entre as inúmeras formas de aprender necessárias à formação de um tradutor, a leitura de boas traduções é uma das mais acessíveis e mais úteis."

Uma Casa Na Grécia, Rosie Thomas

23 maio 2009

Editora: Saída de Emergência
Páginas: 330
Categoria: Romance

excerto

"O destino faz de nós o que somos, mas também pode impedir-nos de ser a pessoa que podíamos ter sido.

Escapando à devastação de um terramoto, Cary chega à ilha grega de Halemni e dá de caras consigo própria. Ou antes Olivia, cuja semelhança é assustadora. Nesta nova vida Cary começa por encontrar a felicidade que nunca tivera. Não desde o dia em que a sua vida mudara. Agora libertara-se de tudo o que a relacionava com o passado. Estava tudo enterrado nas profundezas do terramoto. Ia começar de novo.
Olivia, por outro lado, era uma mulher acomodada. Depois de vários anos a viajar encontrara finalmente um lugar a que podia chamar "lar". A vida na ilha e a hospitalidade eram acolhedoras mas agora algo se tornara diferente. Seria pela chegada desta desconhecida? Havia alguma coisa estranha e desconfortável nesta mulher.
Quem é Cary? Qual o seu passado? Porque se sente Olivia tão desconfortável na sua companhia? Olivia tenta controlar-se, mas não consegue deixar de sentir que a sua vida está a ser roubada.
Uma luta entre duas mulheres por uma vida, e apenas uma pode vencer."

Peguei neste livro cheia de entusiasmo, pois tinha lido "Branco" e adorei. Na altura, fiquei até bastante entusiasmada com a descoberta de uma nova autora com uma escrita tão envolvente como me pareceu ser Rosie Thomas.

Comecei a ler e achei os primeiros capítulos completamente diferentes do que estava à espera e algo confusos. Inicialmente, pensei que o cansaço que se tem vindo a acumular nas últimas semanas fosse o motivo de não estar a conseguir entrar na história e me deixar envolver por ela e fui insistindo.

Mas já ia a meio do livro e continuava a achar o enredo confuso e, acima de tudo, extremamente lento. Confesso que me desiludi e hoje, após uma espreitadela ao final e a uns capítulos mais adiante, em busca de motivação para continuar, decidi desistir.

A capa é linda, a frase na capa, sugestiva, mas a sinopse promete mais do que a história consegue proporcionar, tornando-se um livro mais pesado e cansativo (exasperante até nalgumas partes) do que seria de esperar.

É provável que se tivesse pegado neste livro numa altura mais tranquila e de cabeça mais fresca, a minha opinião fosse mais positiva. Só li ainda "Branco" e este de Rosie Thomas, mas notei uma grande diferença entre os dois livros. Talvez por ter gostado tanto do primeiro, este me tenha desiludido mais. Espero em breve poder pegar num dos outros livros da autora que tenho na estante para "tirar teimas".

BiblioImagem VI

16 maio 2009


Um bom conselho ;)

BiblioImagem V

14 maio 2009

Eles vão-se acumulando e as leituras andam lentas...

Casamento em Veneza, Elizabeth Adler

07 maio 2009

Editora: Quinta Essência
Páginas: 322
Categoria: Romance


"Uma súplica leva-a a Veneza e muda a sua vida…Mas um homem pode acabar definitivamente com ela…
Apesar de viver na cidade mais romântica do mundo, Precious Rafferty nunca se apaixonou perdidamente. Até que conhece Bennett James. Estará na altura de se deixar, finalmente, arrebatar pelo romantismo e ter o casamento dos seus sonhos em Veneza? Do outro lado do mundo, em Xangai, Lily Song, prima de Precious, guarda um valioso e perigoso segredo de família. Quando Lily suplica a Preshy que se encontrem em Veneza e a alerta para os perigos que corre, a vida de ambas vai mudar para sempre. Entretanto, em Paris, Precious conhece o escritor Sam Knight, um homem cativante, mas desencantado com a vida. Precious sente Sam cada vez mais próximo de si e receia que ele esteja também enredado nesta emaranhada teia de perigo e desejo. Será que Sam também não é quem aparenta ser? Esconderá algum segredo terrível? Em Veneza, Precious terá de serpentear através de um labirinto de traição e sedução para descobrir a quem poderá confiar, de uma vez por todas, o seu coração... e a sua vida."


Devorei este livro numa noite, mas não por se tratar de uma daquelas histórias avassaladoras e marcantes que nos prendem passo a passo, enquanto folheamos freneticamente o livro para chegarmos ao final... A minha relutância em pousar este livro sem o terminar, deveu-se mais à escrita da autora do que à história em si.

Entre Paris, Veneza e Xangai, se conta uma história mais de supense e mistério do que propriamente romance (sim, a capa engana), mas onde também as esperanças e as desilusões de amor têm um papel preponderante.

Temos então uma história em torno de um colar valioso que une um conjunto de personagens muito distintas entre si, mas que o destino, ou a falta de escrúpulos e a imensa ambição, acabam por unir num jogo de enganos e aparências.

Gostei da história, mas gostei ainda mais da escrita. No entanto, achei que ficaram uma ou duas pontas soltas no final, principalmente em relação ao destino de uma das vilãs.

Adorei o toque de humor com que as tias Grizelda e Mimi iam pontuando a história, cada vez que surgiam. Sem dúvida que aquelas duas mereciam um livro em que fossem personagens principais... um livro de aventuras :D

Uma Vida Quase Perfeita, Karen Kingsbury

01 maio 2009

Editora: O Quinto Selo
Páginas: 255
Categoria: Romance

"Jack e Molly Campbell têm uma vida feliz com o filho adoptado de 4 anos, Joey. Até que um dia a assistente social informa-os de que o pai biológico de Joey saiu da prisão e quer ter uma nova vida com o filho que não sabia ter...
Um drama familiar intenso e actual, que incide sobre a oposição que pode surgir entre a justiça e os verdadeiros interesses de uma criança, levando-nos a ponderar tomar decisões nunca antes pensadas."

Descobri esta autora há bastante tempo, em conversa com uma amiga e quando li "Mil Amanhãs", senti-me profundamente emocionada com a história e encantada com a escrita. Foi um dos livros que mais me marcou em 2008 (obrigada, K.) e hei-de adquiri-lo para a minha biblioteca pessoal.

Quanto a este "Uma Vida Quase Perfeita", de novo uma escrita excelente, carregada de sentimento e emoção que nos põe em completa sintonia com as personagens principais e nos faz viver intensamente os dilemas morais que vão enfrentando.

No final, fiquei na dúvida se se trataria de uma belíssima história de amor ou de fé... Acho que estas duas coisas se conjugam na perfeição ao longo da história, enquanto somos encantados pela candura com que uma criança descobre Deus e sofremos a par com aquelas mães e pai, seguindo por caminhos mais ou menos tortuosos e cheios de dor de parte a parte, até descobrirem o bem maior, a esperança e, essencialmente, a paz de espírito.

Fiquei agora curiosíssima com a adaptação cinematográfica, que pelo que vi, até já foi premiada em festivais de cinema.

As Coisas Que Nunca Dissemos, Marc Levy

Editora: Pergaminho
Páginas: 276
Categoria: Romance

"Julia Walsh sempre teve uma relação difícil com o pai. Quase nunca se viam, mal se falavam e, das raras vezes em que estavam em contacto, acabavam sempre a discutir. Três dias antes do seu casamento, Julia recebe um telefonema da secretária do pai. Tal como ela esperava, Anthony Walsh não vai poder comparecer ao seu casamento. Contudo, tem uma justificação inabalável: está morto. Julia não consegue deixar de ver o lado tragicómico da situação. De um momento para o outro, passa da preparação de um casamento para a preparação de um funeral. Até depois de morto, Anthony Walsh parece ter o dom de transtornar a vida da filha. Mas, a seguir ao funeral, Julia descobre que o pai tinha mais uma surpresa reservada: a maior aventura da sua vida e, finalmente, uma oportunidade de dizer tudo aquilo que sempre calou… No seu comovente e divertido novo romance, Marc Levy cria um mundo de intriga e suspense, através de uma história sobre a força do amor."

Há muito tempo que tinha vontade de ler algo deste autor e como a sinopse deste livro me pareceu interessante e se proporcionou um empréstimo, não quis perder a oportunidade de experimentar.

No entanto, apesar da premissa da história ser muito boa (e sobre isso não me posso alongar muito para não estragar a leitura a ninguém - a sinopse diz o necessário), a escrita não me conseguiu cativar e confesso que apenas a curiosidade de ver confirmadas ou não as minhas suspeitas me levou a insistir até ao final, passando, no entanto, por fases de leitura "na diagonal".

Talvez tenha pegado neste livro numa má "conjuntura literária" pessoal (ou numa fase mais selectiva - o que lhe quiserem chamar), não sei...
Eventualmente, hei-de dar uma nova oportunidade a outro livro do autor, mas, de facto, ainda não foi desta que me consquistou.

Primeira a Morrer, James Patterson

29 abril 2009

Editora: Quinta Essência
Páginas: 362
Categoria: Policial

O CLUBE DAS INVESTIGADORAS - LIVRO 1

"Um homem persegue e assassina casais em lua-de-mel. Alguém será capaz de o deter? Lindsay Boxer, detective da Brigada de Homicídios da cidade de São Francisco, acaba de receber más notícias: sofre de uma doença rara que pode ser fatal. Decidida a ultrapassar mais este problema, atira-se de corpo e alma ao caso que tem em mãos: o do assassino em série apostado em perseguir e assassinar recém-casados, a quem chamam o «Assassino dos Noivos». Habituada a enfrentar o mundo sozinha, desta vez Lindsay decide escutar a voz do coração: apaixona-se pelo novo parceiro, Chris Raleigh, e recorre à ajuda das amigas para formar uma aliança improvável – O Clube das Investigadoras. Juntando as poucas pistas disponíveis, as amigas identificam o assassino mais aterrador que alguma vez haviam visto, até que uma cruel reviravolta revela que o caso tem contornos mais complexos e que elas estavam, afinal, enganadas… Ou será que não?"

Comprei este livro nas recentes promoções da FNAC e assim que me chegou a casa, não resisti a matar saudades de um policial.

Parti para esta leitura com as expectativas elevadas, pois já ouvira dizer maravilhas dos policiais/thrillers de James Patterson e nunca tinha lido nenhum. Deste autor lera apenas duas obras mais românticas, "Abre o Teu Coração" e "Diário de Uma Mãe", ambos também excelentes. E, pelos vistos, a vertente policial deste autor não lhes fica nada atrás.

Devorei este livro e aproveitava cada minutinho para ler só mais um "bocadinho". Os capítulos curtos proporcionam-se a isso mesmo... a irmos lendo "aparentemente" aos bocadinhos, mas quando damos por ela já devorámos uma data de páginas e temos vontade de mais ainda...

Acho que o facto de não acompanhar a série de TV, fez com que entrasse neste livro de espírito aberto e saboreei mesmo a descoberta das personagens e cada momento de tensão e investigação.

As reviravoltas finais, essas foram mesmo surpreendentes: quando pensava que o livro se encaminhava para o final em que todas as peças finalmente encaixavam, havia uma peça fora de sítio e o ritmo e a tensão voltam a acelerar até ao desenlace final... ou nem por isso ;)

Com um murrito no estômago pelo meio, uma lagrimita aqui e acolá, este livro deixou-me com vontade de maisssssss... Espero que o segundo livro saia por cá em breve e, enquanto isso, vou tentar engrossar a estante com outros livrinhos do autor.

Querido Ollie, Stephen Foster

25 abril 2009

Editora: Caderno
Páginas: 128
Categoria: Memórias


"Um cão difícil. Um dono persistente. Uma história de amor.Stephen Foster gosta de estar em casa e tem hábitos e rituais de que não abdica. Ou melhor, de que não quer abdicar… Porque a partir do momento em que recolhe Ollie num canil, a sua vida muda para sempre. O pequeno lurcher que agora deambula pelos corredores não corresponde a nenhum padrão conhecido. Aos poucos Stephen começa a perceber que Ollie, tal como qualquer ser humano, é único e incomparável. E, à semelhança de qualquer ser humano, tem de ser conquistado… A luta do autor para ganhar o amor e o respeito de Ollie, e torná-lo um verdadeiro animal doméstico, a par com as novas rotinas a que de repente se vê obrigado, é um divertido e comovente tributo a todos aqueles que amam os seus animais."

Depois de um livro sobre donos e cão e consequentes atribulações como "Marley e Eu", cuja leitura tanto me levava à gargalhada como às lágrimas, era quase inevitável que este livrinho me soubesse a pouco, muito pouco...

É uma leitura agradável para quem gosta de cães, com alguns momentos divertidos, sim, mas acho que a sua mais-valia são as mensagens que transmite, principalmente a nível da adopção animal (consciente e responsável) e ao facto de cada cão ser realmente único, com as suas próprias "taras e manias"... enfim, com a sua personalidade.

Acima de tudo, por muito atribulada que possa ser a coexistência ente cão e dono, acaba sempre por se tornar uma história de dedicação e amor.
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