Uma Villa em Itália, Elizabeth Edmondson

23 junho 2009

Editora: Edições Asa
Páginas: 400
Categoria: Romance


"Delia, filha de um lorde e cantora de ópera, não consegue esquecer o ex-namorado, agora casado com a sua irmã. George, um cientista nuclear de Cambridge, não consegue perdoar-se por ter participado no desenvolvimento da bomba atómica. Marjorie escreve policiais, ou melhor, escrevia, já que se debate há algum tempo com um bloqueio criativo. E Lucius, banqueiro de Boston, vive ainda assombrado pelas memórias da guerra

Quatro pessoas aparentemente sem nada em comum vêem o seu nome mencionado no testamento de uma mulher que não conhecem. Quem foi Beatrice Malaspina e porque exige que compareçam na sua villa em Itália? Enquanto esperam pelas respostas, a magia do lugar começa a exercer os seus efeitos sobre eles: os frescos desbotados, os jardins exuberantes e a magnífica torre medieval não se assemelham a nada que já tenham visto. Aos poucos, quatro pessoas que sempre fizeram os possíveis por esconder os seus problemas descobrem que a mudança - e até mesmo a esperança - é possível. Mas a misteriosa Beatrice tem um segredo que os afectará a todos…"

Ora cá está mais um livro que me agradou e surpreendeu. Confesso que quando este livro foi lançado no mercado, não lhe prestei grande atenção. Pensei que se trataria de mais um romance cor-de-rosa lamechas e não fiz questão de o comprar. Entretanto, em conversa, aconselharam-mo e emprestaram-mo. Peguei nele há uns 3 dias e ontem fiz “maratona” para o acabar.

É de facto, um livro perfeito para o Verão. Uma escrita clara e fluida, numa história que se vai desenrolando gradualmente, em que as peças se vão revelando e encaixando aos poucos até ao final, altura em que o puzzle fica completo e os mistérios são desvendados (daí a minha maratona, para encaixar as pecinhas todas).

Logo eu que sou esquisitinha com os finais dos livros, achei este muito bem construído, sem sobressaltos, sem ser apressado, encaixando-se naturalmente no fluir da história.

Gostei também das personagens, principalmente da forma como as personagens centrais vão baixando as defesas e revelando-se umas às outras. Quanto a Beatrice Malaspina, acho que até eu fiquei com vontade de a conhecer, depois ler a forma como ela engendrou tudo para juntar aquelas quatro pessoas tão especiais na sua Villa Dante. E aquela casa, devia ser fantástica!

Mais uma bela surpresa. Um livro que fechei com um sorriso e que recomendo a quem procura uma boa leitura de Verão.

333, Pedro Sena-Lino

21 junho 2009

Editora: Porto Editora
Páginas: 185
Categoria: Romance

"Esta é a história de um livro e de todos os seus 333 exemplares impressos.É a história secreta do impacto de um livro na vida de cada um dos seus leitores, e de como um rectângulo de papel pode transformar uma vida."

Finalmente, um livro que me encheu as medidas! É tão bom ter assim surpresas inesperadas… Apesar de já suspeitar que um livro sobre livros me agradaria, nunca pensei que me deliciasse assim.

A sinopse é parca para a riqueza da história e da escrita. É daqueles livros que apetece ler com um caderninho ao lado, tal é a beleza de determinadas passagens que, a cada passo, apetece transcrever.

Não seguimos apenas as histórias e o impacto (ou falta deste) dos 333 exemplares de uma colectânea de cartas escritas por uma freira portuguesa e impressas em livro em Milão, no século XVI, na vida dos seus leitores. Somos também envolvidos pela magia das palavras de Pedro Sena-Lino, que, sendo nós leitores, nos suga para dentro do seu “333”, onde os traços poéticos se fundem com a mestria narrativa e o encanto da nossa língua.

Um livro belíssimo que fui saboreando devagarinho, para que o encantamento durasse mais tempo. Li-o por empréstimo, mas vou querer adicioná-lo à minha biblioteca pessoal, pois é daqueles que vale mesmo a pena reler.

“Mesmo que um leitor ame os livros, como posso saber se esse amor é durável? Todos os livros são a consciência do tempo, reflectido; mas os homens não podem ver o tempo de frente; e por isso morremos nesta terra, destruindo as mensagens que conseguimos roubar ao silêncio. Até termos de o fazer de novo, repetidamente e até as voltarmos a perder.
(…)
Agora que o último livro morreu, posso partir. Estive presa nesta história durante séculos, ligada ao destino do que escrevi. Até aqui, meu amor, não podia amar-te: todo o real gritava que não nos conseguíamos tocar. Mas liberta daqui, atirada por todos os séculos até ao fundo do tempo, dentro dos restos deste livro te chamo. Fechada de luz dentro deste livro te chamo.”

Epílogo

O Beijo, Danielle Steel

20 junho 2009

Editora: Círculo de Leitores
Páginas: 315
Categoria: Romance


"Em Londres, Isabelle e Bill trocam o primeiro beijo. Durante anos foram apenas bons amigos que trocavam entre si os problemas dolorosos dos respectivos casamentos. Mas o amor surge entre eles. Tudo se parecia encaminhar para o florescer do seu amor, mas subitamente, quando acabam de se beijar, um carro a alta velocidade albaroa a limusina. A recuperação será lenta e dolorosa, e pior, podem ter perdido a última oportunidade para ficarem juntos."

Apesar de andar enjoada de romances cor-de-rosa, tinha prometido este livro a uma amiga para completar a colecção dela e decidi-me, finalmente, a pegar nele.

De Danielle Steel já li de tudo: livros que cativam e são devorados vorazmente, chorrilhos de desgraça atrás de desgraça, que se tornam desesperantes, e livros mornos, cuja história se arrasta por páginas e páginas sem haver verdadeira evolução. Também, com tanto livro escrito, não admira que haja de tudo.

Este foi dos tais casos em que o final feliz demorou a chegar e a história se foi arrastando penosamente por várias páginas. Sim, é uma história de amor bonita, mas poderia ter sido contada em muito menos páginas e sem estar sempre "a bater na mesma tecla": a teimosia de Bill chegou a um ponto em que já irritava.

O início da história pareceu-me prometedor, mas do meio para o fim, o ritmo tornou-se lento demais e depois de tanta hesitação e drama, nem o final compensou. Vale pela capa com o famoso quadro de Klimt, a história não justifica 315 páginas de letra miúda.

Beleza Assassina, Chelsea Cain

18 junho 2009

Editora: Porto Editora
Páginas: 360
Categoria: Policial/Thriller

"Ela é bela. Ela é brilhante. Ela é uma assassina.
Após dez anos no encalço de Gretchen Lowell, o detective Archie Sheridan é raptado e torturado durante dez dias pela lindíssima serial killer. Mas, no final, ela decide, misteriosamente, libertá-lo e entregar-se às autoridades.Gretchen é condenada a prisão perpétua, enquanto Archie é condenado a outro tipo de prisão: viciado em vários medicamentos, não é capaz de regressar à sua antiga vida e não consegue esquecer aqueles dez dias de tortura... nem Gretchen. Quando outro assassino começa a raptar e assassinar raparigas adolescentes de Portland, Archie é convidado a voltar ao activo e a liderar a equipa que vai investigar os crimes recentes. A nova investigação dará início a um jogo mortal entre Archie, o novo assassino e... Gretchen Lowell."

Mais uma vez passou-me pelas mãos um livro em relação ao qual estava muito curiosa, por dois motivos: primeiro, porque já tinha lido críticas bastante favoráveis na blogosfera e, segundo, porque me estava a apetecer "fugir" aos romances e literatura cor-de-rosa.

Sem ser um livro com um ritmo alucinante e de leitura compulsiva, a história passada e presente de Archie com Gretchen, consegue prender-nos. Os capítulos onde são feitos os "flashbacks" do cativeiro são os mais intensos e funcionam como um íman que nos prende a cada passo ao resto do livro.

Gostei bastante da escrita e das personagens centrais (o retrato psicológico de Archie está muito bem construído). No entanto, achei o final uma desilusão, muito morno para o meu gosto.

Fama Mortal, JD Robb

02 junho 2009

Editora: Saída de Emergência
Páginas: 268
Categoria: Romance/Policial

"Viera para Nova Iorque para ser polícia pois acreditava na ordem. Precisava dela para sobreviver. Tinha tomado as rédeas da sua vida, transformara-se em Eve Dallas. Mas dali a algumas semanas já não seria apenas a tenente Eve Dallas do departamento de homicídios. Seria a esposa de Roarke. Infelizmente os seus planos de casamento terão de esperar quando a sua vida profissional entra em rota de colisão com a vida pessoal.
A vítima, na sua mais recente investigação de homicídio, é uma das mulheres mais requisitadas do mundo. Uma top model a quem ninguém impede de ter o que quer... nem que seja o homem de outra mulher. O suspeito principal de Eve é a outra mulher desse triângulo amoroso... a sua melhor amiga, Mavis.
Por trás da fachada de glamour, Eve descobre que o mundo da moda vive de uma paixão por juventude e fama, onde as drogas podem satisfazer qualquer desejo, por um preço..."

NOTA:
Por lapso meu, li este livro a pensar que era o segundo da série Mortal de JD Robb, mas é o 3º. Devia ter lido antes deste "Glória Mortal", que já não vou ler. O meu comentário baseia-se apenas na leitura de "Nudez Mortal" e "Fama Mortal".

Quando soube desta faceta mais policial de Nora Roberts sob o pseudónimo de JD Robb, fiquei toda entusiasmada porque adoro um bom policial e tinha gostado bastante dos livros que já tinha lido da autora. Resultado: criei expectativas elevadíssimas que foram logo goradas no 1º livro desta série.

Apesar de JD Robb, não me satisfazer totalmente a costela detectivesca, é um facto que a escrita prende e as histórias são envolventes.

Tal como no outro livro, estranhei as referências futuristas, se bem que neste acabam por passar mais ou menos despercebidas no meio da história.

A parte policial da história não me entusiasmou e "certa" personagem cheirou-me logo a esturro assim que surgiu. Continuo a achar que estes livros vivem mais da vertente romântica da história do que da investigação policial que se vai desenrolando. A parte policial parece-me que serve apenas para ir revelando personagens novas ou facetas das personagens já existentes, para ir mantendo a história "viva" ao longo da série.

Também não ajudou o facto de ter encontrado algumas gralhas e erros gramaticais, mais para a parte final (se bem me lembro). Na verdade, "estranhei" um pouco a tradução, ao ponto de ir verificar e notar que tinha sido feita por duas pessoas... e nenhuma delas, a tradutora do volume anterior, o que me leva a suspeitar que este livro terá sido editado um pouco "à pressão" e com um prazo apertado para a tradução.

Apesar de tudo, foi um livro que não consegui deixar a meio e o mais certo é ler o seguinte quando tiver oportunidade.
Não é a minha faceta preferida da autora, mas, sob pseudónimo ou não, como habitualmente, Nora Roberts deixa-nos com vontade de saber mais sobre o casal central da história e o desenrolar do seu romance.

Escritos Secretos, Sebastian Barry

29 maio 2009

Editora: Bertrand
Páginas: 304
Categoria: Romance

"Roseanne McNulty tem perto de cem anos e é a doente mais antiga do hospital de saúde mental de Roscommon. O doutor Grene, o psiquiatra encarregado da avaliação dos pacientes, sente-se intrigado pela história daquela mulher, que passou os últimos sessenta anos da sua vida em instituições psiquiátricas. Enquanto o médico investiga, Roseanne faz uma retrospectiva das suas tragédias e paixões, que vai registando no seu diário secreto, desde a turbulenta infância até ao casamento que lhe prometia a felicidade. Quando o doutor Greene desvenda por fim as circunstâncias da sua chegada ao hospital, é conduzido até um segredo chocante.
Um livro primorosamente escrito, que narra uma história trágica, fruto da ignorância e mesquinhez, mas ainda assim fortemente marcada pelo amor, pela paixão e pela esperança."

Comprei este livro recentemente e não estava a contar pegar-lhe já, mas uma noite de insónia fora de casa e o facto de ser o livro mais próximo na altura, foram as circunstâncias perfeitas para mergulhar nas suas páginas.

Trata-se de uma história contada a duas vozes, ou, melhor, a duas mãos que vão anotando as suas reflexões e memórias (para o leitor, para Deus, para si mesmos?): Roseanne escreve sobre o seu passado, como que para deixar o seu legado, e o Dr. Grene escreve mais como terapia, talvez para lidar com as mudanças e decisões que se avizinham. E de permeio, vai surgindo a aproximação entre médico e a sua mais antiga paciente.

Não é, de todo, um livro ligeiro, antes pelo contrário. É uma história muito bem escrita que nos leva pelos caminhos tortuosos de uma época dura e impiedosa que marcaria para sempre a vida de Roseanne e que faria com que o novelo da sua história só muito tempo depois fosse desenrolado e os nós desenredados até ao desenlace final, que nos vai sendo revelado aos poucos, quase sem que nos apercebamos.

É uma história sofrida e dura, mas talvez por ser contada em jeito de reflexão, assume quase um estilo natural e inocente.

Concordo plenamente com o que é dito no Irish Times: "Belo e perturbador... A narrativa de Sebastian Barry tem um elemento poético: brilha com a luminosidade misteriosa de um conto de fadas deturpado."

Surpreendi-me com um livro em que peguei por acaso e foram umas excelentes horas de leitura, acompanhando estas duas personagens pelos caminhos mais ou menos tortuosos das suas mentes e da própria realidade.

Os fios da memória e da realidade vão-se cruzando de tal forma, que só no final conseguimos ver o quadro completo. E ao contrário do que esperava, fechei o livro com uma sensação de paz semelhante à que, imagino, as personagens terão sentido quando todas as peças se encaixaram...

Formação contínua

"Entre as inúmeras formas de aprender necessárias à formação de um tradutor, a leitura de boas traduções é uma das mais acessíveis e mais úteis."

Uma Casa Na Grécia, Rosie Thomas

23 maio 2009

Editora: Saída de Emergência
Páginas: 330
Categoria: Romance

excerto

"O destino faz de nós o que somos, mas também pode impedir-nos de ser a pessoa que podíamos ter sido.

Escapando à devastação de um terramoto, Cary chega à ilha grega de Halemni e dá de caras consigo própria. Ou antes Olivia, cuja semelhança é assustadora. Nesta nova vida Cary começa por encontrar a felicidade que nunca tivera. Não desde o dia em que a sua vida mudara. Agora libertara-se de tudo o que a relacionava com o passado. Estava tudo enterrado nas profundezas do terramoto. Ia começar de novo.
Olivia, por outro lado, era uma mulher acomodada. Depois de vários anos a viajar encontrara finalmente um lugar a que podia chamar "lar". A vida na ilha e a hospitalidade eram acolhedoras mas agora algo se tornara diferente. Seria pela chegada desta desconhecida? Havia alguma coisa estranha e desconfortável nesta mulher.
Quem é Cary? Qual o seu passado? Porque se sente Olivia tão desconfortável na sua companhia? Olivia tenta controlar-se, mas não consegue deixar de sentir que a sua vida está a ser roubada.
Uma luta entre duas mulheres por uma vida, e apenas uma pode vencer."

Peguei neste livro cheia de entusiasmo, pois tinha lido "Branco" e adorei. Na altura, fiquei até bastante entusiasmada com a descoberta de uma nova autora com uma escrita tão envolvente como me pareceu ser Rosie Thomas.

Comecei a ler e achei os primeiros capítulos completamente diferentes do que estava à espera e algo confusos. Inicialmente, pensei que o cansaço que se tem vindo a acumular nas últimas semanas fosse o motivo de não estar a conseguir entrar na história e me deixar envolver por ela e fui insistindo.

Mas já ia a meio do livro e continuava a achar o enredo confuso e, acima de tudo, extremamente lento. Confesso que me desiludi e hoje, após uma espreitadela ao final e a uns capítulos mais adiante, em busca de motivação para continuar, decidi desistir.

A capa é linda, a frase na capa, sugestiva, mas a sinopse promete mais do que a história consegue proporcionar, tornando-se um livro mais pesado e cansativo (exasperante até nalgumas partes) do que seria de esperar.

É provável que se tivesse pegado neste livro numa altura mais tranquila e de cabeça mais fresca, a minha opinião fosse mais positiva. Só li ainda "Branco" e este de Rosie Thomas, mas notei uma grande diferença entre os dois livros. Talvez por ter gostado tanto do primeiro, este me tenha desiludido mais. Espero em breve poder pegar num dos outros livros da autora que tenho na estante para "tirar teimas".

BiblioImagem VI

16 maio 2009


Um bom conselho ;)

BiblioImagem V

14 maio 2009

Eles vão-se acumulando e as leituras andam lentas...
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