07 Março 2012

A Árvore dos Segredos, Sarah Addison Allen

Editora: Quinta Essência
Páginas: 280
Categoria: Romance
Sarah Addison Allen dá-nos as boas-vindas a uma nova povoação: Walls of Water, na Carolina do Norte, onde os segredos são mais espessos do que o nevoeiro das famosas quedas-dágua da cidade, e as superstições são, de facto, reais.
Willa Jackson vem de uma antiga família que ficou arruinada gerações antes. A mansão Blue Ridge Madam, construída pelo bisavô de Willa durante a época áurea de Walls of Water, e outrora a mais grandiosa casa da cidade, foi durante anos um monumento solitário à infelicidade e ao escândalo. Mas Willa soube há pouco que uma antiga colega de escola a elegante Paxton Osgood - da abastada família Osgood, restaurou a Blue Ridge Madam e a devolveu à sua antiga glória, tencionando transformá-la numa elegante pousada. Talvez, por fim, o passado possa ser deixado para trás enquanto algo novo e maravilhoso se ergue das suas cinzas. Mas o que se ergue, afinal, é um esqueleto, encontrado sob o solitário pessegueiro da propriedade, que com certeza irá fazer surgir coisas terríveis.
Pois os ossos, pertencentes ao carismático vendedor ambulante Tucker Devlin, que exerceu os seus encantos sombrios em Walls of Water setenta e cinco anos antes, não são tudo o que está escondido longe da vista e do coração. Surgem igualmente segredos há muito guardados, aparentemente anunciados por uma súbita onda de estranhos acontecimentos em toda a cidade.
Sarah Addison Allen tem o dom de escrever livrinhos ternos e serenos, óptimos para intervalar leituras mais pesadas ou quando simplesmente apetece ler algo mais leve e reconfortante.
Tenho gostado de todos os livros desta autora e este não foi excepção, apesar de, para mim, ter ficado aquém dos anteriores da autora.
Inicialmente, fiquei presa à história e mergulhei de cabeça nesta leitura, mas a partir do momento em que comecei a deparar com algumas gralhas e até uma troca de nomes das personagens no espaço de algumas páginas, o entusiasmo foi esmorecendo e a história que até prometia, com um mistério pelo meio (coisa que me agrada normalmente muito) acabou por ficar aquém das expectativas.
Foi mais um daqueles casos em que preferia ler e saber mais sobre o passado de algumas das personagens secundárias (as avós das principais) do que propriamente  a história principal dos amores, amizades e desamores dos dois casalinhos.
Apesar de tudo o que mencionei antes, não deixa de ser um bom romance feminino e uma boa história, com um toque de magia, em que é muito salientado o valor da amizade. 

28 Fevereiro 2012

O Quarto de Jack, Emma Donoghue

Editora: Porto Editora
Páginas: 336
Categoria: Romance
Original, poderoso e soberbo, Jack é inesquecível: a coragem e o imenso amor numa história perturbante contada pela voz da inocência.
Para Jack, de cinco anos, o quarto é o mundo todo. É onde ele e a Mamã comem, dormem, brincam e aprendem. Embora Jack não saiba, o sítio onde ele se sente completamente seguro e protegido, aquele quarto é também a prisão onde a mãe tem sido mantida contra a sua vontade. Contada na divertida e comovente voz de Jack, esta é uma história de um amor imenso que sobrevive a circunstâncias aterradoras, e da ligação umbilical que une mãe e filho.
O quarto é um lugar que nunca vai esquecer; o mundo é um sítio que nunca mais olhará da mesma maneira.

Ora cá está a primeira grande surpresa do meu ano literário. Uma história forte contada com tamanha mestria e genialidade, que o que perpassa para o leitor é pura ternura por aquela criança e pela sua forma original de ver o mundo que o rodeia, um mundo especial, singular e cujo limite é apenas a imaginação... e a imaginação deste miúdo leva-o mais longe que as paredes do quarto, criando um universo de uma riqueza e candura imensas.
Não admira que este livro tenha sido finalista de vários prémios internacionais nem que tenha sido considerado um dos melhores de 2010. Emma Donoghue consegue contar uma história que poderia ser dura, crua e violenta, de uma forma espantosa e original, levando-nos para dentro da cabeça de Jack e fazendo-nos ver o seu mundo, o seu quarto e, depois, o imenso e assustador exterior... esse mundo estranho e tão cheio de incongruências.
Gostei muito da escrita, gostei muito de Jack, acompanhei-o a par e passo, sorri e senti o coração apertadinho por ele a cada passo da sua história. Confesso que gostei mais da primeira parte do livro, em que o universo é mais limitado e em que todos os detalhes têm uma importância e um foco maior, do que da metade final, pois, tal como Jack, senti que os estímulos, as distracções eram muito maiores e a minha atenção dispersou-se um pouco, mas era o percurso natural desta história e fazia todo o sentido.
O maior elogio que posso fazer a este livro é dizer que tive pena de deixar Jack ao virar da última página... Um menino especial, nascido em circunstâncias muito particulares, cujos primeiros anos de vida foram vividos num quarto que era todo o seu mundo, tão pequeno e, ao mesmo tempo, tão pleno aos olhos de um miúdo encantador e ternurento. Um romance comovente, sem ser lamechas. Uma história original e muito bem contada... Um livro que vale mesmo a pena ler. 

And the Oscar goes to...

19 Fevereiro 2012

Nome de Código: Leoparda, Ken Follett

Editora: Círculo de Leitores
Páginas:
Categoria: Histórico, Mistério/Thriller
Cinquenta mulheres foram enviadas para França como agentes secretas pelo executivo de operações especiais durante a Segunda Guerra Mundial. Trinta e seis sobreviveram à guerra. As outras catorze deram as suas vidas.

Maio de 1944, duas semanas antes do Dia D: a Resistência francesa empreendeu um ataque falhado a um castelo que alberga uma central telefónica alemã, vital para os movimentos das suas tropas. Impõem-se medidas drásticas e Flick Clairet, uma jovem agente britânica, surge com um plano ousado: lançar-se de pára-quedas, em França, acompanhada por uma equipa exclusivamente feminina (Jackdaws) com o objectivo de disfarçarem-se de empregadas de limpeza francesas e... entrarem no castelo.

Delirante ou não, o plano parece ser a única alternativa. O certo é que Rommel nomeou o implacável coronel Dieter Franck para esmagar a resistência francesa. E ele já tem o seu primeiro alvo: Flick Clatret…

Apreciando de livros sobre a Segunda Guerra Mundial e gostando muito da forma como este autor aborda essa parte da História, era inevitável que esta fosse uma boa leitura, mas tornou-se particularmente interessante por se tratar de uma história baseada em acontecimentos reais e por abordar o esforço feminino, também ele determinante e decisivo no esforço de guerra e na luta pela paz.
Trata-se de um livro que prende do início ao fim, como é habitual em Ken Follett, e que nos apresenta personagens sólidas, muito suspense, acção e um enredo que nos transporta mesmo para as últimas semanas da Segunda Guerra Mundial.
Tem todos os ingredientes para agradar não só aos fãs deste autor, mas também a todos os fãs de um bom livro de espionagem. Agora, vou só ali pesquisar um bocadinho sobre as mulheres do SOE... é que os bons livros têm este efeito, fazem querer saber mais...

15 Fevereiro 2012

O Luar Fica-te Bem, Mary Higgins Clark

Editora: Círculo de Leitores
Páginas: 254
Categoria: Mistério/Thriller, Policial
Numa festa em Manhattan, Maggie Holloway, uma bem sucedida fotógrafa de moda, fica maravilha com o reencontro com a sua adorada madrasta. Nuala Moore é agora viúva e fica deliciada por rever a enteada, convidando Maggie para passar algumas semanas na sua casa, em Newport, Rhode Island.
Mas, quando Maggie chega, encontra Nuala assassinada, aparentemente, por um ladrão. Destroçada, Maggie fica a saber que herdou a maravilhosa casa vitoriana de Nuala... e fica horrorizada quando começa a suspeitar que a morte de Nuala não foi aleatória, mas faria parte de uma trama diabólica fruto de uma mente perturbada. Quando a melhor amiga de Nuala, Greta Shipley, morre subitamente presumivelmente de causas naturais, Maggie fica convencida que há alguma ligação entre estas duas mortes e outras mortes recentes de idosas de Newport. Mas não se apercebe que se tornou, ela própria, um alvo para o assassino e cada pista que descobre aproxima-a mais de um destino inimaginável.

Andava na estante à procura de um livro que me garantisse algumas boas horas de leitura, sem ter de arrastar muito a sua estadia na mesinha de cabeceira. Este saltou logo à vista, porque, regra geral, os livros de Mary Higgins Clark são mistérios levezinhos que prendem e que são devorados num instante.
No entanto, este teve um começo que quase me fez desanimar. A história demora um bocado a chegar à parte interessante e empolgante e o início é quase banal e aborrecido, prolongando-se por umas quantas páginas a mais do que seria, aparentemente, necessário. Mas, depois, faz algum sentido o que me pareceu "tempo perdido" no início, pois aí foram logo definidos traços das personagens que me conduziram ao longo da história num determinado sentido... e são esses traços das personagens que a autora define no início que alicerçam o mistério e as eventuais surpresas na intriga.
Trata-se de uma história com bastantes personagens, o que, por vezes, me chegou a confundir, mas, também isso tem o seu fundamento, e assim se adensa o mistério.
Do meio para o final, foi uma leitura típica de um livro de Mary Higgins Clark, ou seja, quase compulsiva para deslindar os fios emaranhados ao longo da história. Não querendo revelar mais do que o necessário, para não estragar a leitura a ninguém, resta-me dizer que não sendo um policial de fazer cair o queixo, tem algumas surpresas e ingredientes que prendem à história e, mais uma vez, Mary Higgins Clark proporcionou-me umas belas horas de leitura, alimentando o meu vício por um bom mistério...

11 Fevereiro 2012

As Horas Distantes, Kate Morton [Divulgação]

Há muito que um novo lançamento não me entusiasmava tanto como este. Adorei o livro "O Jardim dos Segredos" da mesma autora, como podem verificar aqui, e este novo título não podia deixar de vir para a minha estante. Já fiz a pré-compra no site da Wook e agora é só esperar que chegue para, muito provavelmente, ir directamente para a mesinha de cabeceira :)
Tudo começa quando uma carta, perdida há mais de meio século, chega finalmente ao seu destino...

Evacuada de Londres, no início da II Guerra Mundial, a jovem Meredith Burchill é acolhida pela família Blythe no majestoso Castelo de Milderhurst. Aí, descobre o prazer dos livros e da fantasia, mas também os seus perigos.

Cinquenta anos depois, Edie procura decifrar os enigmas que envolvem a juventude da sua mãe e a sua relação com as excêntricas irmãs Blythe, que permaneceram no castelo desde então. Há muito isoladas do mundo, elas sofrem as consequências de terríveis acontecimentos que modificaram os seus destinos para sempre.

No interior do decadente castelo, Edie começa a deslindar o passado de Meredith. Mas há outros segredos escondidos nas paredes do edifício. A verdade do que realmente aconteceu nas horas distantes do Castelo de Milderhurst irá por fim ser revelada...

Primeiras páginas disponíveis aqui.

06 Fevereiro 2012

Passo a passo... Livro a livro...


Por aqui, pondera-se fazer o caminho de volta... Devagarinho...

06 Agosto 2011

Dez Anos Depois, Liane Moriarty

Páginas: 424
Categoria: Romance


"Quando, aos trinta e nove anos, Alice Love dá uma aparatosa queda numa aula de step, a última década da sua vida parece ter-se apagado por completo da sua memória. Tem novamente 29 anos, está apaixonadíssima pelo marido e à espera do primeiro filho. Só há um pequeno problema: tudo isto se passou há dez anos… No presente, Alice é mãe de três filhos, enfrenta um difícil processo de divórcio e está de relações cortadas com a irmã, que adora. Conseguirá alguma vez reencontrar a mulher que foi na fase mais feliz da sua vida? Um romance que nos leva a reflectir sobre o que aconteceria se, de repente, perdêssemos os dez anos mais importantes da nossa vida."


Apesar desta opinião (e muitas outras) andarem a tardar por este blogue, as últimas leituras não estão esquecidas e pode dizer-se que têm sido quase todas excelentes e algumas até surpreendentes.
Foi o caso deste livro cuja sinopse já me tinha chamado a atenção quando o vi em pré-venda na Wook e que depois tive oportunidade de ler graças ao apoio da Presença.
Apesar da sinopse ter sido o ponto de partida para a vontade de ler este livro, a cada capítulo que ia lendo percebia que afinal o livro era ainda mais rico do que a sinopse deixa entrever. Não temos apenas Alice a reflectir sobre a sua vida (ou e tentar recuperar a melhor parte de si), temos também capítulos pela voz da irmã e os deliciosos apontamentos bloguísticos da avó "emprestada" de Alice.
Desengane-se quem acha que se trata de um livro pesado sobre a amnésia e a perda da identidade. Nada disso... é um livro muito bem escrito, que vai intercalando as vozes de várias personagens (e personalidades) diferentes, de uma forma relativamente leve, com algum humor, mas sem perder de vista o tema central: as relações interpessoais, familiares e a forma como a vida e as nossas escolhas ao longo dos anos nos podem levar num caminho completamente diferente do que imaginámos.
Alice deixou-se levar e moldar pelos anos, pelas agruras e mágoas da sua vida, mudando aos poucos até ao ponto de não se reconhecer a ela mesma nem às suas coisas após a queda. Esse foi o "despertar" dela... a sua segunda oportunidade de recuperar alguém que poderia estar perdido para sempre, mas aque afinal estava lá dentro de si, bem escondida por 10 anos em que a vida a levou num caminho diferente. Acompanhamos então o percurso dela para reencontrar a antiga Alice, a sua surpresa com a actual Alice e a reacção de todos os que a rodeiam perante o inusitado da situação.
Foi um livro que me fez pensar, mas também que me fez rir várias vezes, ingredientes perfeitos para uma óptima leitura.

21 Junho 2011

Força de Vontade, James Patterson

Páginas: 246
Categoria: Testemunhos
"A luta verídica de uma família contra um mistério clínico agonizante.
Uma história de triunfo contra todas as expectativas.
Um relato poderoso sobre o poder do amor e da determinação.

Uma manhã, quando tinha quase cinco anos, Cory Friedman acordou a sentir uma vontade incontrolável de abanar a cabeça. A partir desse dia, a sua vida transformou-se numa agonia de tiques irrefreáveis e involuntários. Cory embarcou então numa odisseia que se prolongou por treze anos, de tratamento em tratamento, à procura de uma luz ao fundo do túnel.
Cory, a quem foi diagnosticado a síndrome de Tourette, viveu longos anos sob um regime médico duro e em permanente mutação que o deixou a sentir-se como uma verdadeira cobaia. Rapidamente passou a ser a ser difícil distinguir os tiques sintomáticos da sua doença dos que eram efeitos secundários das inúmeras combinações de medicamentos a que foi sujeito ao longo da sua penosa caminhada pela infância e adolescência. A única certeza de Cory era a de que continuava a piorar. Mas com o amor da sua família e o apoio de alguns professores e profissionais dedicados, Cory lutou pela sua vida e alcançou feitos incríveis em que poucos apostavam.
Força de Vontade é a história verídica e emotiva da batalha de Cory pela sobrevivência, contra as maiores adversidades. Escrito por James Patterson e pelo pai de Cory, Hal Friedman, com o ritmo absorvente de um thriller, é o relato comovente da coragem, determinação e triunfo final de uma família a braços com uma situação desesperante."
Já li este livro há umas boas semanas, mas ainda não tinha tido oportunidade de escrever nada sobre ele. Sou fã do autor James Patterson e bastou o nome dele para me chamar a atenção para esta obra. No entanto, não se trata de ficção, de thriller ou sequer de romance, trata-se da história verídica de um rapazinho (e da família) que teve de aprender a crescer com Síndrome de Tourette.


Sem ser lamechas, antes pelo contrário, sendo por vezes cru e muito realista, é de facto um relato impressionante e por vezes comovente. Acompanhamos a luta de um passo à frente e dois atrás de Cory e da família, torcemos por ele, sofremos com as desilusões, mas nunca perdemos a esperança, tal como eles não perderam. E a voz de Cory vai-nos conduzindo ao longo do túnel com firmeza e uma determinação fora de série.


Uma história de vida sóbria, bem escrita e muito recomendável para quem aprecia este género de livros.