Um Eremita nos Himalaias, Paul Brunton

20 agosto 2010

Editora: Presença
Páginas: 252
Categoria: Memórias, Viagens

"Um Eremita nos Himalaias é um clássico do género de fusão entre literatura de viagens e ensinamento espiritual. Ao longo das suas páginas viajamos com Brunton pelo majestoso cenário dos Himalaias Centrais, conhecemos a poesia da paisagem e temos acesso directo às lições de sabedoria que o autor recebeu de grandes sábios indianos, ao seu processo de meditação e às suas reflexões sobre temas de grande actualidade e importância no momento que o mundo ocidental atravessa. É uma obra inspiradora que nos ajuda a encontrar «oásis de serenidade num mundo tumultuado»."

Se tivesse de descrever este livro numa só palavra, diria que é intemporal, apesar de ter sido escrito em 1937. Trata-se, acima de tudo, do relato de uma viagem pelos Himalaias, das vivências que essa viagem suscitou, dos encontros, dos ensinamentos, das reflexões, do que fica depois de uma experiência única para o autor e para o leitor, que o acompanha, página a página, até ao regresso ao mundo tumultuoso. Paul Brunton está ali, a descrever-nos cada etapa, que, inevitavelmente, resulta em aprendizagem/crescimento interior.

Ao contrário do que pensava, não se trata de um livro centrado apenas na parte espiritual. É um relato de viagem e, como todas as grandes viagens, esta também é constituída por momentos puramente práticos e outros de profunda reflexão. Dada a dimensão do percurso, da majestosidade da paisagem e da riqueza cultural, é natural que esta viagem tenha moldado irremediavelmente o autor e deixado marcas indeléveis, conduzindo a uma imensa vontade de partilhar tudo o que viveu.

A colecção Vidas d'Escritas, da Presença, tem-me trazido boas surpresas e esta foi mais uma. Este é mais um daqueles livros que se adapta a cada leitor que decidir percorrer as suas páginas... Cada um fará a viagem para a qual se predispuser, seja ela a física ou a espiritual.

O autor encontrou o silêncio, a quietude, a sua Verdade nos Himalaias e suspeito que muitos leitores encontrarão a serenidade ou, pelo menos, algum conforto, nas páginas escritas por este "andarilho sem lar nem casa". Tal como ele diz, escreveu-as "(...) na esperança de que o poder das palavras possa dar alguma ideia do Poder sem Palavras que foi e é para mim a suprema atmosfera dos Himalaias".

Quanto a mim, leitora e apenas viajante através da palavra escrita, missão cumprida... Por momentos, também eu estive lá, no alto, no silêncio, onde o tempo pára e a Natureza comanda, onde os dias ventosos e cinzentos dão lugar a interlúdios ainda mais apreciados e esperançosos. Uma metáfora para o resto do mundo? Talvez... só depende dos olhos (e da mente) do leitor. Quanto ao autor, deixa muito claro: "Agarremo-nos à Esperança, quando outras coisas não se mostrarem dignas de serem agarradas. (...) Os Himalaias assim me ensinaram."

2 comentários:

Catherine disse...

gostei muito do blogue, estás de parabéns! ;)

http://chovemlivros.blogspot.com/

Catherine

Guerreiro disse...

A capa deste livro é lindissima, o contraste das cores dos tecidos. Transmite serenidade e espiritualidade que nos convida a ler e a viajar por entre as palavras, ainda mais a juntar a tua magnifica opinião!
Talvez o leia, quando tiver um verdadeiro espirito de viajante. ;-)
Beijinhos

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