Cada Homem É Uma Raça, Mia Couto

26 março 2013

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Inquirido sobre a sua raça, respondeu:
A minha raça sou eu, João Passarinheiro.
Convidado a explicar-se, acrescentou:
Minha raça sou eu mesmo. A pessoa é uma humanidade individual. Cada homem é uma raça, senhor polícia.
Ouvi pela primeira vez o nome de Mia Couto há uns bons anitos, quando ainda estudava no liceu, nos bons velhos tempos das Provas Globais. Lembro-me que numa dessas provas foi incluído um excerto de uma obra deste autor que, na altura, eu desconhecia e até pensava que seria uma mulher.
Alguns anos mais tarde, uma amiga ofereceu-me um livro de Mia Couto, "O Último Voo do Flamingo", e foi com essa obra que me apaixonei pela escrita deste autor moçambicano. Desde então, fui comprando quase todas as suas obras e lendo algumas, enquanto outras esperam pacientemente na estante pela sua vez.
Já há algum tempo que estava com vontade de revisitar a escrita mágica de Mia Couto e, desta vez, decidi-me por esta compilação de 11 contos escritos com a mestria e magia típicas deste autor, que "brinca" com as palavras, conferindo musicalidade ao texto. É essa musicalidade que nos envolve, encanta e transporta para terras distantes. Mia Couto é dos poucos autores lusófonos que me faz parar e reler determinadas frases, apenas pela sua beleza.
Cada conto é um retrato bem humorado de uma realidade geograficamente distante, mas que sentimos muito próxima precisamente pela forma como o autor a descreve. Mia Couto concilia muito bem a beleza da escrita e da nossa língua com as suas personagens e as suas histórias.
Mais uma vez Mia Couto não desiludiu e, apesar de eu preferir os seus romances, foi com muito prazer que li estas 11 pequenas histórias.

"Só um mundo novo nós queremos: 
o que tenha tudo de novo e nada de mundo."

1 comentários:

Elsar disse...

Olá Lígia tens um selinho no nosso blog :) http://efeitodoslivros.blogspot.pt/2013/03/selo-desafio-arco-iris.html

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