Vento Suão, Rosa Lobato de Faria

09 abril 2013

1ªs páginas
Quando faleceu, a 2 de fevereiro de 2010, Rosa Lobato de Faria deixou inacabado este Vento Suão. Pôs-se então a hipótese de pedir a um(a) autor(a) das suas relações que imaginasse um desenvolvimento para a história que a morte não deixara chegar ao fim e terminasse o livro inacabado. Depressa se concluiu, no entanto, que tal não era a melhor solução - primeiro, porque não se tinha a certeza de que a autora aprovasse essa inclusão de uma voz alheia no interior do seu próprio fluir narrativo; depois, porque, apesar de inacabado, o romance tinha o desenvolvimento suficiente para se deixar ler como um todo com sentido.

Aqui fica, pois, este Vento Suão tal e qual como Rosa Lobato de Faria o deixou. E como derradeira homenagem a uma escritora cuja obra teve como eixos fundamentais "a força da vida, o conhecimento profundo da realidade e do meio em que se agitam os seus fantoches ficcionais, o domínio das minúcias, o fôlego narrativo, a irrupção imparável de um vento negro de violência que impõe uma aura de tragédia intemporal ao que parece quase inócuo."
Eugénio Lisboa
Primeiro que tudo, impõe-se dar os parabéns à editora pela honestidade, coragem e homenagem à obra desta autora quando optou por publicar este "Vento Suão" tal como Rosa Lobato de Faria o deixou.
Na minha modesta opinião, esta escritora tem uma escrita tão característica onde a sua voz flui tão naturalmente, que se notaria a intrusão de qualquer outra pessoa, mesmo com as melhores intenções.
Obviamente, nota-se que é uma obra inacabada, que provavelmente a autora faria ajustes aqui e acolá, mas isso não retira mérito nem à história nem à escrita. É até muito interessante ver como a história foi fluindo da mente de Rosa Lobato de Faria diretamente para o papel. 
No final, é inevitável sentir alguma tristeza e/ou frustração por não ser possível sabermos como a autora concluiria a história e qual seria o destino final das personagens, mas isso revela-se também um bom exercício para a criatividade dos leitores... quem conhece a sua escrita dará por si a fechar o livro e a dedicar alguns momentos a imaginar "as cenas dos próximos capítulos". 
A morte intrometeu-se e levou Rosa Lobato de Faria a 2 de fevereiro de 2010, mas cada vez que leio uma das suas obras sinto que a sua voz perdura na forma natural e sincera como ela usava a palavra escrita para contar as suas histórias. O final deste livro ficou em aberto, mas a voz da autora perdura na mente de cada leitor que fechar esta obra e se deixar levar nas asas da imaginação pelas reticências finais.   

2 comentários:

Mira, a escriba disse...

Olá,
Gostei muito de ler o teu comentário :) Percebe-se bem que este foi mais um dos excelentes livros da autora.
Fiquei apenas curiosa em saber do que é que, concretamente, o livro aborda :P

Beijinhos e continuação de boas leituras**

Lígia disse...

Olá, Mira
Pois é, que nas minhas opiniões fujo muito a descrever as histórias, porque acho que isso afeta e pode condicionar a experiência de leitura das outras pessoas. Dou mesmo só a minha opinião e não me alargo sobre as histórias ;)
Neste caso, posso adiantar que as personagens principais são duas mulheres que foram amigas de infância e que se reencontram uns bons anos depois, tendo passado por várias experiências menos boas ao longo desses anos, como traições, violência doméstica e relações familiares e amorosas complicadas.
Beijinho e boas leituras!

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