Mostrar mensagens com a etiqueta Romance Histórico. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Romance Histórico. Mostrar todas as mensagens

Para não perder o fio à meada...

30 junho 2013

O facto de ter andado desaparecida do blog não significa, felizmente, que as leituras tenham parado, mas o cansaço de trabalhar diariamente em frente ao ecrã do computador tem-me afastado das opiniões regulares neste cantinho. Quando tenho um bocadinho livre, tenho optado por "fugir" do portátil e isso implicou um certo abandono deste cantinho, algo que, confesso, já começava a pesar-me na consciência.
Para ver se isto entra nos eixos novamente e aproveitando esta vontade de retomar o ritmo, optei por fazer um post em que falarei resumidamente das leituras que fui fazendo durante este afastamento para depois retomar o ritmo habitual, sem assuntos pendentes.

Private, James Patterson
Sendo fã deste autor e tendo gostado imenso dos primeiros três volumes editados cá do Clube das Investigadoras, avancei para a leitura deste primeiro livro da série Private com muito entusiasmo, mas as expetativas saíram completamente goradas.
Um livro mediano, sem muito de thriller ou reviravoltas que entusiasmem. Nota-se que foi escrito mesmo para ser o início da série, apresentando as personagens centrais, mas, na minha opinião, descurando o enredo. Lê-se rapidamente, com capítulos bastante curtos, mas devido à falta de susbtância no enredo, não me sinto em nada inclinada a ler os volumes seguintes desta série. Dentro deste género, o próprio Patterson, tem melhor, muito melhor...

FABULOSO!
Follett no seu melhor e atrevo-me a dizer já que este primeiro volume da Trilogia O Século será a melhor leitura deste ano. 
Este livro merecia uma opinião mais completa e alargada, porque é de facto imperdível para os fãs não só deste autor, mas também de romances históricos centrados na época da Primeira Guerra Mundial, Revolução Russa e Movimento Sufragista.
Nota-se uma pesquisa cuidada do autor e um entrelaçar muito inteligente dos acontecimentos históricos com as personagens centrais, mas há que ressalvar que se trata de um romance histórico que se centra nas personagens e o foco no enredo implica algumas vezes que o autor seja um pouco conciso demais (e, por vezes, impreciso) em relação a determinados temas, como por exemplo a Revolução Russa e a amplitude da Primeira Guerra Mundial. Mas, no meio de uma obra com personagens tão bem construídas, numa época histórica tão rica, isso são apenas detalhes que não afetam em nada a qualidade desta obra como romance histórico. Uma obra a não perder e conto em breve ler o segundo volume!

Os livros desta autora foram uma grata surpresa nas minhas leituras de 2012 e já há algum tempo que pretendia voltar a reencontrar o casal Vik/Stubø.
Apesar de não ter desgostado desta história, ficou uns pontinhos abaixo dos dois volumes anteriores. No entanto, Holt conduz novamente com mestria um enredo intrigante. Tanto mistério e tantas personagens tiveram um efeito ambivalente. Se, por um lado, estava cada vez mais intrigada e queria ler mais, por outro, por vezes a leitura tornava-se cansativa e exigente. No entanto, o núcleo de personagens centrais é de tal forma sólido e interessante, que nunca pus em causa desistir da leitura e conto reencontrar em breve o casal Vik/Stubø.

Para Follett, fraquinho, fraquinho...
Não digo que seja uma má leitura, porque se assim fosse, tinha desistido muito antes do meio, mas prefiro de facto este autor na vertente espionagem ou histórico, com uma escrita mais rica e personagens com mais substância.
O tema base deste livro é interessante, mas falha no enredo e nas personagens. É uma história já muito "batida" no cinema, muito previsível e sem grande riqueza. Lê-se bem, é certo, mas esperava mais, muito mais...

Já tinha gostado de Uma Fracção de Segundo, que faz parte de uma outra série do mesmo autor, e tinha alguma expetativa em relação a este livro. Mais uma vez, tive dificuldade em entrar na história, mas, também mais uma vez, ao fim de alguns capítulos estava totalmente embrenhada. O autor mantém um ritmo digno de um filme de ação ao seu melhor nível, conjugando muito bem o enredo mais pessoal e romântico, com a parte de intriga e mistério. Atrevo-me a dizer que acabei por gostar até mais desta obra muito por causa da personagem central e da temática da "gestão de perceção", algo que  me remeteu para "Falta de Provas" de Harlan Coben, que li recentemente, e que também tinha esta temática subjacente, se bem que a um nível menor. Baldacci é altamente recomendável para quem procura bons livros de mistério/acção, com intrigas bem sustentadas e personagens sólidas.

Coben é dos meus autores preferidos e quase sempre os livros dele implicam uma ou duas noites de leitura compulsiva, pois tenho muita dificuldade em pousá-los sem saber mais e mais e mais...
No entanto, a leitura de "Morte no Bosque" foi muito mais lenta do que esperava. Nunca consegui sentir grande afinidade pelas personagens e pela intriga jurídica "secundária", apesar de perceber o seu propósito no enredo. E sempre que o autor se centrava nessa parte, eu perdia o ritmo de leitura.
Quanto à intriga central, em certos aspectos fez-me lembrar "Desaparecido Para Sempre", um dos meus preferidos de Coben, sendo inevitável fazer comparações e, comparativamente, este "Morte no Bosque" fica-lhe atrás.
Gostei, teve algumas surpresas, mas senti a falta do crescendo constante até ao desenlace final a que Coben me habituou noutros livros.

A Senhora dos Rios, Philippa Gregory

07 maio 2013

Jacquetta é casada com o Duque de Bedford, regente inglês da França, que lhe dá a conhecer um mundo misterioso de conhecimento e de alquimia. O único amigo de Jacquetta é o escudeiro do duque, Ricardo Woodville, que está a seu lado quando a morte do duque faz dela uma viúva jovem e rica. Os dois tornam-se amantes e casam em segredo, regressando à Inglaterra para servir na corte do jovem monarca Henrique VI, onde Jacquetta vem a ser uma amiga próxima e leal da sua nova rainha.
Depressa os Woodville conquistam uma posição no núcleo da corte de Lencastre, apesar de Jacquetta pressentir a crescente ameaça vinda do povo da Inglaterra e o perigo de rivais pretendentes ao trono. Mas nem a coragem e a lealdade dos Woodville bastam para manter no trono a Casa de Lencastre. Jacquetta luta pelo seu rei, pela sua rainha e pela sua filha Isabel, para quem prevê um futuro extraordinário e surpreendente: uma mudança de destino, o trono da Inglaterra e a rosa branca de Iorque.
Há muito tempo que não lia um romance histórico e andava com alguma vontade de voltar a este género. Depois de ter visto no blog A Corte dos Livros que estaria na calha uma série baseada na saga "A Guerra dos Primos", pareceu-me bem começar por esta saga. Como não tinha os livros na estante pela ordem correta, resolvi ir tirar dúvidas ao site da autora e em boa hora o fiz, pois a ordem de edição não corresponde à ordem cronológica ou histórica. Assim sendo, este terceiro livro da saga é o primeiro historicamente e por isso foi este o meu eleito para o regresso ao romance histórico.
Infelizmente, não foi um regresso fulgurante e custou-me um pouco a entrar nesta história. Não sei se foi por ter estudado esta época e estar muito a par dos factos, que me senti distante do relato mais emotivo e romanceado dos acontecimentos, mas a certa altura tive de me obrigar a continuar a leitura e não desistir. Ainda bem que o fiz, pois o interesse foi crescendo e a leitura tornando-se mais fluida e envolvente. No final, já estava com uma curiosidade imensa em relação ao volume seguinte.
Philippa Gregory escreve de facto muito bem este tipo de romances, onde dá um toque especial e muito seu aos acontecimentos históricos. Apesar de me ter custado um pouco a habituar ao estilo, há que reconhecer um livro bem escrito sobre uma época histórica muitíssimo interessante e rica.
Fica aqui para referência a ordem cronológica/histórica correta dos volumes já editados no nosso país:
- A Senhora dos Rios
- A Rainha Branca
- A Rainha Vermelha
- A Filha do Conspirador

A Papisa Joana, Donna Woolfolk Cross

03 janeiro 2011

Editora: Editorial PresençaPáginas: 460
Categoria: Romance Histórico

"A autora reuniu, numa perfeita combinação, aspectos lendários com factos históricos do qual resultou um romance sobre Joana de Ingelheim. Filha de um missionário inglês e de uma mãe saxónica, Joana, nascida a 814, sente-se frustrada pelas limitações impostas à sua vida pelo simples facto de ter nascido com o sexo errado. O seu irmão Mateus começou a ensiná-la a ler e escrever quando Joana contava apenas seis anos. Com a sua morte, Joana recorre a toda a sua astúcia e capacidade de ludibriar de modo a continuar a dar largas à sua paixão pelo saber. Mais tarde, Joana foge de casa para seguir os passos do seu irmão João, a caminho da escola religiosa na Catedral de Dorstadt, onde ela se torna a única presença e estudante feminina tolerada. É quando surge Geraldo, e a vida de Joana muda ao aperceber-se de que o ama. No entanto, o seu amor é-lhe interditado pelas maquiavélicas manobras de Ritschild. Usando as roupas e identidade do irmão, depois deste ter sido chacinado durante um ataque normando, Joana foge e entra para o mosteiro de Fulda, onde ela se passa a denominar, depois de feitos os votos primordiais, João Anglicus. Trilhando o caminho de monge a padre num instante, enquanto apurava o seu conhecimento e técnicas de cura, Joana começa a traçar a sua rota direita a Roma, onde os seus dons lhe abrem caminho para se tornar confidente e físico curador dos dois papas. É nos meandros de várias intrigas políticas no meio eclesiástico que Joana, ela própria, ascende ao posto de pontífice máximo da Igreja Católica. A Papisa Joana resulta numa fabulosa e vívida recriação do período por nós conhecido como a "Idade das Trevas"."

Que dizer sobre um livro absolutamente marcante? Há imenso tempo que queria escrever uma opinião sobre este livro que já li há uns meses. Decidi esperar por ver o filme e escrever uma "dupla" opinião. No entanto, ainda não consegui ver o filme e queria concluir o meu registo de leituras de 2010, o que seria impossível sem referir este livro. Apesar da sinopse ser bastante reveladora quanto ao desenrolar da história, não conseguiu retirar prazer às horas que dediquei a este livro.

Perdoem-me se não me alongar muito em devaneios, mas acho que basta dizer que foi O MELHOR livro que li em 2010. A parte histórica é excelente, a parte ficcionada é tão verosímil que nos deixa a questionar quanto será realmente verdade ou ficção... pelas mãos da autora, quase nos parece um relato de factos históricos. O percurso de uma menina/mulher que luta não só pela sobrevivência mas também pelo direito ao conhecimento num universo masculino. Um relato de força, coragem, amor, fé, mas acima de tudo, uma história escrita de forma magistral que não deixará nenhum leitor indiferente, goste ou não de romances históricos.

Crónica do Rei-Poeta Al-Mu'Tamid, Ana Cristina Silva

27 abril 2010

Editora: Presença
Categoria: Crónica, Romance
Páginas: 180

"Al-Mu’Tamid nasceu em Beja, em 1040. Nessa época, a poesia e a cultura floresciam nas cortes árabes, mas após a queda de Córdova, o Sul de Espanha fragmentara-se em inúmeras taifas que se digladiavam entre si ao sabor das aspirações de poder e de prestígio. Herdeiro de uma das mais poderosas dinastias então reinantes que governava Sevilha, Al-Mu’ Tamid era um homem de índole benévola, amante de tertúlias, e um dos mais notáveis poetas do al-Andaluz. Nesta crónica ficcionada, escrita já no exílio pelo Rei-Poeta, Ana Cristina Silva, para além dos acontecimentos trágicos que marcaram o seu reinado, leva-nos a imaginar como terá sido, intimamente, o homem que teve de encarnar a personagem que ficou para a história."

Este livro apanhou-me numa fase pessoal complicada e talvez daí derive a minha sensação de frustração. Mas não é frustração com o livro em si ou com a escrita, antes pelo contrário. A escrita é rica, o relato interessante e a figura histórica abordada muito intrigante. A minha frustração é não ter conseguido fazer a leitura concentrada e atenta que o livro merecia e que a história pedia.

Gostei logo do Prólogo, que dá voz a um escravo que, perante a morte do seu senhor, foge com os escritos dele para assegurar a sua leitura...

"(...) sempre que me era permitido, recuperava a leitura do manuscrito de Al-Mu’tamid. Ao amanhecer ou ao crepúsculo, alumiado pela alvorada ou pelos reflexos de uma fogueira, lia com todos os meus sentidos despertos. Quando prosseguia a leitura, o espírito de Al-Mu’tamid distinguia-se da sombra trágica das palavras e eu ia poisando os ouvidos nas nuvens para melhor receber a sua mensagem. O meu senhor foi um daqueles homens capazes de impor a cada coisa o seu preciso nome, por isso a beleza do texto ressoava como a única voz do deserto. Mal continha as lágrimas sempre que lia o que ele escreveu."
prólogo

Depois, seguem-se os escritos de Al-Mu'tamid que realmente vão revelando um pouco da sua alma, da sua mágoa e até alguma melancolia. É um relato das suas reflexões sobre aquela época, sobre os conflitos, mas também sobre o rumo da sua própria vida e as escolhas que fez.

Apesar da sensação de não ter desfrutado da leitura tanto quanto desejaria, este livro serviu para me despertar a curiosidade sobre esta figura histórica, mas também sobre a autora e as suas outras obras.

A Sexta Mulher, Susannah Dunn

12 abril 2010

Editora: Quinta Essência
Páginas: 274
Categoria: Romance, Romance Histórico

"Sobreviveu a Henrique VIII, o mais cruel dos maridos, reinou e apaixonou-se, mas foi traída por quem mais amava…
Inteligente e generosa, Katherine Parr, a sexta e última mulher de Henrique VIII, sobreviveu a quatro difíceis anos de casamento. Mas quando o ambicioso e atraente Thomas Seymour conquista o seu coração, poucos meses após a morte do velho e cruel rei, a sua união apressada vai determinar o destino de Kate de uma forma que ninguém esperaria.
Catherine, duquesa de Suffolk e a melhor amiga de Kate, é a testemunha privilegiada do amor tardio da rainha viúva. Mas, apesar dos seus receios em relação ao novo marido de Kate, a pouco e pouco torna-se óbvio que também ela esconde uma história negra. E se Thomas é capaz de trair a mulher pelo poder, a fria e calculista Cathy é capaz de trair a melhor amiga por amor.
Numa época em que a mínima indiscrição podia significar a prisão e, até, a morte, a nova vida de Katherine Parr decorre longe de olhares indiscretos, entre os que mais a amam – mas até que ponto esse amor a poderá proteger da mais cruel das traições? A Sexta Mulher é um romance envolvente sobre a vida de duas mulheres corajosas e arrojadas que decidem arriscar tudo por amor numa época em que o amor é um luxo a que nem a realeza se pode permitir…"

Eu não gosto de criar grandes expectativas antes de iniciar a leitura, porque, quase invariavelmente, quando as crio, o livro em causa fica-me a saber a pouco. Foi o caso deste... A sinopse fez-me esperar muito mais do que conseguir obter.

A leitura foi demorada e morosa e só do meio para o fim me senti mais envolvida pela história, mas mesmo assim não me convenceu. Aliás, acho que a autora tentou tanto equilibrar a parte de romance com a parte histórica, que o livro ficou no meio termo, nem verdadeiro romance, nem verdadeiro histórico. A mim, não me convenceu em nenhuma das duas vertentes.

O início é lento e monótono, com um relato na 1ª pessoa que nos visa situar na época e na conjuntura na corte, mas que não me conseguiu transportar para lá e virei páginas e páginas expectante que acontecesse algo mais. Acontece realmente a partir do meio, mas mesmo essa parte poderia ser mais explorada e o final deixou-me insatisfeita. Faltou o drama, o conflito, o tal "arriscar" que a sinopse refere. Senti que tudo foi abordado muito por alto e apenas se preencheu com (alguma) ficção o espaço entre dois acontecimentos históricos: o casamento de Katherine Parr com Thomas Seymour e a morte de ambos.

Um livro morno para quem procura um bom e consistente romance histórico, mas serve medianamente o propósito de entreter como romance.

A Noiva Romanov - Robert Alexander

14 novembro 2009

Editora: Casa das Letras
Páginas: 276
Categoria: Romance histórico

"A história de uma grã-duquesa da corte russa e do camponês que determinou o seu destino.

À medida que e Rússia de Nicolau e de Alexandra se precipita para a catástrofe, 'A Noiva Romanov' segue a vida de duas almas revolucionárias a da grã-duquesa Isabel (ou Ella), irmã da czarina Alexandra, e a de Pavel, um simples camponês que ambiciona mais.
A vida grã-duquesa Isabel começa como um conto de fadas - nascida princesa na Alemanha, casa com o grão-duque Sergei da Rússia e entra na corte mais famosa e magnífica do mundo, a dos poderosos Romanov, onde se torna conhecida pela sua elegância, pelas suas jóias, pela sua beleza e pela sua bondade. O marido, contudo, não possui os mesmos atributos e governa Moscovo como governa a mulher, com um punho frio e duro.
Para Pavel e a sua mulher, viver em Sampetersburgo significa partilharem uma cave sobrelotada com outras famílias e mal se poderem dar ao luxo de comprarem pão. No entanto, estão cheios de optimismo, pois os seus avós tinham sido servos e este jovem casal é o primeiro a deixar o campo em busca de uma existência melhor. Porém, depois de um confronto explosivo entre manifestantes pacíficos e soldados do czar, as vidas de Ella e Pavel tomam rumos diferentes, mas o fogo da Rússia revolucionária acabará por ligar para sempre os seus destinos."

Depois de ter lido "A Filha da Rasputine" e "Kitchen Boy", do mesmo autor, esperava algo diferente neste seu regresso ao universo misterioso e encantatório (pelo menos, para mim) da família Romanov. No entanto, sem dúvida que é uma boa leitura para quem gosta de ficção histórica e, essencialmente, desta temática.

Como vem sendo hábito com este autor, o romance serve de base para relatar os anos turbulentos e trágicos da Revolução Russa e desta vez vamos acompanhando a perspectiva de Ella e de Pavel, de duas classes opostas, mas cujos destinos se acabam por cruzar, revelando-lhes que afinal, os dois caminhavam em direcção
ao mesmo objectivo, mas por caminhos diferentes. Ele, que aderiu ao núcleo duro da revolução, mas que sempre teve sentimentos ambivalentes, e ela, que fazia parte da família Romanov, mas que abdicou de toda a pompa, faustosidade e riqueza para viver perto de quem mais precisava de ajuda.

Gostei particularmente do facto de Ella e Pavel alternarem os seus relatos e podermos entender ambas as perspectivas. Gostei também de conhecer melhor a vida da grã-duquesa, que viria a ser a Nova Mártir Santa Isabel da Igreja Ortodoxa Russa. Uma mulher admirável que viveu entre dois mundos em choque e que acabou por ser vítima deles.

Desengane-se quem espera um romance romântico (perdoem-me a redundância), este é um livro sobre a inevitabilidade dos acontecimentos numa época tumultuosa, de muita instabilidade política e social, em que a fronteira entre a vida e morte era muito ténue.

Gostei mais dos anteriores livros do autor, talvez por se debruçarem mais sobre o núcleo central da família Romanov, mas também recomendo a leitura de "A Noiva Romanov" e continuarei atenta a novas obras de Robert Alexander que, até agora, me tem proporcionado bons momentos de leitura.

"É mais fácil a palha fraca resistir a um fogo poderoso
do que a natureza do pecado resistir ao poder do amor."
Nova Mártir Santa Isabel

Kitchen Boy - Os Últimos Dias dos Romanov, Robert Alexander

23 julho 2009

Editora: Casa das Letras
Páginas: 304
Categoria: Romance Histórico

"Um romance fascinante onde os segredos da família imperial russa são finalmente revelados.

A 16 de Julho de 1918, o curso da história da Rússia mudou para sempre. Nessa noite, o czar Nicolau II e a sua família foram brutalmente executados pelos bolcheviques. Houve apenas uma testemunha - o ajudante de cozinha. Ele é a única pessoa viva que realmente sabe o que se passou. Que segredos nos serão revelados sobre os últimos dias dos czares? É que, apesar de já ter passado quase um século, a prisão e execução do czar Nicolau e da sua família continuam envoltas em mistério e fascínio.

Numa prosa absorvente e elegante, combinando factos e ficção, Robert Alexander reconta a história através de Leonka, em tempos ajudante de cozinha dos Romanov, que afirma ser a "última testemunha viva" da brutal execução da família imperial. Misteriosamente poupado pelos bolcheviques, o rapaz terá desaparecido nas vagas sangrentas da Revolução Russa. Agora, através da evocação de Alexander, reaparece para contar a sua história, designadamente o que terá visto e ouvido nos últimos dias de vida dos czares.

Terá ele resposta para as cartas secretas contrabandeadas com o czar ou sobre as jóias imperiais desaparecidas? Ficaremos finalmente a saber porque não se encontram os corpos de duas crianças da família Romanov na campa secreta descoberta em 1991? Terão elas sobrevivido ao brutal ataque?"

Desta vez copiei quase todo o texto da contracapa ali para cima, para a sinopse deste magnífico livro, porque realmente merece que se torne clara a sua riqueza...

É isso mesmo, um livro rico na escrita e na história. Uma mistura excelente entre acontecimentos verídicos e ficcionais, formando um romance intenso e com suspense, sobre uma época conturbada da Rússia e sobre uma família que ficou na História e cuja própria história ainda tem uma aura de mistério à sua volta.

São-nos descritos os dias e ambiente na casa Ipatiev antes do fatídico 16 de Julho de 1918 e o que sucedeu depois. Os factos históricos misturam-se tão bem com a ficção, que ao lermos, nem conseguimos fazer a distinção entre o que será real ou ficção... tudo seria perfeitamente plausível. Tal como o autor disse, procurou "escrever um romance" em que utiliza a ficção "para resolver os mistérios que os factos deixaram por explicar". Quanto a mim, conseguiu-o na perfeição.

Mais um ponto a favor... Apesar dos factos que nos são apresentados, apesar da História não permitir grandes divagações, apesar da evolução do próprio romance, ainda assim o final consegue surpreender!

Já tinha ficado encantada com "A Filha da Rasputine", do mesmo autor, e este livro não lhe fica nada atrás. Agora estou curiosíssima por ler "A Noiva Romanov"!

"Kitchen Boy", um livro recomendadíssimo, principalmente para quem, como eu, gosta de ficção histórica. Para fotos, imagens e enquadramento histórico, consultem http://www.sitestories.com/thekitchenboy/

Sob Um Céu de Mármore Branco, John Shors

02 janeiro 2009

Editora: Difel
Páginas: 432
Categoria: Romance Histórico
"Em 1632, o imperador do Hindustão, Shah Jahan, consumido pela dor por morte da Imperatriz, Mumtaz Mahal, ordenou a construção de um grande mausoléu que simbolizasse a grandeza do seu amor. Contra cenários de fundo de inimaginável riqueza e poder, de rivalidades fratricidas e de cruel despotismo, a princesa Jahanara narra a extraordinária história da edificação do Taj Mahal, descrevendo a sua própria vida como agente da sua criação e testemunha dos eventos fatídicos que rodearam a sua conclusão.

Como princesa e mãe, como irmã e filha, Jahanara depara-se continuamente com escolhas impossíveis e descobre o verdadeiro significado da sua herança régia. Em Sob um Céu de Mármore Branco, John Shors recria um Hindustão histórico, transbordando de intriga empolgante e encerrando a verdade secreta do Taj Mahal, para um mundo que continua a vergar-se perante a sua eterna majestade."
Uma história de amor intensa, sofrida, mas sempre esperançosa e corajosa, que nos leva ao Hindustão e à época que abrange toda a construção do Taj Mahal. O relato começa um bocadinho antes da construção do gigantesco mausoléu e termina uns anos depois do fim da construção. Em retrospectiva, acompanhamos o relato de Jahanara da sua vida desde a infância até ao momento em que decide contar às netas a sua história "secreta". De uma forma genial e absolutamente envolvente, John Shors consegue contar os anos atribulados do Hindustão e daquela família, centrando-se essencialmente em Jahanara: na sua luta pela sobrevivência, no amor ao pai, no respeito pelos deveres, mas acima de tudo, na bela história de amor entre ela e o pai da sua filha. Mesmo nas partes da história em que o autor se debruça sobre os conflitos naquela zona do mundo e nas intrigas políticas e palacianas, a história não perde o interesse e tudo se encaixa criando uma narrativa bastante fluída. Resumindo: Uma bela história de amor com um excelente enquadramento histórico. Foi a minha primeira leitura deste ano e fiquei mesmo com o "bichinho" de tentar descobrir mais sobre o que foi romanceado e o que realmente é facto histórico... Adivinham-se umas quantas pesquisas ;) São 400 e tal páginas que se lêem com muito prazer e quanto a mim, fiquei fã do autor. Pelo que andei a pesquisar, já há um segundo livro (Beside a Burning Sea) do autor, mas ainda não foi editado por cá. Espero que esteja para breve!
Blog contents © BiblioMigalhas 2010. Blogger Theme by Nymphont.