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Mister Gregory, Sveva Casati Modignani

10 fevereiro 2014

Aos oitenta e cinco anos, Gregorio Caccialupi passa em revista uma vida intensa marcada por contrariedades e vitórias. Para trás ficam as recordações de uma infância pobre na Itália dos anos 1930 e uma decisão que mudou para sempre a sua vida - emigrar para a América em busca de um futuro melhor.
Ambicioso e determinado, coleciona sucesso atrás de sucesso e uma série de mulheres procuram conquistar o seu coração - Florencia, o seu primeiro amor, Nostalgia, com quem se casou, e Erminia, a sua derradeira paixão. Com o decorrer do tempo, Gregorio Caccialupi torna-se Mister Gregory, dono de uma importante cadeia de hotéis, um homem rico e influente. Porém, um investimento mal calculado leva-o à ruína. Conformado com a sua vida discreta num lar de idosos, está longe de saber que um encontro inesperado lhe trará uma revelação surpreendente e a possibilidade de retomar as rédeas do seu destino.
Geralmente, recorro aos livros desta autora quando me apetece ler algo mais leve e reconfortante, sem ser demasiado lamechas e foi por isso mesmo que retirei finalmente este livro da estante. A este objetivo acrescia a curiosidade de este ser o primeiro livro em que Sveva tem como protagonista um homem.
Mas, apesar de ter cumprido o objetivo de me permitir umas horas de leitura ligeira, esta obra ficou aquém das expetativas e, na minha opinião, muito aquém de outras obras da autora. Apesar de ter gostado de Gregorio, achei que faltou alguma consistência e substância à história, sobretudo ao final, que me pareceu mesmo sensaborão.
Para as fãs da autora, será um livro a ler, mas sem grandes expectativas. Para quem não conhece a autora, não será um bom ponto de partida. Para mim, serviu como "desbloqueador de leituras", mas nada mais.

A Cor do Céu, Julianne MacLean

09 fevereiro 2014

Com um fio narrativo que conduz de surpresa em surpresa, este relato de uma experiência de quase-morte vai deixá-lo sem respiração. Sophie Duncan é uma colunista bem sucedida cujo mundo se desmorona depois da doença inesperada da filha e do chocante caso amoroso do seu marido. Como se não bastasse, tem um despiste de automóvel numa estrada coberta de gelo que a projeta para o interior de um lago gelado. Sophie experiencia então, nas águas frias e profundas do lago, algo de extraordinário, que desvenda os segredos do seu passado e que lhe ensina o verdadeiro significado de estar viva. Uma história de amor e uma jornada de auto-descoberta e redenção.
Muito bem recomendado, este livro veio parar à minha pilha de leitura via empréstimo e foi uma grata surpresa. Pela sinopse, não seria um livro em que eu habitualmente pegaria, mas foi-me tão bem recomendado que não resisti a aventurar-me por outro tipo de leituras.
As horas que passei na companhia deste livro foram realmente bem aproveitadas, pois está muito bem escrito. É uma história tão bem contada e de forma tão realista, que me deixou na dúvida se teria mesmo acontecido e fiquei curiosa ao ponto de pesquisar a autora e a personagem central. 
É uma história que se lê bastante depressa, com uma mensagem de otimismo, um livro que mostra a luz ao fundo do túnel e retrata os caminhos insondáveis da vida e do amor.
Apesar de ter gostado mais do início do que da parte final, foram umas boas horas de leitura e uma boa incursão nos romances. Recomendo a quem quiser variar das autoras românticas com fórmulas mais que batidas (e lamechas) que pululam nas nossas livrarias...

A Conspiração do Silêncio, David Baldacci

08 fevereiro 2014

Evan Waller é um criminoso sem escrúpulos. Às ordens de Estaline, esteve envolvido na tragédia de Holodomor, que custou a vida a quase 10 milhões de ucranianos. Mais tarde, fugiu do seu país, e, sob nova identidade, construiu um império graças à sua arte em comprar e vender qualquer coisa e qualquer pessoa. Agora, Waller aumenta a parada e coloca em risco milhões de vidas por todo o mundo ao negociar armas nucleares com terroristas islâmicos.
David Baldacci foi provavelmente a minha grande descoberta literária de 2013. Depois de ter lido Numa Fracção de Segundo e O Jogo da Verdade, já sabia mais ou menos o que me esperava neste livro, até porque este é o segundo da série Shaw, onde reencontramos Shaw após os acontecimentos de O Jogo da Verdade, havendo algumas referências aos acontecimentos e personagens do livro anterior.
Infelizmente, tinha muito pouca disponibilidade para a leitura quando peguei neste livro, sendo obrigada a espaçar bastante os momentos de leitura. Penso que isso terá afetado a minha perceção deste livro, mas mesmo assim tenho de reconhecer que Baldacci é um mestre do thriller, conseguindo surpreender e prender até final. Mais uma vez o tema é atual, a ação rápida e o enredo intrigante. E, como noutros livros, Baldacci põe-nos facilmente a torcer pelas personagens centrais e, nesta obra, a protagonista está à altura do misterioso Shaw, enriquecendo ainda mais a intriga com uma história de vida e uma "carreira" impressionante.
Apesar de ter ficado com a sensação de que não desfrutei quanto podia desta leitura, sem dúvida que voltarei às obras de Baldacci. Se apreciam um bom filme de ação/suspense, apreciarão ainda mais as obras deste autor.

A Sombra da Sereia, Camilla Läckberg

16 janeiro 2014

Um homem desaparece misteriosamente em Fjällbacka e, apesar de todos os esforços de Patrik Hedstrom e dos seus colegas da Polícia, ninguém sabe se está vivo ou morto.
Meses mais tarde, é encontrado no gelo com sinais de ter sido assassinado. O caso complica-se quando Christian Thydell, um amigo da vítima, começa a receber ameaças anónimas. Christian, cujo primeiro romance, A Sereia, acaba de ser publicado com grande sucesso, não aguenta a pressão e mostra as cartas anónimas a Erica Falk, que o tinha ajudado a rever o manuscrito. Erica entrega-as ao marido. Suspeitava há muito da existência de uma sombra ameaçadora na vida de Christian e está preocupada com o que possa vir a acontecer-lhe. Alguém tem um profundo ódio por ele, alguém aparentemente perturbado e instável que não hesitará em concretizar as suas ameaças. Apesar de estar no final de uma gravidez de gémeos, Erica procura encontrar respostas para as suas inquietações e essas respostas remetem para o passado e para uma história terrível.
 Logo de rajada, dirijo-me à D. Quixote e peço MAISSSSSS! Quero o próximo, quero todos desta autora. Não é novidade nenhuma que sou fã desta autora desde que li o primeiro desta série e, a cada livro terminado, fico sempre a aguardar ansiosamente o seguinte, mas este... é tortura não ter surgido ainda o volume seguinte cá em Portugal.
Camilla Läckberg foi para mim a melhor descoberta literária dos últimos anos e os livros dela dão sempre um novo fôlego às minhas leituras. Se já tinha gostado muito de Os Diários Secretos, este superou as expetativas e aquele final, meu Deus, aquele final... Convenhamos que é impróprio para cardíacos e para os fãs daquelas personagens que, ao sexto livro, já são quase reais e não apenas parte do imaginário literário.
O desenrolar da história deixa adivinhar algo ominoso, muito subliminar, em pequenos detalhes, mas está lá a sensação de que algo não bate certo, algo estranho se passa. E é com mestria, mais uma vez, que a autora nos conduz nesse sentido, sem nos apercebermos, até ao impacto final.
Foi mais uma vez ótimo rever Erica, Patrik e, pasmem-se, até o Mellberg. Mellberg foi das personagens literárias que mais me irritou e fiquei-lhe com um "pó" no primeiro livro que nunca achei possível simpatizar com o homem, mas tem tido uma evolução muito engraçada ao longo desta série e, mantendo as suas peculariedades, acaba também por cativar.
Em vez de perder o fôlego, Läckberg tem antes apurado a "receita" desde o primeiro livro e é das poucas autoras atuais que me faz apetecer prolongar a leitura dos seus livros, para saborear cada pedacinho e não ter de me despedir muito depressa das personagens. Ao 6.º livro de uma série, há que dar mesmo crédito a Camilla Läckberg, pois continua a conseguir conciliar personagens sólidas e interessantes com histórias intrigantes e uma escrita consistente, mantendo o leitor cativo, à espera do volume seguinte (sim, para quando?)... Uma autora para ler, reler e (a)guardar.

Morte na Aldeia, Caroline Graham

14 janeiro 2014

Badger’s Drift é a típica aldeia inglesa onde todos se conhecem e, aparentemente, nada acontece. Tem um vigário, um médico desastrado, umas quantas figuras excêntricas e uma solteirona amorosa, famosa pelas suas bolachas caseiras. Mas quando a velhinha morre subitamente, a sua melhor amiga não se conforma. Ela sabe que aquela morte não foi natural. O inspector-chefe Barnaby e o incansável sargento Troy não têm alternativa senão investigar. E o lado sombrio da pitoresca aldeia começa lentamente a ser revelado. Perante velhos ressentimentos e novas rivalidades, ódios intensos e paixões dissimuladas, Barnaby está cada vez mais alarmado. Infelizmente, um segundo e hediondo crime vai confirmar as suas piores suspeitas.
Quando este primeiro título da coleção Crime à Hora do Chá saiu, ficou-me logo debaixo de olho e o facto desta autora ser associada a Agatha Christie ainda aguçou mais a minha curiosidade.
Antes de mais, tenho de admitir que não vi nenhum episódio da série inspirada nos livros de Caroline Graham, "Midsomer Murders", por isso, pode dizer-se que parti mesmo "às cegas" para a leitura.
É um policial levezinho, com um cenário e personagens que remetem, de facto, para os livros de Agatha Christie, mas que se sustentam por si só. O enredo não é inovador, mas a escrita é bastante boa e prende até final. No fim, fiquei com vontade de ver a série.
Não sendo um livro absolutamente genial, é um bom mistério ideal para um dia de chuva, com uma boa mantinha e um chazinho a acompanhar.

Continua Desaparecida, Chevy Stevens

25 julho 2013

No dia em que foi raptada, Annie, de 32 anos, tinha três tarefas a cumprir: vender uma casa, esquecer uma discussão feia com a mãe e ir jantar com o namorado…
Intercalada com a história do ano em que foi prisioneira de um psicopata nas montanhas, narrada nas sessões que tem com a sua psiquiatra, surge a história do que se seguiu à sua fuga.
Um livro visceral, chocante e maravilhosamente narrado.
Não é por acaso que este livro foi um dos mais vendidos nos EUA em 2010. É de facto uma história contada magnificamente, fugindo às fórmulas habituais e algo "batidas" e com uma escrita tão boa que mantém o leitor envolto no enredo, mas, sobretudo, nos meandros da mente de Annie, ansiando para que ela desvende cada vez mais o que lhe aconteceu em cativeiro, mas também pós-cativeiro.
Ao longo das páginas, ouvimos em "primeira mão" a voz de Annie nas suas consultas com a psiquiatra, desvendando cada vez mais detalhes da terrível experiência que viveu, mas também do lento (e doloroso) processo do regresso à vida "normal", enquanto se tenta reencontrar... e é aí que o título assume um significado mais profundo, que se torna cada vez mais evidente até ao desenlace final. Achei o final um pouco mais fraquinho que o resto da história, mas sem peso suficiente para afetar a qualidade do resto da obra.
Não é um livro de ritmo rápido nem de leitura compulsiva, é um livro em que somos levados a acompanhar o progresso de Annie ao seu ritmo. É exigida paciência e perseverança ao leitor, mas sem que isso seja um sacrifício e talvez seja isso mesmo que enriquece esta experiência de leitura.
Chevy Stevens criou uma obra singular com o seu quê de mistério e policial, mas, acima de tudo, com uma narrativa forte e bem construída, conquistando em mim mais uma fã que aguarda a chegada de outros livros desta autora ao nosso país.

Onde Estarás?, Mary Higgins Clark

10 julho 2013

Decorreram dez anos desde que o jovem Charles MacKenzie, júnior, («Mack») desapareceu. No entanto, obedece a um ritual todos os anos: telefona à mãe no Dia da Mãe. Sempre que lhe liga, assegura-a de que está bem, recusa-se a responder às perguntas frenéticas que ela lhe faz e desliga. A irmã de Mack, Carolyn, sente que nunca será capaz de voltar a ter paz de espírito e dar continuidade à sua vida enquanto não encontrar o irmão.
Não estava contar regressar à leitura de obras de Mary Higgins Clark tão cedo, pois no ano passado li vários livros dela e os últimos que li acabaram mesmo por desiludir. Talvez tenha exagerado ao ler tantos livros quase seguidos da mesma autora e acabei por me aborrecer com o estilo. Daí ter este guardado na estante, à espera de "desenjoar". Mas, quando procurava uma boa leitura de praia, foi este livro que me chamou a atenção e saltou da estante para a beira-mar.
Regra geral, as minhas escolhas literárias por instinto acabam por se revelar certeiras e tive uma bela tarde de praia acompanhada por este livro. Não sei se foi MHC que se redimiu, se fui eu que me rendi novamente, mas a verdade é que li quase metade de uma assentada e fiquei com o "bichinho" para retomar o resto da história o mais brevemente possível.
É daquelas histórias típicas da autora, em que nos vai levando capítulo a capítulo a envolvermo-nos cada vez mais no mistério, a torcermos por algumas personagens e a criarmos conjeturas quanto ao sucedido e àquele que poderá ser o desenlace final.
Inicialmente, o leque de personagens parece vasto e até algo confuso, mas entra-se facilmente na história, se bem que não se crie facilmente conjeturas... Vai surgindo uma ou outra hipótese aqui e ali, mas nada de muito concreto, e é isso que leva a que a leitura entusiame até final.
Não é uma história inovadora nem uma leitura muito exigente ou complexa, mas é uma história MHC muito perto do seu melhor, que proporciona umas boas horas de leitura e que agradará sem dúvida aos fãs de policiais/mistérios mais levezinhos, mesmo indicados para esta altura do ano. 
Quanto a mim, foi, sem dúvida, um bom regresso a esta autora.

Para não perder o fio à meada...

30 junho 2013

O facto de ter andado desaparecida do blog não significa, felizmente, que as leituras tenham parado, mas o cansaço de trabalhar diariamente em frente ao ecrã do computador tem-me afastado das opiniões regulares neste cantinho. Quando tenho um bocadinho livre, tenho optado por "fugir" do portátil e isso implicou um certo abandono deste cantinho, algo que, confesso, já começava a pesar-me na consciência.
Para ver se isto entra nos eixos novamente e aproveitando esta vontade de retomar o ritmo, optei por fazer um post em que falarei resumidamente das leituras que fui fazendo durante este afastamento para depois retomar o ritmo habitual, sem assuntos pendentes.

Private, James Patterson
Sendo fã deste autor e tendo gostado imenso dos primeiros três volumes editados cá do Clube das Investigadoras, avancei para a leitura deste primeiro livro da série Private com muito entusiasmo, mas as expetativas saíram completamente goradas.
Um livro mediano, sem muito de thriller ou reviravoltas que entusiasmem. Nota-se que foi escrito mesmo para ser o início da série, apresentando as personagens centrais, mas, na minha opinião, descurando o enredo. Lê-se rapidamente, com capítulos bastante curtos, mas devido à falta de susbtância no enredo, não me sinto em nada inclinada a ler os volumes seguintes desta série. Dentro deste género, o próprio Patterson, tem melhor, muito melhor...

FABULOSO!
Follett no seu melhor e atrevo-me a dizer já que este primeiro volume da Trilogia O Século será a melhor leitura deste ano. 
Este livro merecia uma opinião mais completa e alargada, porque é de facto imperdível para os fãs não só deste autor, mas também de romances históricos centrados na época da Primeira Guerra Mundial, Revolução Russa e Movimento Sufragista.
Nota-se uma pesquisa cuidada do autor e um entrelaçar muito inteligente dos acontecimentos históricos com as personagens centrais, mas há que ressalvar que se trata de um romance histórico que se centra nas personagens e o foco no enredo implica algumas vezes que o autor seja um pouco conciso demais (e, por vezes, impreciso) em relação a determinados temas, como por exemplo a Revolução Russa e a amplitude da Primeira Guerra Mundial. Mas, no meio de uma obra com personagens tão bem construídas, numa época histórica tão rica, isso são apenas detalhes que não afetam em nada a qualidade desta obra como romance histórico. Uma obra a não perder e conto em breve ler o segundo volume!

Os livros desta autora foram uma grata surpresa nas minhas leituras de 2012 e já há algum tempo que pretendia voltar a reencontrar o casal Vik/Stubø.
Apesar de não ter desgostado desta história, ficou uns pontinhos abaixo dos dois volumes anteriores. No entanto, Holt conduz novamente com mestria um enredo intrigante. Tanto mistério e tantas personagens tiveram um efeito ambivalente. Se, por um lado, estava cada vez mais intrigada e queria ler mais, por outro, por vezes a leitura tornava-se cansativa e exigente. No entanto, o núcleo de personagens centrais é de tal forma sólido e interessante, que nunca pus em causa desistir da leitura e conto reencontrar em breve o casal Vik/Stubø.

Para Follett, fraquinho, fraquinho...
Não digo que seja uma má leitura, porque se assim fosse, tinha desistido muito antes do meio, mas prefiro de facto este autor na vertente espionagem ou histórico, com uma escrita mais rica e personagens com mais substância.
O tema base deste livro é interessante, mas falha no enredo e nas personagens. É uma história já muito "batida" no cinema, muito previsível e sem grande riqueza. Lê-se bem, é certo, mas esperava mais, muito mais...

Já tinha gostado de Uma Fracção de Segundo, que faz parte de uma outra série do mesmo autor, e tinha alguma expetativa em relação a este livro. Mais uma vez, tive dificuldade em entrar na história, mas, também mais uma vez, ao fim de alguns capítulos estava totalmente embrenhada. O autor mantém um ritmo digno de um filme de ação ao seu melhor nível, conjugando muito bem o enredo mais pessoal e romântico, com a parte de intriga e mistério. Atrevo-me a dizer que acabei por gostar até mais desta obra muito por causa da personagem central e da temática da "gestão de perceção", algo que  me remeteu para "Falta de Provas" de Harlan Coben, que li recentemente, e que também tinha esta temática subjacente, se bem que a um nível menor. Baldacci é altamente recomendável para quem procura bons livros de mistério/acção, com intrigas bem sustentadas e personagens sólidas.

Coben é dos meus autores preferidos e quase sempre os livros dele implicam uma ou duas noites de leitura compulsiva, pois tenho muita dificuldade em pousá-los sem saber mais e mais e mais...
No entanto, a leitura de "Morte no Bosque" foi muito mais lenta do que esperava. Nunca consegui sentir grande afinidade pelas personagens e pela intriga jurídica "secundária", apesar de perceber o seu propósito no enredo. E sempre que o autor se centrava nessa parte, eu perdia o ritmo de leitura.
Quanto à intriga central, em certos aspectos fez-me lembrar "Desaparecido Para Sempre", um dos meus preferidos de Coben, sendo inevitável fazer comparações e, comparativamente, este "Morte no Bosque" fica-lhe atrás.
Gostei, teve algumas surpresas, mas senti a falta do crescendo constante até ao desenlace final a que Coben me habituou noutros livros.

A Senhora dos Rios, Philippa Gregory

07 maio 2013

Jacquetta é casada com o Duque de Bedford, regente inglês da França, que lhe dá a conhecer um mundo misterioso de conhecimento e de alquimia. O único amigo de Jacquetta é o escudeiro do duque, Ricardo Woodville, que está a seu lado quando a morte do duque faz dela uma viúva jovem e rica. Os dois tornam-se amantes e casam em segredo, regressando à Inglaterra para servir na corte do jovem monarca Henrique VI, onde Jacquetta vem a ser uma amiga próxima e leal da sua nova rainha.
Depressa os Woodville conquistam uma posição no núcleo da corte de Lencastre, apesar de Jacquetta pressentir a crescente ameaça vinda do povo da Inglaterra e o perigo de rivais pretendentes ao trono. Mas nem a coragem e a lealdade dos Woodville bastam para manter no trono a Casa de Lencastre. Jacquetta luta pelo seu rei, pela sua rainha e pela sua filha Isabel, para quem prevê um futuro extraordinário e surpreendente: uma mudança de destino, o trono da Inglaterra e a rosa branca de Iorque.
Há muito tempo que não lia um romance histórico e andava com alguma vontade de voltar a este género. Depois de ter visto no blog A Corte dos Livros que estaria na calha uma série baseada na saga "A Guerra dos Primos", pareceu-me bem começar por esta saga. Como não tinha os livros na estante pela ordem correta, resolvi ir tirar dúvidas ao site da autora e em boa hora o fiz, pois a ordem de edição não corresponde à ordem cronológica ou histórica. Assim sendo, este terceiro livro da saga é o primeiro historicamente e por isso foi este o meu eleito para o regresso ao romance histórico.
Infelizmente, não foi um regresso fulgurante e custou-me um pouco a entrar nesta história. Não sei se foi por ter estudado esta época e estar muito a par dos factos, que me senti distante do relato mais emotivo e romanceado dos acontecimentos, mas a certa altura tive de me obrigar a continuar a leitura e não desistir. Ainda bem que o fiz, pois o interesse foi crescendo e a leitura tornando-se mais fluida e envolvente. No final, já estava com uma curiosidade imensa em relação ao volume seguinte.
Philippa Gregory escreve de facto muito bem este tipo de romances, onde dá um toque especial e muito seu aos acontecimentos históricos. Apesar de me ter custado um pouco a habituar ao estilo, há que reconhecer um livro bem escrito sobre uma época histórica muitíssimo interessante e rica.
Fica aqui para referência a ordem cronológica/histórica correta dos volumes já editados no nosso país:
- A Senhora dos Rios
- A Rainha Branca
- A Rainha Vermelha
- A Filha do Conspirador

Falta de Provas, Harlan Coben

16 abril 2013

1ªs páginas
Haley McWaid não é o tipo de adolescente que se meta em sarilhos. Por isso, quando uma noite não regressa a casa e três meses se passam sem que haja notícias suas, toda a gente na comunidade teme o pior. Wendy Tines é uma jornalista que desmascara predadores sexuais no seu programa de televisão. O seu alvo mais recente é Dan Mercer - que, ao que tudo indica, está envolvido no desaparecimento de Haley McWaid. Mas o instinto de Wendy diz-lhe que algo não bate certo. E se tiver denunciado o homem errado?
Finalmente, uma leitura compulsiva da primeira à última página, que me encheu as medidas e que me fez sentir vontade de andar sempre com o livro atrás de mim para ler mais um "bocadinho"!
Sempre que me perguntam por autores preferidos ou por sugestões a nível de thriller, Coben é o primeiro nome que me ocorre, precisamente pelo prazer que sinto ao ler os livros dele. São leituras compulsivas, com um ritmo rápido, uma intriga envolvente e algumas reviravoltas que surpreendem e, acima de tudo, prendem o leitor à história.
Além do suspense e ritmo que Coben imprime às suas histórias, tem ainda a habilidade de introduzir temas atuais e interessantes na intriga. Neste livro aborda a questão da fragilidade de qualquer pessoa perante a globalização e o poder da Internet na criação e credibilização de rumores e de falsos testemunhos, algo que me fez refletir e me deixou muito mais atenta e crítica a todo o universo de redes sociais e afins. Na intriga, este aspecto pode parecer secundário, mas a mim pareceu-me ser a questão fulcral e subjacente a tudo o resto.
Depois, há também a mestria com que o autor vai inserindo um pormenor aqui e outro ali que parecem insignificantes, mas que acabam por ser essenciais para se encaixar todas as peças, o que só acontece mesmo no final. 
Nos livros de Coben, nada acontece por acaso, não há pontas soltas e os "iscos" que o autor vai lançando servem para prender à história, mas também para levar à criação de teorias e hipóteses que serão gradualmente descartadas (ou não), até ao momento final em que as suspeitas se confirmam e/ou há surpresas. Seja como for, Coben não defrauda o leitor e consegue mesmo surpreender.
Sobre a história concretamente, não faz sentido eu falar muito, pois a magia de um bom thriller está mesmo no que não se sabe, mas que se vai descobrindo ao longo da leitura. Quanto a isso, a sinopse diz o suficiente para despertar a curiosidade e cabe ao leitor decidir ou não embarcar nesta viagem.
Apesar de Desaparecido Para Sempre continuar a ser o meu preferido, este Falta de Provas merece também estar no topo das minhas preferências, quanto mais não seja pelo novo fôlego que deu às minhas leituras. Coben, mais uma vez, criou uma história com um equilíbrio perfeito entre ação, suspense e mistério que me deu muito prazer ler e cujo final me fez sorrir, com direito ao meu momento "ahah, bem me parecia..." 
A minha melhor leitura, até agora, de 2013 e mais um thriller imperdível de Harlan Coben.

Vento Suão, Rosa Lobato de Faria

09 abril 2013

1ªs páginas
Quando faleceu, a 2 de fevereiro de 2010, Rosa Lobato de Faria deixou inacabado este Vento Suão. Pôs-se então a hipótese de pedir a um(a) autor(a) das suas relações que imaginasse um desenvolvimento para a história que a morte não deixara chegar ao fim e terminasse o livro inacabado. Depressa se concluiu, no entanto, que tal não era a melhor solução - primeiro, porque não se tinha a certeza de que a autora aprovasse essa inclusão de uma voz alheia no interior do seu próprio fluir narrativo; depois, porque, apesar de inacabado, o romance tinha o desenvolvimento suficiente para se deixar ler como um todo com sentido.

Aqui fica, pois, este Vento Suão tal e qual como Rosa Lobato de Faria o deixou. E como derradeira homenagem a uma escritora cuja obra teve como eixos fundamentais "a força da vida, o conhecimento profundo da realidade e do meio em que se agitam os seus fantoches ficcionais, o domínio das minúcias, o fôlego narrativo, a irrupção imparável de um vento negro de violência que impõe uma aura de tragédia intemporal ao que parece quase inócuo."
Eugénio Lisboa
Primeiro que tudo, impõe-se dar os parabéns à editora pela honestidade, coragem e homenagem à obra desta autora quando optou por publicar este "Vento Suão" tal como Rosa Lobato de Faria o deixou.
Na minha modesta opinião, esta escritora tem uma escrita tão característica onde a sua voz flui tão naturalmente, que se notaria a intrusão de qualquer outra pessoa, mesmo com as melhores intenções.
Obviamente, nota-se que é uma obra inacabada, que provavelmente a autora faria ajustes aqui e acolá, mas isso não retira mérito nem à história nem à escrita. É até muito interessante ver como a história foi fluindo da mente de Rosa Lobato de Faria diretamente para o papel. 
No final, é inevitável sentir alguma tristeza e/ou frustração por não ser possível sabermos como a autora concluiria a história e qual seria o destino final das personagens, mas isso revela-se também um bom exercício para a criatividade dos leitores... quem conhece a sua escrita dará por si a fechar o livro e a dedicar alguns momentos a imaginar "as cenas dos próximos capítulos". 
A morte intrometeu-se e levou Rosa Lobato de Faria a 2 de fevereiro de 2010, mas cada vez que leio uma das suas obras sinto que a sua voz perdura na forma natural e sincera como ela usava a palavra escrita para contar as suas histórias. O final deste livro ficou em aberto, mas a voz da autora perdura na mente de cada leitor que fechar esta obra e se deixar levar nas asas da imaginação pelas reticências finais.   

Pecados na Noite, Sherrilyn Kenyon

06 abril 2013

No universo dos Predadores da Noite existe um código de honra que até os imortais mais ousados devem seguir: Não magoar humanos. Não beber sangue. Nunca se apaixonar. Mas, de vez em quando, um Predador parece achar-se acima do código. É nessa altura que sou chamado. Quem sou eu? Sou a fúria que terá de enfrentar. Nada me pode tocar. Nada me pode deter. Sou implacável e insensível.
Ou assim pensava eu, até me cruzar com uma Predadora da Noite conhecida como Danger - e não o é apenas no nome, mas na forma como vive a vida. Não confia em mim. E quem sou eu para censurá-la? Apenas ela sabe que estou aqui para julgar, sentenciar e, muito provavelmente, executar os seus amigos.
Danger St. Richard é uma distração fatal. Algo nela conseguiu despertar um coração que eu julgava morto para sempre. Nesta corrida contra o mal, a única esperança da Humanidade é que eu cumpra o meu dever. Mas como poderei fazê-lo se isso significa sacrificar a única mulher que alguma vez amei?
Como andava numa fase de leituras menos boa e decidi pegar em livros mais leves, lembrei-me de retormar a leitura da Saga Predadores da Noite, de Sherrilyn Kenyon.
Não sou fã da chamada literatura paranormal e esta autora é a única desse género que consigo ler, sobretudo devido ao humor que ela costuma usar, mas também devido a uma personagem em particular, a Simi.
O último livro desta saga que li já foi há uns bons meses, se não mesmo há mais de um ano, mas não tinha perdido o fio à meada e entrei na história com bastante facilidade. O início e a personagem central deste livro, Alexion, faziam adivinhar uma grande história, mas a autora limitou-se aos "serviços mínimos" e não desenvolveu tanto quanto poderia o passado e a história das personagens centrais. 
É uma história demasiado rápida para duas personagens de personalidade tão rica, mas lê-se bem e cumpre o propósito de ser uma leitura leve. Foi bom rever Simi e companhia, ainda que por breves momentos, mas espero que os livros seguintes sejam mais ricos e tragam mais novidades a esta Saga.

Um Casamento no Natal, James Patterson e Richard DiLallo

02 abril 2013

1ªs páginas
Está tudo a postos para se festejar o Natal, mas este ano o maior motivo de celebração é o casamento de Gaby Summerhill. Desde que o marido morreu três anos antes, os seus quatro filhos seguiram rumos diferentes, consumidos pelos problemas das suas vidas. Mas quando Gaby anuncia que se vai casar - e que a identidade do noivo permanecerá secreta até ao dia do casamento - talvez assim consiga ter finalmente a família reunida. A partir de personagens envolventes e um enredo emotivo, Um Casamento no Natal lança um olhar luminoso sobre as relações familiares e a magia da época natalícia.

Uma noiva, três propostas de casamento... Quem será o escolhido?
Como estava com as leituras um bocado "encravadas" e precisava de algo ligeirinho para desanuviar, decidi pegar neste pequeno livro de James Patterson e Richard DiLallo.
Apesar de ter cumprido as expetativas relativamente a ser uma leitura ligeira, com os capítulos curtos e a história a ajudar, talvez tenha sido o livro de James Patterson que mais me desiludiu.
Eu sabia que era um livro e uma história romântica e não fui ao engano, mas com tanto mistério e secretismo ao longo de toda a primeira parte do livro, nunca pensei que o final fosse tão previsível e cor-de-rosa.
Senti que a história e o mistério iam em crescendo e que a segunda parte e o desenlace final foram quase forçosamente cor-de-rosa. Demasiado romântico e leve, até porque todos os elementos daquela família tinham histórias que permitiam mais profundidade e desenvolvimento. 
Mas com isto não digo que a história esteja mal contada. Não o está e James Patterson sabe de facto criar uma bela história, prendendo-nos ao livro e fazendo-nos sorrir e torcer pelas suas personagens. Eu é que não sou uma alma muito romântica e prefiro histórias com reviravoltas e algumas surpresas.
O mistério inicial entusiasmou-me, o final nem por isso. Foi uma leitura bastante rápida e fluída, mas totalmente direcionada a leitores muito mais românticos do que eu.

Cada Homem É Uma Raça, Mia Couto

26 março 2013

1ªs páginas
Inquirido sobre a sua raça, respondeu:
A minha raça sou eu, João Passarinheiro.
Convidado a explicar-se, acrescentou:
Minha raça sou eu mesmo. A pessoa é uma humanidade individual. Cada homem é uma raça, senhor polícia.
Ouvi pela primeira vez o nome de Mia Couto há uns bons anitos, quando ainda estudava no liceu, nos bons velhos tempos das Provas Globais. Lembro-me que numa dessas provas foi incluído um excerto de uma obra deste autor que, na altura, eu desconhecia e até pensava que seria uma mulher.
Alguns anos mais tarde, uma amiga ofereceu-me um livro de Mia Couto, "O Último Voo do Flamingo", e foi com essa obra que me apaixonei pela escrita deste autor moçambicano. Desde então, fui comprando quase todas as suas obras e lendo algumas, enquanto outras esperam pacientemente na estante pela sua vez.
Já há algum tempo que estava com vontade de revisitar a escrita mágica de Mia Couto e, desta vez, decidi-me por esta compilação de 11 contos escritos com a mestria e magia típicas deste autor, que "brinca" com as palavras, conferindo musicalidade ao texto. É essa musicalidade que nos envolve, encanta e transporta para terras distantes. Mia Couto é dos poucos autores lusófonos que me faz parar e reler determinadas frases, apenas pela sua beleza.
Cada conto é um retrato bem humorado de uma realidade geograficamente distante, mas que sentimos muito próxima precisamente pela forma como o autor a descreve. Mia Couto concilia muito bem a beleza da escrita e da nossa língua com as suas personagens e as suas histórias.
Mais uma vez Mia Couto não desiludiu e, apesar de eu preferir os seus romances, foi com muito prazer que li estas 11 pequenas histórias.

"Só um mundo novo nós queremos: 
o que tenha tudo de novo e nada de mundo."

Uma Casa de Família, Natasha Solomons

05 março 2013

Na primavera de 1938, a ameaça nazi paira sobre a Europa.
Em Viena, a família Landau vê desaparecer muitos dos seus amigos e teme pela sua segurança. Decidem fugir do país mas não poderão partir juntos. Elise, a filha mais nova, é enviada para Inglaterra, onde a espera um emprego como criada de uma família aristocrática. É a única forma de garantir a sua segurança. Para trás deixa uma vida privilegiada.
Em Tyneford, ela tenta encontrar o seu lugar na rígida hierarquia da casa. É agora uma das criadas, mas nunca antes trabalhou. Tem a educação e os hábitos da classe alta, mas não pertence à aristocracia. Enquanto areia as pratas e prepara as lareiras, usa as magníficas pérolas da mãe por baixo do uniforme. Sabe que deve limitar-se a servir, mas não consegue evitar o escândalo ao dançar com Kit, o filho do dono da casa. Juntos vão desafiar as convenções da severa aristocracia inglesa numa história de amor que tocará todos os que os rodeiam.
Em Tyneford, ela vai aprender que é possível ser mais do que uma pessoa. Viver mais do que uma vida. Amar mais do que uma vez.
Este livro anuncia logo na capa que é um romance para todos os fãs de "Downton Abbey" e contrariamente ao esperado isso deixou-me de pé atrás. Sou fã da série desde a primeira temporada e estava com receio de que esta história não lhe chegasse nem aos calcanhares, mas fui surpreendida.
Este livro dava, por si só, uma bela minissérie, com um cenário deslumbrante e personagens cativantes, num enredo que decorre numa das épocas da História Mundial que considero mais interessantes.
A escrita de Natasha Solomons prende-nos logo no início e torna-se inevitável acompanharmos Elise na sua longa viagem não só física, mas também psicológica. Vemos em primeira mão Elise crescer, mudar e deixar-se moldar, abrindo-se ao amor, à amizade e ao amadurecimento a que a guerra, por diversas circunstâncias, a obriga.
Tive pena que a história acabasse tão depressa e que tenha havido um salto temporal no final muito repentino que me deixou algumas questões quanto à evolução de vários aspetos da história. Queria saber mais e estar mais algum tempo a acompanhar aquelas personagens. Queria também o pós-guerra... Mas foi bom conhecer Tyneford, as suas gentes e o seu destino.
É difícil falar deste livro sem revelar muito do enredo e por isso vou limitar-me a dizer que os fãs da série não se sentirão defraudados e, apesar das devidas diferenças, esta é uma bela história de época que vale a pena ler.

Numa Fracção de Segundo, David Baldacci

04 março 2013

De facto, numa fracção de segundo, King assistiu à sua própria impassibilidade perante aquele assassinato e ao desmoronar de uma carreira promissora. Volvidos oitos anos, a história teima em repetir-se, somente com duas diferenças: o cenário e os intervenientes. É época de eleições, o candidato chama-se John Bruno e Michelle Maxwell é a jovem agente que lhe dá protecção. Mas eis que do nada o impensável acontece: John desaparece misteriosamente e, tal como King, também Michelle sabe que a sua carreira se colapsa naquele momento. É então que os caminhos de King e de Michelle se cruzam e juntos investigam não só este desaparecimento, mas sobretudo o homicídio de há oito anos. Um thriller psicológico cujo enredo se vai construindo peça a peça, tal qual um puzzle.
Após o lançamento editorial de Os Inocentes, fiquei com bastante curiosidade de me estrear na leitura de obras de David Baldacci e comecei por este livro que já estava na estante há imenso tempo.
Numa Fracção de Segundo trata-se do primeiro volume de uma série que tem como personagens centrais Sean King e Michelle Maxwell. Infelizmente, ainda só foi traduzido para português este volume, mas sem dúvida que os restantes volumes (já 5 na versão original) seriam uma mais-valia na coleção O Fio da Navalha da Presença ou até na Minutos Contados.
Quanto a este livro e à história, gostei até mais do que estava à espera. Apesar de me ter custado um bocadinho a entrar na história, após dois ou três capítulos já estava totalmente embrenhada na leitura e difícil era para de ler.
O autor tem um estilo de escrita muito cinematográfico e com os seus capítulos relativamente curtos, imprime com mestria um ritmo bastante rápido e envolvente à história, levando o leitor a querer avançar o mais depressa possível, juntando as peças e tentando sempre descortinar quem são os "bons" e os "maus"... Mas categorizar as personagens acaba por não ser tão linear como parece e isso também ajuda a manter o mistério e o interesse até final.
A certa altura, eu tinha já os meus suspeitos, mas não perdi o interesse na história, pois sentia sempre que me faltava qualquer peça no enigma para ver as minhas suspeitas totalmente confirmadas. Acabaram por não se confirmar totalmente e quando já não esperava, fui surpreendida e mantive-me embrenhada na história até à última página.
Foi com pena que me despedi de Sean e Michelle, mas aguardo com expectativa novas aventuras desta dupla promissora. De qualquer forma, foi uma ótima estreia e espero voltar a ler David Baldacci em breve. 

Dois Anos e Uma Eternidade, Karen Kingsbury

21 fevereiro 2013

Molly Allen vive sozinha em Portland. Na memória guarda os momentos felizes que viveu na livraria A Ponte — a mais antiga livraria no centro histórico de Franklin, com um homem que deixou para trás cinco anos antes. O amor que os uniu era de uma espécie rara, arrebatadora, que ela não voltou a encontrar desde então.

Ryan Kelly é músico e vive em Nashville. Depois de um noivado falhado e de vários anos em digressão, também ele tem dificuldade em reencontrar a felicidade. Por vezes, quando se sente mais solitário, regressa à livraria e recorda as horas que partilhou secretamente com Molly.

Charlie e Donna Barton são os donos da livraria A ponte, e durante quatro décadas partilharam com os clientes o amor pela leitura. Mas quando a cidade é atingida pelas cheias, Charlie entra em desespero. Sente-se prestes a perder as duas paixões da sua vida: a livraria, que construiu e acarinhou ao longo dos anos, e a mulher, Donna, que não mais conseguirá sustentar. Quando a tragédia acontece, leva a um reencontro inesperado entre Molly e Ryan.
Não fosse ter lido há uns anos os outros dois livros desta autora publicados por cá (Mil Amanhãs e Uma Vida Quase Perfeita), talvez este novo lançamento da TopSeller me passasse ao lado, mas, como tinha adorado os dois livros que lera anteriormente, este não me passou despercebido.
Com uma livraria no centro de toda a narrativa, a história vai-se desenrolando de forma previsível, mas mesmo assim cativante. Através das perspectivas das várias personagens, vamos acompanhando essencialmente quatro pessoas (dois casais) que têm como "ponte" entre si os livros e, mais especificamente, a livraria A Ponte. 
Jane Eyre de Charlotte Brontë é a obra referida várias vezes ao longo desta história e que tem um papel fulcral em momentos chave.
Apesar de ter gostado, senti que a meio a história ia perdendo o fulgor, ganhando novo ritmo nos capítulos finais, acabando por demonstrar como os livros, um livreiro e pequenos gestos podem mudar vidas para sempre. 
Com êxito internacional mais do que firmado, Karen Kingsbury é uma ótima aposta da TopSeller a nível de romance, apelando às almas mais românticas que procurem um livro enternecedor, sereno e cor-de-rosa, cheio de esperança no Deus das segundas oportunidades... 

Carta à Minha Filha, Maya Angelou

17 fevereiro 2013

 Dedicado à filha que nunca teve, Carta À Minha Filha mostra o percurso de Maya Angelou até alcançar uma vida boa e com sentido. Escrito no seu estilo inimitável, este livro está acima de qualquer género ou categoria: é ao mesmo tempo um livro de pequenas histórias, um livro de memórias, mas também um livro de poesia - e é um prazer absoluto.

Em pequenos e fascinantes textos, Maya Angelou permite-nos vislumbrar alguns aspectos da vida tumultuosa que a levou à posição cimeira que ocupa nas letras americanas e lhe ensinou lições de solidariedade e de força: a sua educação por uma avó insubmissa no ambiente de segregação racial do Arkansas, a sua vida a partir dos treze anos com a mãe, uma pessoa muito mais mundana e menos religiosa, até se transformar numa adolescente meio desajeitada, cuja primeira experiência de sexo sem amor a deixou, paradoxalmente, com a sua maior dádiva, um filho.

Maya Angelou escreve do coração para milhões de mulheres que considera fazerem parte da sua família. Como sempre acontece com as suas obras, Carta À Minha Filha é um livro que encanta e ensina. É um livro para estimar, saborear, ler várias vezes e partilhar.
A sinopse diz tudo, ou quase tudo, sobre este pequeno livrinho que me proporcionou algumas horas de uma leitura serena e tranquila, embalada pela voz da autora, como se Maya Angelou estivesse mesmo ali, a falar-me da sua vida e das pequenas grandes lições que foi aprendendo ao longo de vários episódios e que quer partilhar com todas as suas "filhas".
Trata-se não só de uma história de vida, mas também de um pequeno livro de instruções para a vida. Pequenos textos escritos de uma forma intimista e sem floreados, mas com candura e algum humor, que transmitem bem a voz e as vivências da autora e que permanecem muito além da última página...

"A minha alma irá sempre olhar para trás e admirar-se com as montanhas que subi, os rios que atravessei e os desafios que ainda tenho pela frente. Fico mais forte por saber isso. (...)
Sou uma ave enorme que sobrevoa altas montanhas e vales serenos. Sou uma sucessão de ondas num mar de prata. Sou uma pequena folha surgida na Primavera, trémula pelo entusiasmo de saber que vai crescer em toda a sua plenitude. (...)" 
 

Imperdoável, Patricia MacDonald

07 fevereiro 2013

Maggie tentou esquecer. O corpo do homem que amou. O sangue a ensopar a neve. O escandaloso julgamento por homicídio. Os doze anos de tormento. A punição horrenda. Agora estava livre… livre para iniciar uma nova vida. Sozinha. Incógnita. A vida na pacata ilha de Heron’s Neck, ao largo da costa da Nova Inglaterra, era calma, até o terror começar. De novo. Alguém estava disposto a transformar a sua vida num pesadelo sem fim. Alguém queria ensinar-lhe que não havia refúgios nem fuga possível para o... imperdoável.
Uma sinopse assim fez-me antever uma leitura envolvente e até compulsiva, mas não podia estar mais enganada.
Podia estar para aqui com imensos rodeios, mas basta dizer que é uma história fraquinha. A certa altura comecei mesmo a ler na diagonal para não desistir totalmente e foi com esforço que cheguei ao fim. Finda a leitura, ficou-me a questão: "É só isto? Bahhh..."
Lê-se, não é péssimo, mas é fraquinho, e a história tinha por onde dar muito mais.

A Culpa é das Estrelas, John Green

05 fevereiro 2013

Apesar do milagre da medicina que fez diminuir o tumor que a atacara há alguns anos, Hazel nunca tinha conhecido outra situação que não a de doente terminal, sendo o capítulo final da sua vida parte integrante do seu diagnóstico. Mas com a chegada repentina ao Grupo de Apoio dos Miúdos com Cancro de uma atraente reviravolta de seu nome Augustus Waters, a história de Hazel vê-se agora prestes a ser completamente rescrita.
Geralmente, quando há uma febre literária relativamente a algum título, costumo evitar ler as opiniões inflamadas e adio a leitura até passar o auge do entusiasmo geral. Aconteceu isto neste caso, apesar de ser quase inevitável deparar com uma ou outra opinião entusiasta pela blogosfera aquando do lançamento deste livro. 
A minha curiosidade acabou por levar-me a iniciar a leitura muito antes do esperava, com as expectativas ainda em bastante em alta. E expectativas em alta, em geral, é receita para o desastre... Neste caso, não o foi totalmente, mas esperava realmente algo de mais extraordinário e avassalador. 
A minha experiência de leitura foi algo diferente da experiência da maioria dos leitores desta obra de John Green. Sim, houve momentos em que oscilei entre o sorriso e a lágrima quase a cair. A leitura foi fluida e envolvente, a  Hazel Grace cativou-me logo e gostei de acompanhar o percurso dela (queria mais, até), mas não foi um livro absolutamente marcante. Gostei da forma como o autor aborda a doença, sobretudo através da Hazel Grace, com um certo humor e crueza, e foi isso que me fez continuar a leitura até final. No entanto, esperava mais, não o achei fabuloso, genial ou devastador, como foi adjetivado.
Achei simplesmente uma boa leitura, com personagens bem retratadas e uma forma relativamente diferente de abordar a doença e a vida. Gostava de me ter sentido mais tocada por este livro, mas como é dito recorrentemente ao longo da obra: "O mundo não é uma fábrica de desejos".
Resumindo, vale a pena ler, mas cuidado com as expectativas demasiado elevadas... 
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