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A Sombra da Sereia, Camilla Läckberg

16 janeiro 2014

Um homem desaparece misteriosamente em Fjällbacka e, apesar de todos os esforços de Patrik Hedstrom e dos seus colegas da Polícia, ninguém sabe se está vivo ou morto.
Meses mais tarde, é encontrado no gelo com sinais de ter sido assassinado. O caso complica-se quando Christian Thydell, um amigo da vítima, começa a receber ameaças anónimas. Christian, cujo primeiro romance, A Sereia, acaba de ser publicado com grande sucesso, não aguenta a pressão e mostra as cartas anónimas a Erica Falk, que o tinha ajudado a rever o manuscrito. Erica entrega-as ao marido. Suspeitava há muito da existência de uma sombra ameaçadora na vida de Christian e está preocupada com o que possa vir a acontecer-lhe. Alguém tem um profundo ódio por ele, alguém aparentemente perturbado e instável que não hesitará em concretizar as suas ameaças. Apesar de estar no final de uma gravidez de gémeos, Erica procura encontrar respostas para as suas inquietações e essas respostas remetem para o passado e para uma história terrível.
 Logo de rajada, dirijo-me à D. Quixote e peço MAISSSSSS! Quero o próximo, quero todos desta autora. Não é novidade nenhuma que sou fã desta autora desde que li o primeiro desta série e, a cada livro terminado, fico sempre a aguardar ansiosamente o seguinte, mas este... é tortura não ter surgido ainda o volume seguinte cá em Portugal.
Camilla Läckberg foi para mim a melhor descoberta literária dos últimos anos e os livros dela dão sempre um novo fôlego às minhas leituras. Se já tinha gostado muito de Os Diários Secretos, este superou as expetativas e aquele final, meu Deus, aquele final... Convenhamos que é impróprio para cardíacos e para os fãs daquelas personagens que, ao sexto livro, já são quase reais e não apenas parte do imaginário literário.
O desenrolar da história deixa adivinhar algo ominoso, muito subliminar, em pequenos detalhes, mas está lá a sensação de que algo não bate certo, algo estranho se passa. E é com mestria, mais uma vez, que a autora nos conduz nesse sentido, sem nos apercebermos, até ao impacto final.
Foi mais uma vez ótimo rever Erica, Patrik e, pasmem-se, até o Mellberg. Mellberg foi das personagens literárias que mais me irritou e fiquei-lhe com um "pó" no primeiro livro que nunca achei possível simpatizar com o homem, mas tem tido uma evolução muito engraçada ao longo desta série e, mantendo as suas peculariedades, acaba também por cativar.
Em vez de perder o fôlego, Läckberg tem antes apurado a "receita" desde o primeiro livro e é das poucas autoras atuais que me faz apetecer prolongar a leitura dos seus livros, para saborear cada pedacinho e não ter de me despedir muito depressa das personagens. Ao 6.º livro de uma série, há que dar mesmo crédito a Camilla Läckberg, pois continua a conseguir conciliar personagens sólidas e interessantes com histórias intrigantes e uma escrita consistente, mantendo o leitor cativo, à espera do volume seguinte (sim, para quando?)... Uma autora para ler, reler e (a)guardar.

Morte na Aldeia, Caroline Graham

14 janeiro 2014

Badger’s Drift é a típica aldeia inglesa onde todos se conhecem e, aparentemente, nada acontece. Tem um vigário, um médico desastrado, umas quantas figuras excêntricas e uma solteirona amorosa, famosa pelas suas bolachas caseiras. Mas quando a velhinha morre subitamente, a sua melhor amiga não se conforma. Ela sabe que aquela morte não foi natural. O inspector-chefe Barnaby e o incansável sargento Troy não têm alternativa senão investigar. E o lado sombrio da pitoresca aldeia começa lentamente a ser revelado. Perante velhos ressentimentos e novas rivalidades, ódios intensos e paixões dissimuladas, Barnaby está cada vez mais alarmado. Infelizmente, um segundo e hediondo crime vai confirmar as suas piores suspeitas.
Quando este primeiro título da coleção Crime à Hora do Chá saiu, ficou-me logo debaixo de olho e o facto desta autora ser associada a Agatha Christie ainda aguçou mais a minha curiosidade.
Antes de mais, tenho de admitir que não vi nenhum episódio da série inspirada nos livros de Caroline Graham, "Midsomer Murders", por isso, pode dizer-se que parti mesmo "às cegas" para a leitura.
É um policial levezinho, com um cenário e personagens que remetem, de facto, para os livros de Agatha Christie, mas que se sustentam por si só. O enredo não é inovador, mas a escrita é bastante boa e prende até final. No fim, fiquei com vontade de ver a série.
Não sendo um livro absolutamente genial, é um bom mistério ideal para um dia de chuva, com uma boa mantinha e um chazinho a acompanhar.

Para não perder o fio à meada...

30 junho 2013

O facto de ter andado desaparecida do blog não significa, felizmente, que as leituras tenham parado, mas o cansaço de trabalhar diariamente em frente ao ecrã do computador tem-me afastado das opiniões regulares neste cantinho. Quando tenho um bocadinho livre, tenho optado por "fugir" do portátil e isso implicou um certo abandono deste cantinho, algo que, confesso, já começava a pesar-me na consciência.
Para ver se isto entra nos eixos novamente e aproveitando esta vontade de retomar o ritmo, optei por fazer um post em que falarei resumidamente das leituras que fui fazendo durante este afastamento para depois retomar o ritmo habitual, sem assuntos pendentes.

Private, James Patterson
Sendo fã deste autor e tendo gostado imenso dos primeiros três volumes editados cá do Clube das Investigadoras, avancei para a leitura deste primeiro livro da série Private com muito entusiasmo, mas as expetativas saíram completamente goradas.
Um livro mediano, sem muito de thriller ou reviravoltas que entusiasmem. Nota-se que foi escrito mesmo para ser o início da série, apresentando as personagens centrais, mas, na minha opinião, descurando o enredo. Lê-se rapidamente, com capítulos bastante curtos, mas devido à falta de susbtância no enredo, não me sinto em nada inclinada a ler os volumes seguintes desta série. Dentro deste género, o próprio Patterson, tem melhor, muito melhor...

FABULOSO!
Follett no seu melhor e atrevo-me a dizer já que este primeiro volume da Trilogia O Século será a melhor leitura deste ano. 
Este livro merecia uma opinião mais completa e alargada, porque é de facto imperdível para os fãs não só deste autor, mas também de romances históricos centrados na época da Primeira Guerra Mundial, Revolução Russa e Movimento Sufragista.
Nota-se uma pesquisa cuidada do autor e um entrelaçar muito inteligente dos acontecimentos históricos com as personagens centrais, mas há que ressalvar que se trata de um romance histórico que se centra nas personagens e o foco no enredo implica algumas vezes que o autor seja um pouco conciso demais (e, por vezes, impreciso) em relação a determinados temas, como por exemplo a Revolução Russa e a amplitude da Primeira Guerra Mundial. Mas, no meio de uma obra com personagens tão bem construídas, numa época histórica tão rica, isso são apenas detalhes que não afetam em nada a qualidade desta obra como romance histórico. Uma obra a não perder e conto em breve ler o segundo volume!

Os livros desta autora foram uma grata surpresa nas minhas leituras de 2012 e já há algum tempo que pretendia voltar a reencontrar o casal Vik/Stubø.
Apesar de não ter desgostado desta história, ficou uns pontinhos abaixo dos dois volumes anteriores. No entanto, Holt conduz novamente com mestria um enredo intrigante. Tanto mistério e tantas personagens tiveram um efeito ambivalente. Se, por um lado, estava cada vez mais intrigada e queria ler mais, por outro, por vezes a leitura tornava-se cansativa e exigente. No entanto, o núcleo de personagens centrais é de tal forma sólido e interessante, que nunca pus em causa desistir da leitura e conto reencontrar em breve o casal Vik/Stubø.

Para Follett, fraquinho, fraquinho...
Não digo que seja uma má leitura, porque se assim fosse, tinha desistido muito antes do meio, mas prefiro de facto este autor na vertente espionagem ou histórico, com uma escrita mais rica e personagens com mais substância.
O tema base deste livro é interessante, mas falha no enredo e nas personagens. É uma história já muito "batida" no cinema, muito previsível e sem grande riqueza. Lê-se bem, é certo, mas esperava mais, muito mais...

Já tinha gostado de Uma Fracção de Segundo, que faz parte de uma outra série do mesmo autor, e tinha alguma expetativa em relação a este livro. Mais uma vez, tive dificuldade em entrar na história, mas, também mais uma vez, ao fim de alguns capítulos estava totalmente embrenhada. O autor mantém um ritmo digno de um filme de ação ao seu melhor nível, conjugando muito bem o enredo mais pessoal e romântico, com a parte de intriga e mistério. Atrevo-me a dizer que acabei por gostar até mais desta obra muito por causa da personagem central e da temática da "gestão de perceção", algo que  me remeteu para "Falta de Provas" de Harlan Coben, que li recentemente, e que também tinha esta temática subjacente, se bem que a um nível menor. Baldacci é altamente recomendável para quem procura bons livros de mistério/acção, com intrigas bem sustentadas e personagens sólidas.

Coben é dos meus autores preferidos e quase sempre os livros dele implicam uma ou duas noites de leitura compulsiva, pois tenho muita dificuldade em pousá-los sem saber mais e mais e mais...
No entanto, a leitura de "Morte no Bosque" foi muito mais lenta do que esperava. Nunca consegui sentir grande afinidade pelas personagens e pela intriga jurídica "secundária", apesar de perceber o seu propósito no enredo. E sempre que o autor se centrava nessa parte, eu perdia o ritmo de leitura.
Quanto à intriga central, em certos aspectos fez-me lembrar "Desaparecido Para Sempre", um dos meus preferidos de Coben, sendo inevitável fazer comparações e, comparativamente, este "Morte no Bosque" fica-lhe atrás.
Gostei, teve algumas surpresas, mas senti a falta do crescendo constante até ao desenlace final a que Coben me habituou noutros livros.

Falta de Provas, Harlan Coben

16 abril 2013

1ªs páginas
Haley McWaid não é o tipo de adolescente que se meta em sarilhos. Por isso, quando uma noite não regressa a casa e três meses se passam sem que haja notícias suas, toda a gente na comunidade teme o pior. Wendy Tines é uma jornalista que desmascara predadores sexuais no seu programa de televisão. O seu alvo mais recente é Dan Mercer - que, ao que tudo indica, está envolvido no desaparecimento de Haley McWaid. Mas o instinto de Wendy diz-lhe que algo não bate certo. E se tiver denunciado o homem errado?
Finalmente, uma leitura compulsiva da primeira à última página, que me encheu as medidas e que me fez sentir vontade de andar sempre com o livro atrás de mim para ler mais um "bocadinho"!
Sempre que me perguntam por autores preferidos ou por sugestões a nível de thriller, Coben é o primeiro nome que me ocorre, precisamente pelo prazer que sinto ao ler os livros dele. São leituras compulsivas, com um ritmo rápido, uma intriga envolvente e algumas reviravoltas que surpreendem e, acima de tudo, prendem o leitor à história.
Além do suspense e ritmo que Coben imprime às suas histórias, tem ainda a habilidade de introduzir temas atuais e interessantes na intriga. Neste livro aborda a questão da fragilidade de qualquer pessoa perante a globalização e o poder da Internet na criação e credibilização de rumores e de falsos testemunhos, algo que me fez refletir e me deixou muito mais atenta e crítica a todo o universo de redes sociais e afins. Na intriga, este aspecto pode parecer secundário, mas a mim pareceu-me ser a questão fulcral e subjacente a tudo o resto.
Depois, há também a mestria com que o autor vai inserindo um pormenor aqui e outro ali que parecem insignificantes, mas que acabam por ser essenciais para se encaixar todas as peças, o que só acontece mesmo no final. 
Nos livros de Coben, nada acontece por acaso, não há pontas soltas e os "iscos" que o autor vai lançando servem para prender à história, mas também para levar à criação de teorias e hipóteses que serão gradualmente descartadas (ou não), até ao momento final em que as suspeitas se confirmam e/ou há surpresas. Seja como for, Coben não defrauda o leitor e consegue mesmo surpreender.
Sobre a história concretamente, não faz sentido eu falar muito, pois a magia de um bom thriller está mesmo no que não se sabe, mas que se vai descobrindo ao longo da leitura. Quanto a isso, a sinopse diz o suficiente para despertar a curiosidade e cabe ao leitor decidir ou não embarcar nesta viagem.
Apesar de Desaparecido Para Sempre continuar a ser o meu preferido, este Falta de Provas merece também estar no topo das minhas preferências, quanto mais não seja pelo novo fôlego que deu às minhas leituras. Coben, mais uma vez, criou uma história com um equilíbrio perfeito entre ação, suspense e mistério que me deu muito prazer ler e cujo final me fez sorrir, com direito ao meu momento "ahah, bem me parecia..." 
A minha melhor leitura, até agora, de 2013 e mais um thriller imperdível de Harlan Coben.

Numa Fracção de Segundo, David Baldacci

04 março 2013

De facto, numa fracção de segundo, King assistiu à sua própria impassibilidade perante aquele assassinato e ao desmoronar de uma carreira promissora. Volvidos oitos anos, a história teima em repetir-se, somente com duas diferenças: o cenário e os intervenientes. É época de eleições, o candidato chama-se John Bruno e Michelle Maxwell é a jovem agente que lhe dá protecção. Mas eis que do nada o impensável acontece: John desaparece misteriosamente e, tal como King, também Michelle sabe que a sua carreira se colapsa naquele momento. É então que os caminhos de King e de Michelle se cruzam e juntos investigam não só este desaparecimento, mas sobretudo o homicídio de há oito anos. Um thriller psicológico cujo enredo se vai construindo peça a peça, tal qual um puzzle.
Após o lançamento editorial de Os Inocentes, fiquei com bastante curiosidade de me estrear na leitura de obras de David Baldacci e comecei por este livro que já estava na estante há imenso tempo.
Numa Fracção de Segundo trata-se do primeiro volume de uma série que tem como personagens centrais Sean King e Michelle Maxwell. Infelizmente, ainda só foi traduzido para português este volume, mas sem dúvida que os restantes volumes (já 5 na versão original) seriam uma mais-valia na coleção O Fio da Navalha da Presença ou até na Minutos Contados.
Quanto a este livro e à história, gostei até mais do que estava à espera. Apesar de me ter custado um bocadinho a entrar na história, após dois ou três capítulos já estava totalmente embrenhada na leitura e difícil era para de ler.
O autor tem um estilo de escrita muito cinematográfico e com os seus capítulos relativamente curtos, imprime com mestria um ritmo bastante rápido e envolvente à história, levando o leitor a querer avançar o mais depressa possível, juntando as peças e tentando sempre descortinar quem são os "bons" e os "maus"... Mas categorizar as personagens acaba por não ser tão linear como parece e isso também ajuda a manter o mistério e o interesse até final.
A certa altura, eu tinha já os meus suspeitos, mas não perdi o interesse na história, pois sentia sempre que me faltava qualquer peça no enigma para ver as minhas suspeitas totalmente confirmadas. Acabaram por não se confirmar totalmente e quando já não esperava, fui surpreendida e mantive-me embrenhada na história até à última página.
Foi com pena que me despedi de Sean e Michelle, mas aguardo com expectativa novas aventuras desta dupla promissora. De qualquer forma, foi uma ótima estreia e espero voltar a ler David Baldacci em breve. 

O Luar Fica-te Bem, Mary Higgins Clark

15 fevereiro 2012

Editora: Círculo de Leitores
Páginas: 254
Categoria: Mistério/Thriller, Policial
Numa festa em Manhattan, Maggie Holloway, uma bem sucedida fotógrafa de moda, fica maravilha com o reencontro com a sua adorada madrasta. Nuala Moore é agora viúva e fica deliciada por rever a enteada, convidando Maggie para passar algumas semanas na sua casa, em Newport, Rhode Island.
Mas, quando Maggie chega, encontra Nuala assassinada, aparentemente, por um ladrão. Destroçada, Maggie fica a saber que herdou a maravilhosa casa vitoriana de Nuala... e fica horrorizada quando começa a suspeitar que a morte de Nuala não foi aleatória, mas faria parte de uma trama diabólica fruto de uma mente perturbada. Quando a melhor amiga de Nuala, Greta Shipley, morre subitamente presumivelmente de causas naturais, Maggie fica convencida que há alguma ligação entre estas duas mortes e outras mortes recentes de idosas de Newport. Mas não se apercebe que se tornou, ela própria, um alvo para o assassino e cada pista que descobre aproxima-a mais de um destino inimaginável.

Andava na estante à procura de um livro que me garantisse algumas boas horas de leitura, sem ter de arrastar muito a sua estadia na mesinha de cabeceira. Este saltou logo à vista, porque, regra geral, os livros de Mary Higgins Clark são mistérios levezinhos que prendem e que são devorados num instante.
No entanto, este teve um começo que quase me fez desanimar. A história demora um bocado a chegar à parte interessante e empolgante e o início é quase banal e aborrecido, prolongando-se por umas quantas páginas a mais do que seria, aparentemente, necessário. Mas, depois, faz algum sentido o que me pareceu "tempo perdido" no início, pois aí foram logo definidos traços das personagens que me conduziram ao longo da história num determinado sentido... e são esses traços das personagens que a autora define no início que alicerçam o mistério e as eventuais surpresas na intriga.
Trata-se de uma história com bastantes personagens, o que, por vezes, me chegou a confundir, mas, também isso tem o seu fundamento, e assim se adensa o mistério.
Do meio para o final, foi uma leitura típica de um livro de Mary Higgins Clark, ou seja, quase compulsiva para deslindar os fios emaranhados ao longo da história. Não querendo revelar mais do que o necessário, para não estragar a leitura a ninguém, resta-me dizer que não sendo um policial de fazer cair o queixo, tem algumas surpresas e ingredientes que prendem à história e, mais uma vez, Mary Higgins Clark proporcionou-me umas belas horas de leitura, alimentando o meu vício por um bom mistério...

Gritos do Passado, Camilla Läckberg

02 junho 2011

Editora: D. Quixote
Páginas: 432
Categoria: Policial


"Numa manhã de um Verão particularmente quente, um rapazinho brinca nas rochas em Fjällbacka - o pequeno porto turístico onde decorreu a acção de A Princesa de Gelo - quando se depara com o cadáver de uma mulher. A polícia confirma rapidamente que se tratou de um crime, mas o caso complica-se com a descoberta, no mesmo sítio de dois esqueletos. O inspector Patrick Hedström é encarregado da investigação naquele período estival em que o incidente poderia fazer fugir os turistas, mas, sem testemunhas, sem elementos determinantes, a polícia não pode fazer mais do que esperar os resultados das análises dos serviços especiais. Entretanto, Erica Falk, nas últimas semanas de gravidez, decide ajudar Patrick pesquisando informações na biblioteca local e novas revelações começam a dar forma ao quadro: os esqueletos são certamente de duas jovens desaparecidas há mais de vinte anos, Mona e Siv. Volta assim à ribalta a família Hult, cujo patriarca, Ephraim, magnetizava as multidões acompanhado dos dois filhos, os pequenos Gabriel e Johannes, dotados de poderes curativos. Depois dessa época, e de um estranho suicídio, a família dividiu-se em dois ramos que agora se odeiam."
Fiquei muito entusiasmada com o primeiro livro de Camilla Läckberg e andava ansiosa por poder voltar a pegar numa obra dela. Fui adiando, porque sei que quando leio duas obras do mesmo autor muito seguidas, a segunda sabe-me a pouco. E foi o que aconteceu… Parece que não intervalei o suficiente as duas leituras para ter bastante distanciamento de “A Princesa de Gelo” de forma a fazer uma leitura menos comparativa deste “Gritos do Passado”.

Ou seja, o mais certo é que se lesse “Gritos do Passado” daqui a mais uns meses, teria delirado novamente, mas como ainda estava muito fresca a memória do impacto de “A Princesa de Gelo”, achei que esta segunda obra soube a pouco, apesar de continuar a achar que os policiais de Camilla Läckberg são excelentes.

No entanto, neste livro, onde reencontramos Patrick e Erica e mais algumas personagens secundárias, não senti tantas dúvidas e tanto mistério assim a envolver os homicídios. Os motivos eram dúbios, as personagens mais que muitas, mas suspeitos credíveis, na minha opinião, só havia dois e um deles era mesmo o culpado (não vou dizer quem, claro.) A dúvida estaria no motivo, mas mesmo assim, as reviravoltas não foram assim tão grandes e surpreendentes.

Acho que o facto de andar a saltar entre membros da família Hult e de haver tantas personagens a pulular aqui e ali, me fez dispersar um pouco mais na atenção ao fio condutor da história. Senti a falta do lento desenrolar no novelo do mistério do primeiro livro. Senti a falta dos indícios surgirem pouco a pouco, atraindo-nos mais ainda para a história. Senti a falta dos suspeitos inesperados e das reviravoltas e surpresas.

Se por um lado, neste livro há imensas personagens que acabaram por me fazer desconcentrar algumas vezes, por outro lado, gostei do facto de ficarmos a conhecer melhor algumas personagens centrais, como os colegas de Patrick, e diverti-me imenso com a Erica, a sua barrigona e a interacção com as visitas inoportunas. De novo, há personagens pelas quais criamos uma antipatia imediata e personagens que cada vez mais conquistam a nossa simpatia e nos fazem até rir.

No geral, mais um bom policial desta autora, bem escrito, que prende, mas que, para mim, ficou uns pontinhos abaixo de “Princesa de Gelo” no desenrolar da história. Na estante, já me espera o “Teia de Cinzas”, mas acho que esperará até dias mais frios, em que o ambiente exterior me ajude a ir mais facilmente até Fjällbacka.

Morte Cega, Karin Slaughter

16 maio 2011

Editora: Gótica
Páginas: 356
Categoria: Policial
"A pequena cidade de Heartsdale entra em pânico quando Sara Linton, a médica forense da localidade, encontra uma jovem professora morta no bar. Além de ter sido selvaticamente violada, fizeram-lhe profundas incisões em forma de cruz sobre o ventre. Mas é ao começar a autópsia que Sara se dá conta da brutalidade do assassino. Quando uma segunda vítima aparece crucificada uns dias mais tarde, o chefe da polícia Jeffrey Tolliver, o ex-marido de Sara, tem que enfrentar o facto de que a morte da jovem professora não foi um ataque isolado. Trata-se de um sádico violador, que se tornou assassino e que está a aterrorizar a zona. Sara também não consegue escapar ao terror. Um segredo do seu passado pode ser a chave para descobrir o assassino… a menos que ele a encontre primeiro."
 
Mais um excelente policial desta colecção excelente da Gótica, a Nocturnos. Com muita pena minha os livros desta colecção são difíceis de encontrar, porque realmente a cada novo volume que leio, mais vontade tenho de ler mais. Mas a minha colecção, apesar de incompleta, já está compostinha, por isso conto com mais leituras excelentes durante uns tempo, sempre que o impulso me conduzir a esta área da estante.

Quanto a esta obra, não conhecia a autora, mas foi-me muito bem recomendada por um amigo. Assim sendo, entrei nesta leitura sabendo já que se enquadraria dentro dos meus gostos pessoais. E assim foi, mais um excelente policial, mais um livro devorado sofregamente, à espera do desenlace final.

Gostei imenso da escrita, das personagens e da forma como a história se vai desenrolando. As personagens centrais são cativantes, a história prende, os crimes são horríveis, os motivos desconhecidos ou dúbios quase até final, tudo ingredientes essenciais para um bom policial e este, sem dúvida, que é muito bom.

Não posso entrar em muitos pormenores, para não levantar o pano demais, correndo o risco de estragar a experiência de leitura a outras pessoas, mas, para mim, só houve um senão... porque é que a Sarah demora tanto tempo a revelar algo que se vai tornar essencial para se chegar ao verdadeiro assassino? É impossível que ela não tenha associado as coisas antes e que ela e outros não desconfiassem do facto dos homicídios aparecerem sempre ligados a ela. E mais não digo...

Resumindo, mais um policial que prendeu, que me fez pôr os neurónios a trabalhar para chegar ao assassino (a partir de certa altura, se estivermos atentos aos detalhes, torna-se óbvio) e que me proporcionou excelentes horas de leitura.

Agora, um apelo... Se a Difel/Gótica realmente findou, que as outras editoras possam pegar nos autores anteriormente publicados lá, pois o leque é realmente variado e de grande qualidade. (L)


Encontro com o Medo, Kay Hooper

03 abril 2011

Editora: Casa das Letras
Páginas: 288
Categoria: Policial, Thriller

"Este livro é uma aterradora caça ao homem, um serial killer que os polícias não conseguem deter, um psicopata que parece ter saído de um pesadelo tornado realidade. Ele pertence ao tipo de assassinos que, por instinto, mais tememos: sem limites, sem consciência e sem qualquer medo de ser apanhado. A sua última vítima é a filha de um poderoso senador dos Estados Unidos. Com os meios de comunicação social a clamar por justiça e um pai enlutado à procura de vingança, Bishop e a sua Unidade de Crimes Especiais do FBI encontram-se numa situação ímpar. Desta vez, nem mesmo os médiuns criminologistas chegam para deter o mal. A ajuda vem de uma inexperiente organização civil de crime. Agindo fora de qualquer supervisão governamental e sem autorização oficial, é constituída por um conjunto de elementos tão talentosos quanto excêntricos. Dani Justice sabe tudo o que há a saber acerca de monstros. Assombram os seus pesadelos... e a sua vida. Mas nunca pensara ver-se envolvida na procura encarniçada do rasto de um predador de carne e osso tão astuto que escapara aos melhores que a Justiça conseguira mandar no seu encalço; tão mortífero que não hesita em assassinar até mesmo a filha de um senador. Ou um polícia. Dani sabe algo que nem mesmo Bishop sabe. Dani prevê como termina a caçada. Termina com fogo. Com sangue. E com morte. O que ela não sabe é quem sobreviverá."

Ora aqui está uma sinopse que me levou a esperar muito mais do que encontrei neste livrinho. Não posso dizer que não tenha gostado, porque foi uma leitura rápida e bastante fluida, mas que prometia mais do que o que encontrei, prometia...

Entendo que tenha sido um best-seller do NY Times, porque tem reminiscências de séries de grande êxito nos EUA, como "Medium" e "Mentes Criminosas", e, como disse antes, a escrita é bastante fluida. Mas, para mim, o enredo não foi suficientemente aprofundado para realmente me manter ansiosa em relação ao assassino ou à caçada... Pareceu-me que lhe faltou algum ritmo e inovação.

Resumindo, lê-se bem, mas a sinopse é bem melhor que o livro em si... ou pelo menos, foi o que me pareceu, que isto das opiniões é mesmo relativo.

A Princesa de Gelo, Camilla Läckberg

31 março 2011

Editora: D. Quixote
Páginas: 400
Categoria: Policial, mistério

"De regresso à cidadezinha onde nasceu depois da morte dos pais, a escritora Erica Falk encontra uma comunidade à beira da tragédia. A morte da sua amiga de infância, Alex, é só o princípio do que está para vir. Com os pulsos cortados e o corpo mergulhado na água congelada da banheira, tudo leva a crer que Alex se suicidou. Quando começa a escrever uma evocação da carismática Alex, Erica, que não a via desde a infância, vê-se de repente no centro dos acontecimentos. Ao mesmo tempo, Patrik Hedström, que investiga o caso, começa a perceber que as coisas nem sempre são o que parecem. Mas só quando ambos começam a trabalhar juntos é que vem ao de cima a verdade sobre aquela cidadezinha com um passado profundamente perturbador…"

E finalmente fiz a minha estreia nos autores nórdicos, tão em voga já há algum tempo. Mas, como sempre, fujo um bocado das modas e tenho tendência a pegar nos livros que estão "na berra" passados muitos meses da grande febre.

Há muito que andava a prometer a mim mesma experimentar e tenho vários dos mais recentes êxitos nórdicos na minha biblioteca, como as obras de Stieg Larsson, Lars Kepler, Asa Larsson, mas foi este livrinho que decidiu saltar para a mesa-de-cabeceira e que devorei durante alguns dias.

A escrita prendeu-me logo desde o início e, apesar dos capítulos longos, nunca me fez perder o entusiasmo e a ânsia de chegar ao final. Suspeitas, surgiram logo no início e a certa altura quase parece que todos podem ser os culpados, mas houve uma pessoa em particular que me pôs os alarmes internos a soarem e as minhas suspeitas vieram a confirmar-se, apesar das motivações só se tornarem claras no final.

Gostei muito mesmo da escrita, gostei da forma como a autora conseguiu envolver algum romance na história, sem o tornar lamechas e dando-lhe até algum humor, gostei da forma como desenvolveu as personagens, fazendo-me sentir empatia imediata por algumas, assim como antipatia por outras, enquanto deixava ainda outras numa espécie de limbo, que servia para alimentar teorias e conjecturas na minha mente.

Outro aspecto que achei interessante e que, na minha opinião, é fundamental para manter o leitor preso até ao final, é que a autora, de quando em quando, nos dá conhecimento que as personagens centrais descobriram pistas ou indícios, mas não diz concretamente o quê nem em relação a quem, o que atiça ainda mais a curiosidade.

Em suma, foi uma excelente estreia na leitura de autores de policiais nórdicos e fiquei fã de Camilla Läckberg. O Gritos do Passado já está na estante e o Teia de Cinzas já tem um espacinho também para ele. Suspeito que será daquelas autoras que seguirei fielmente. (L)

As Pegadas do Morto, Peter James

Editora: Difel
Páginas: 496
Categoria: Policial, mistério, thriller

"Durante o trágico desenrolar da manhã do ataque terrorista às Torres Gémeas de Nova Iorque em 11 de Setembro de 2001, os pensamentos de Ronnie Wilson não estão com os milhares de vítimas nem com a cidade cenário do atentado. Este fracassado negociante da cidade inglesa de Brighton, descobre, assim, uma oportunidade ímpar para se ver livre dos seus credores, desaparecer e reinventar-se noutro país. Uns anos mais tarde, a descoberta dos restos mortais de um corpo de mulher, num esgoto de águas pluviais em Brighton, conduz o detective Roy Grace numa investigação à escala mundial e numa corrida desesperada contra o tempo para salvar uma mulher que está a ser perseguida como um animal pelas ruas e vielas daquela cidade. Depois do verdadeiro sucesso internacional, com a publicação em cerca de 30 países, de Despedida de Solteiro, Morte à Primeira Vista e Mata-me, Se Puderes, Peter James regressa com um dos mais arrepiantes mitos urbanos da actualidade: a possibilidade de alguém fingir a sua própria morte nos atentados de 11 de Setembro, e que promete deixar o leitor em suspenso até à última linha…"

O autor, ao pegar no negociante falhado inglês, descreve-nos, embora de forma reduzida, o trágico acontecimento de 11 de Setembro de 2001 e a oportunidade por ele aproveitada para desaparecer e se reeinventar, dando origem, uns anos depois a uma empolgante investigação policial em larga escala.

Tão empolgante é a investigação como o livro, como é apanágio deste autor. Peter James não desilude e cria mais um livro absorvente para os fãs de policiais. (F)

Sequestro, Sandra Brown

26 março 2011

Editora: Gradiva
Páginas: 188
Categoria: Policial, thriller

"Tiel McCoy, repórter de televisão, parte para umas merecidas férias pela Interstarte 20, em direcção ao Novo México. Mas o seu itinerário altera-se, ao escutar na rádio a notícia do rapto da filha adolescente de Russell Dendy, conhecido multimilionário de Forth Worth. Pelo menos é essa a versão oficial. Na verdade, Sabra está grávida e fugiu com Ronnie Davison, seu namorado. Depois de telefonar ao editor, Tiel abandona os planos de férias para seguir a história.
Pouco depois, numa cidade chamada Rojo Flats, durante a visita casual a uma loja conveniência, Tiel vai ter de enfrentar o cano de uma arma, um jovem casal desesperado e o exclusivo da sua vida.
Durante o electrizante sequestro que se segue, vai conhecer e confiar num cowboy que o destino também enviou para o local do crime. Vai saber a razão pela qual o jovem casal de fugitivos receia o pai de um deles mais do que o FBI - e que, pondo de lado a imparcialidade de jornalista, terá de os defender de um mundo apostado na sua destruição."

Não contava ler tão depressa algo de Sandra Brown, mas foi por impulso que peguei neste livrinho que esperava a sua vez na mesinha-de-cabeceira.
Desta autora, gostei muito do "Calafrio" e nem tanto do "Uma Voz na Noite", por isso não tinha criado grandes expectactivas em relação a este livro. Apetecia-me algo leve e que entretivesse e este livro cumpriu bem a sua função.

Quanto à história, a sinopse é bem mais reveladora do que deveria, mas mesmo assim, apesar de ser o livro mais pequenino da autora no mercado português, gostei bastante e achei a história bem doseada e desenvolvida.

Não é uma obra-prima, mas prende e proporciona bons momentos de evasão. Cheguei mesmo a ter pena da autora se ter ficado por tão poucas páginas nesta história. Daria para mais, mas talvez se ela tivesse esticado a história, eu agora não estaria a dizer que estava bem doseada e desenvolvida... quem sabe?

A parte do thriller está boa e o romance é q.b. Deixa a sensação que sabe a pouco, que a autora poderia ter feito mais, mas com o que fez, conseguiu uma boa história que serve para desanuviar de leituras e livros mais pesados. (L)

Revelação Inesperada, Andrea Kane

23 março 2011

Editora: Presença
Páginas: 244
Categoria: Policial, mistério, thriller

"Morgan Winter passou os últimos dezassete anos a tentar refazer a sua vida depois de ter encontrado os pais assassinados quando ainda era criança. No dia em que recebe a visita de Pete Montgomery, o responsável pela investigação inicial, com a notícia de que o homem errado foi condenado pelo crime, Morgan resolve descobrir quem lhe destruiu a vida. Só que o verdadeiro assassino não só permaneceu impune durante quase duas décadas, como a tem mantido sob a sua mira, e está disposto a tudo para garantir que um terrível segredo nunca venha a ser revelado. Repleto de suspense, intriga e sobressaltos, este é um thriller que não vai conseguir parar de ler."

Há muito que queria ler este livro e eis que quando surgiu a oportunidade, peguei logo nele e proporcionou-me excelentes horas de leitura.

Misturando habilmente um pouco de romance, com algum suspense e bastante mistério, prendeu-me desde início. Confesso que a meio achei que estava a perder o fulgor, mas foi momentâneo, acabando por surgir surpresas e algumas reviravoltas mais ou menos inesperadas.

É certo que a partir de determinada altura, parece que o desenrolar da história seguirá um determinado rumo quase previsível desde o início, mas a autora consegue habilmente criar um puzzle que só se completa mesmo no final, em que tudo fica no devido enquadramento.

Com um leque de personagens bem construído e um mistério bem escrito, com alguns momentos de tensão e suspeição, este torna-se um livro imperdível para quem gosta de uma história com doses bem equilibradas de romance, suspense e mistério. Muito bom mesmo e uma autora a manter debaixo d'olho. (L)

Não Contes a Ninguém, Karen Rose

26 fevereiro 2011

Editora: Círculo de Leitores
Páginas: 472
Categoria: Romance, Policial, Thriller

"Mary Grace Winters sabia que a única forma de ela e o filho escaparem ao marido, um agente da polícia que os maltratava, passava pela simulação das suas mortes. Agora, tudo o que resta da sua antiga vida jaz no fundo do lago... Com uma nova identidade, numa nova cidade, encontrou um refúgio a centenas de quilómetros de distância. Quase se esqueceu do pesadelo vivido há nove anos. Até resolveu tentar a sua sorte no amor com Max Hunter, um homem que também carrega as suas próprias feridas. Contudo, o marido descobre-os e, pouco a pouco, o perigo aproxima-se e ameaça tudo e todos."

Estava muito curiosa em experimentar esta autora e fui comprando todos os volumes anteriores, até chegar este a Portugal, o primeiro que ela escreveu (a ordem de publicação por cá foi ao contrário).

Pensei sempre, quer pelas sinopses, quer pelo que fui lendo aqui e ali, que se trataria de suspense a sério, mas, pelo menos neste livro, predominou mais o romance do que o suspense. Nem sequer diria que é suspense romântico, mas mais romance com algum suspense do meio para o fim...

Foi uma leitura que entreteve, que fluiu com algum interesse, mas que não correspondeu totalmente às minhas expectativas, sem, no entanto, me fazer desistir da autora. Contudo, espero que os próximos livros me façam ficar mais agarrada à história do que este, que não primou pela originalidade nem teve grandes reviravoltas. O enredo vai-se desenvolvendo da forma esperada até ao confronto final, nada de surpreendente, portanto.

É um livro sem dúvida para o público feminino, com ênfase na parte romântica da história e com algum suspense, mas não o suficiente para satisfazer quem tiver um historial mais vasto de leitura de suspenses.

Não posso dizer que me tenha desagradado totalmente, mas também não me convenceu. Certamente lerei os volumes seguintes, mas com esperança que sejam bem melhores que este. (L)

Um Voz na Noite, Sandra Brown

03 janeiro 2011

Editora: Quinta EssênciaPáginas: 450
Categoria: Romance, Policial, Thriller

"A história apaixonante de uma mulher assombrada pelo passado e presa num pesadelo que ameaça destruir o seu futuro. Uma narrativa brilhante, rápida, cheia de tensão sexual, por uma das autoras mais populares da América. Para Paris Gibson, o seu popular programa de rádio nocturno é ao mesmo tempo uma fuga e o seu contacto real com o mundo exterior.
Desde que se mudou para Austin para mitigar a dor dos passados erros trágicos, Paris leva uma vida solitária, ganhando vida apenas quando apresenta o seu programa. Para os ouvintes fiéis, é uma amiga sensata e de confiança, que não só acede aos seus pedidos de música, como ouve também os seus problemas e, ocasionalmente, dá conselhos. O mundo de isolamento de Paris é, porém, gravemente ameaçado quando um ouvinte - um homem que se identifica apenas como «Valentino» - lhe diz que os conselhos que deu à mulher que ele ama a levaram a abandoná-lo e que agora ele próprio pretende vingar-se. Primeiro, planeia matar a rapariga, que já raptou, dali a 72 horas, e a seguir virá atrás de Paris.
Com a ajuda da polícia de Austin, Paris entra numa corrida contra o tempo, num esforço para encontrar Valentino antes de ele poder cumprir a ameaça de matar - e de matar de novo. Para seu espanto, descobre que uma das pessoas com quem tem de trabalhar é o psicólogo criminal Dean Malloy, um homem com quem partilha um passado que teve um efeito catastrófico na vida de ambos. A sua presença desperta paixões antigas, obrigando Paris a confrontar as memórias dolorosas que tentava esquecer.
Enquanto o relógio continua a avançar, e as ameaças de Valentino de se aproximar se vão tornando realidade, Paris vê-se de repente obrigada a lidar com um assassino que, afinal, pode não ser um desconhecido."

Regra geral, após ler um livro que me encha totalmente as medidas, o seguinte sabe-me sempre a muito pouco. Este livro teve dupla desvantagem nesse aspecto: li-o após "A Papisa Joana" e após o anterior da mesma autora, "Calafrio", que tinha adorado. Ao contrário dos anteriores, este não me conseguiu prender, marcar ou sequer surpreender.

Não que não tenha sido uma boa leitura, mas confesso que tinha expectativas demasiado elevadas e, apesar de se revelar uma leitura agradável, não foi tão surpreendente ou envolvente como "Calafrio". Neste "Uma Voz Na Noite", o cerne pareceu-me estar sempre mais no romance do que no suspense ou no mistério, o que retirou algum ritmo à história, comparativamente ao livro anterior da autora.

Talvez tivesse apreciado mais esta história se não a tivesse lido nesta altura, logo a seguir a dois livros que me marcaram muito positivamente. Ainda assim, não deixo de recomendar a quem aprecia romance com uma pitada de policial e mistério, mesmo sem a intensidade e ritmo de "Calafrio".

Calafrio, Sandra Brown

11 dezembro 2010

Páginas: 398
Categoria: Romance, Thriller, Policial

"
Cleary, uma pacata cidade da Carolina do Norte, foi abalada pelo desaparecimento de cinco mulheres em dois anos e meio. Não há corpos, pistas ou suspeitos, apenas uma misteriosa fita azul abandonada no local onde cada mulher foi vista pela última vez…
Lilly Martin regressa a Cleary para concluir a venda da sua cabana de montanha e pôr um ponto final ao casamento com Dutch Burton, o chefe da polícia local. Depois de fechar as portas ao seu passado, não imaginava voltar atrás tão cedo. Mas, ao deixar a casa, sob um temporal, Lilly perde o controlo do carro e atropela um homem que emergia inesperadamente do bosque. Trata-se de Ben Tierney, que ela conhecera no Verão passado. Os dois são então forçados a regressar à cabana para esperarem pelo fim da terrível tempestade de neve.
Incontactáveis, com poucos víveres e quase sem aquecimento, Lilly e Ben vão aproximar-se um do outro, ao mesmo tempo que cresce a atracção e o desejo entre ambos. Mas, à medida que o isolamento se prolonga e os dois se envolvem, Lilly receia que a maior ameaça não seja o temporal, mas sim o homem ao seu lado...
Quem será o misterioso Ben Tierney: o raptor ou o homem capaz de salvar Lilly da tragédia que a assombra?
Calafrio é um romance intenso, no qual confiar na pessoa errada pode marcar a diferença entre a vida e a morte."

Depois de ler esta opinião, fiquei ansiosa por pegar neste livro. Gosto de muito de livros que nos conseguem prender até ao fim e que acabam por nos surpreender, com voltas e reviravoltas. Quem me conhece bem, sabe que não é fácil um livro policial surpreender-me, mas este conseguiu-o e foi mesmo uma leitura compulsiva.

Com a parte romântica bem entrelaçada com o mistério, ao longo do livro somos levados a suspeitar de quase todos e só no final se confirmam (ou não) suspeitas. Com uma escrita quase cinematográfica, Sandra Brown envolve-nos totalmente nesta história e não me deixou fechar o livro enquanto não confirmei as minhas suspeitas. Apesar de ser um livro mais para o público feminino, não deixa de ter uma vertente de mistério e suspense bastante intensa e interessante.

Gostei muito e recomendo tanto às fãs de policiais/thrillers como de romances.

Mr. Clarinet, Nick Stone

12 novembro 2010

Editora: Difel
Páginas: 492
Categora: Thriller, Suspense, Policial

"Trata-se de um trabalho que Max Mingus, detective privado de Miami, dificilmente poderia recusar: 10 milhões de dólares para localizar o filho do multimilionário Carver - desaparecido há mais de três anos. Max conhece o preço de uma má aposta, mas aceita ir ao Haiti porque mais ninguém o fará. Uma ilha sem lei, onde reinam o vudu e a magia negra, onde cada homem é forçado a enfrentar os seus demónios pessoais, o Haiti é também o lar de um monstro a quem chamam "Mr. Clarinet", infame raptor de inúmeras crianças. Na busca pelo rapaz, vivo ou morto, a única coisa que Max tem a perder é a própria vida. Mas, no Haiti, há destinos muitos piores do que a morte... Intrigante, de cortar a respiração e altamente constrangedor, "Mr. Clarinet" irá cativar os leitores lançando o seu feitiço obscuro até ao mais exigente fã do "thriller".

Já me tinham falado deste livro mais que uma vez, uma vez que gosto imenso de policiais/thrillers intensos e surpreendentes. Finalmente, consegui lê-lo e, como tem sido hábito, esta colecção da Difel/Gótica, Nocturnos, não desilude.

Intenso, por vezes cru, mas sempre intrigante, foi um livro que devorei, mas a certa altura tive de fazer uma pausa... Tem descrições de tal formas vívidas e bem escritas, que parece que estamos a assistir aos rituais de vudu ou a torturas, tornando-se bastante cru e gráfico nessas partes. Eu cometi o erro de o ler no Verão, o que não recomendo ;)

É um livro que nos leva ao Haiti, aos cheiros, costumes e pessoas estranhas, intrigantes e surpreendentes e nos faz mergulhar num mistério que conduz o investigador (e, consequentemente, o leitor) a um universo macabro, surreal, onde reina a podridão e alguma devassidão, onde os limites entre o bem e o mal não existem e onde as aparências iludem até ao final.

Recomendadíssimo para os fãs do género!

Segunda Oportunidade, James Patterson

19 setembro 2010

Editora: Quinta Essência
Páginas: 336
Categoria: Policial

"Um assassino chamado Quimera parece matar ao acaso. Estarão as nossas investigadoras à altura da missão?

Uma menina de 11 anos morre quando um maníaco abre fogo contra uma igreja. Uma idosa é encontrada enforcada. Em comum, as vítimas têm apenas o facto de serem negras. Lindsay Boxer, depois de ter resolvido o trágico caso do «Assassino dos Noivos», é designada para o caso e desconfia que se trata de algo mais do que uma onda de crimes raciais. Lindsay acredita que os dois crimes foram cometidos por um assassino em série e que duas das vítimas estavam indirectamente relacionadas com a polícia. Um símbolo detectado nas cenas do crime conduz a um grupo racista, mas o assassino volta a atacar, deixando pistas deliberadas e iludindo a polícia com inteligência. Entretanto, cada uma das quatro amigas corre risco de vida, e o assassino sabe exactamente quem são e onde as encontrar."

Este segundo livro do Clube das Investigadoras era há muito aguardado por mim e acho que foi editado mesmo na altura certa, a tempo de o ler no Verão, enquanto apanhava um bocadinho de sol.

Já tinha gostado bastante do 1º livro da série "
Primeira a Morrer" e espero que os livros desta série vão sendo publicados por cá com alguma regularidade, porque realmente chega-se ao fim da leitura com vontade de mais.

A fórmula dos capítulos curtos leva a que também este segundo livro seja devorado de forma compulsiva. E se já tinha gostado do primeiro livro, achei este melhor. Neste sabemos um pouco mais do passado de Lindsay, as outras personagens têm uma vertente mais complexa e um papel mais preponderante no desenrolar dos acontecimentos e há mais tensão do que no primeiro livro.

Sem ser um daqueles policiais cheios de reviravoltas surpreendentes, mas, ainda assim, com algumas surpresas, é uma excelente leitura para os fãs do género.

Agora fiquei ainda mais ansiosa por ter o próximo livro desta série na minha estante... Venha ele, que cá em casa todos estão à espera. Sim, que os dois livros desta série foram lidos (e devorados) por toda a família durante estas férias... Até a minha mãe que dizia não gostar de ler ;)

Fogo Lento, Julie Garwood

11 agosto 2010

Editora: Círculo de Leitores
Páginas: 288
Categoria: Policial, Mistério/Thriller

"Kate sempre lutou pelos seus sonhos. Construiu uma vida pacata, junto da mãe e da irmã, e investiu todo a sua paixão na pequena empresa de velas e fragrâncias que criou. De um dia para o outro tudo muda. Escapa por pouco a uma explosão, a sua mãe morre e deixa uma dívida enorme, a melhor amiga tem de ser operada, o ex-namorado da irmã ameaça-a. Quando se cruza com Dylan Buchanan, o charmoso detective de Charleston, sente que ele é o único bálsamo entre tantos percalços e problemas a resolver. Dylan tem contudo um faro apurado e percebe que Kate está em perigo... Quem a persegue? Quem lhe deixa mensagens de morte? Quem destrói, na sombra, tudo aquilo que ela construiu?"

Quando peguei neste livro, não tinha as expectativas elevadas, apetecia-me apenas um policial levezinho, com algum romance, que me fizesse passar umas horitas absorta. E missão mais que cumprida.

Acabei por ver as minhas expectativas superadas e tive uma leitura bastante agradável, com um livro bem construído, com q.b. de mistério, romance e pitada de humor. A mistura ideal para umas boas horinhas de leitura.

Apesar da história não conter grandes reviravoltas ou suspense (pelo menos, para os fãs de policiais "à séria"), a autora consegue manter-nos presos às personagens e fechei o livro muito satisfeita com as horitas que com ele passei.

Um bom livro de suspense romântico, muito recomendável para aquelas alturas em que apetece uma leitura não muito exigente, mas com algum interesse.

Provas Manipuladas, Donna Leon

02 abril 2010

Editora: Planeta
Páginas: 248
Categoria: Policial

"Quando uma veneziana idosa é brutalmente assassinada, a principal suspeita é a sua empregada romena, que fugiu da cidade. Quando tenta sair do país, levando consigo uma considerável soma e documentos falsos, a empregada mete-se à frente de um comboio e morre atropelada. Caso encerrado. Mas quando a vizinha da velha assassinada regressa do estrangeiro, torna-se evidente que a empregada não podia ter sido a assassina. O Commissario Brunetti decide - oficiosamente - encarregar-se pessoalmente do caso. Quando Brunetti investiga, torna-se claro que o motivo do assassínio não foi a avareza, mas que teve as suas raízes nas tentações da luxúria. Mas talvez Brunetti esteja a pensar no pecado capital errado..."

Já há bastante tempo que tinha alguma curiosidade em experimentar os policiais desta autora e surgiu então a oportunidade com este "Provas Manipuladas".

Bem sei que não é o primeiro livro da série de policiais com a personagem central do Comissário Guido Brunetti, mas como cada livro aborda um caso, com princípio, meio e fim, achei que não perderia muito por não ler a série por ordem. De facto, ao ler esta obra não senti falta de ler as anteriores para ficar encantada com a personagem central... É essa personagem a mais-valia deste livro.

Há muito tempo que não lia policiais deste género... em que o foco do livro se centra mais na investigação do que no crime em si. O crime está cometido logo às primeiras páginas e de seguida acompanhamos o processo de investigação e as conjecturas do Comissário não só quanto a eventuais suspeitos, como em relação aos seus colegas e funcionários e também à corrupção que grassa na sociedade em que se inserem.

Senti a falta de algum ritmo e acção, mas este não é um policial para quem goste de adrenalina e de virar freneticamente páginas e páginas cheias de reviravoltas. Na minha opinião, peca um pouco pela previsibilidade da história e mesmo estando muito bem escrita, com personagens cativantes e um cenário envolvente, senti que faltava o factor surpresa...

Gostei de conhecer a escrita e autora (e o comissário), mas dentro deste género de policiais, prefiro a eterna Agatha Christie ;)
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